Verdade Alternativa


Wall-E
Junho 27, 2008, 10:53 am
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É cada vez mais difícil acreditar que a Disney segue sua linha de fazer filmes para crianças. Pode ser que sejam filmes com uma moral, mas ultimamente eles andam explorando temas bastante adultos. O novo, Wall-E, segue este caminho e sua mensagem chega a ser até um pouco indigesta para alguns adultos. Para os menores, pode ser que ele não consiga expor de uma forma muito clara o que pretende, principalmente pelo carisma das figuras presentes, mas mesmo assim deve causar alguns questionamentos.

A animação fala sobre um solitário robô da linha Wall-E (Waste Allocation Load Lifters - Earth Class, ou simplesmente Levantadores de Carga e Distribuição de Dejetos da Terra). Depois de mais de sete séculos largado pelos humanos, que decidiram sair do planeta por não suportar o acúmulo de lixo, o personagem resiste fazendo seu trabalho. Colecionando objetos deixados pelos ex-terráqueos, ele acaba criando uma memória afetiva, o que lhe dá um pouco de humanidade.

Contando apenas com a companhia de uma barata, ele sente a solidão apertar cada dia mais. É quando chega uma nave que traz um novo robô à Terra, Eva, programada para explorar o local e tentar achar alguma forma de vida por aqui. Apesar de ter um temperamento um pouco explosivo, ela logo se torna alvo da paixão de Wall-E. Quando ela precisa ir embora, ele larga seu ofício, mesmo que ele seja apenas um robô programado, e decide ir atrás de seu verdadeiro amor.

Até então, mesmo com a lição ecologicamente correta, de que se não cuidarmos do nosso lixo precisaremos fugir do planeta, pode ser considerada uma típica narrativa infantil, com uma comédia romântica. A questão é quando os humanos aparecem no filme. Acostumados a usar o computador para tudo o que precisa, inclusive para se comunicar e para amar, os homens e mulheres de 2700 se tornam totalmente dependentes da máquina, chegando a nem mesmo saberem mais como se anda, sem ser com uma cadeira flutuante.

De fato, não é incomum nos cinemas este embate do homem versus máquina, que ocorre na animação. O filme, que pode ser encarado como um Inteligência Artificial que se encontra com 2001 – Uma Odisséia no Espaço nas terras de Matrix, se torna ainda mais reflexivo por não ser complacente com os seres humanos, como os dois últimos. Mesmo que infantil, a animação é dura ao mostrar que a máquina não tem culpa nenhuma da degeneração do homem, mas que apenas este é o responsável.

Claro que é possível fazer uma leitura bastante simplista do longa. Afinal, a função de um blockbuster, como este pretende ser, e é, é a de ser simples o suficiente para ser entendido por qualquer um, mesmo que tenha alguma profundidade para ser apreciado pelos mais exigentes. Independente se encarado como um filme infantil, um grande blockbuster, ou um tapa na cara da humanidade, Wall-E é muito eficaz no que propõe, e não é difícil dizer que a Disney, junto à Pixar, colocou nos cinemas um dos melhores filmes do ano.



A Função Onírica da Sétima Arte
Maio 6, 2008, 11:40 pm
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Quando se diz que a imagem vale mais do que mil palavras, talvez não esteja sendo levada em conta a opinião do cineasta polaco Jean Epstein. No entanto, o que o intelectual revela em seu texto O Cinema do Diabo, um apanhado de quatro de seus escritos que pode ser encontrado no livro A Experiência do Cinema, do teórico paulista Ismail Xavier, não somente reafirma o dito popular, como o leva a uma leitura da vida muito mais profunda do que a imaginada pela maioria dos que o usam.

Mais do que apenas uma indústria do entretenimento, o cinema é, segundo o texto, uma maneira de subverter a ordem vigente, mais do que qualquer texto escrito, pela impossibilidade deste de atingir as emoções irracionais. Isto principalmente depois do sistema proposto pelas teorias de René Descartes, fazendo com que a arte seja uma das poucas formas de sobreviver a um mundo que leva estes conceitos ao limite.

É muito comum se ouvir dizer que este ou aquele filme, como Tropa de Elite, ou mesmo que algum jogo de videogame, é prejudicial à cabeça daqueles que o assistem, já que induzem à violência. Nestes pré-julgamentos, leva-se em conta um dos pontos levantados por Epstein, o de que o cinema, a imagem em movimento, tem sobre a mente humana uma influência maior do que qualquer outro instrumento, levando as emoções para onde quiser.

Na verdade não seria maior do que qualquer instrumento. Apenas um conseguiria ser maior ou igual: o sonho. É sabido por aqueles que estudam o aspecto psíquico dos homens, que o sonho é uma forma da mente expurgar alguns tipos de comportamento que não podem ser mostrados na realidade, ou seja, um tipo de higienizador mental sem o qual o equilíbrio psíquico não é possível. Assim, existem as teorias de que os loucos ou psicopatas não sonham, ou sonham pouco, o que faz com que eles tenham que exprimir estas suas vontades no mundo exterior.

O cinema, como uma forma do homem fabricar sonhos, consegue funcionar desta mesma forma, diria o polaco. Desta forma, um filme que fala sobre os aspectos mais vis e baixos da sociedade são muito mais úteis e corretos do que algum que só demonstre qualidades e emoções boas. A obra audiovisual serve também como um exorcista do homem, assim como o sonho, ou mesmo como toda forma de arte, mas de uma forma mais abrangente.

A arte tem uma função muito mais importante do que a simples questão estética ou histórica. O homem pode usar a sua sensibilidade para criar obras em que seus pensamentos mais primitivos podem vir à tona e se tornar algo bom. Não raro é uma ONG se instalar em alguma favela ensinando crianças sobre música, pintura, artes cênicas ou circo. Ultimamente, até mesmo o cinema tem entrado em pauta nestas escolas voluntárias. Talvez fosse mais fácil ensinar aos jovens alguma profissão, algo que lhes dê sustento no futuro, o que isto não trará, porém, o que está em jogo não é a felicidade, mas a evolução das mentes.

É possível que este tipo de atitude dos mais abastados não tenha este objetivo. Pode ser apenas uma forma de tirar o jovem da marginalidade, fazendo com que se tenha um pouco mais de paz e sossego nos bairros mais ricos no futuro. Mesmo assim, além de colocar para fora a violência que poderia nascer destes alunos, esta medida pode chegar a alcançar um objetivo ainda maior, elevando intelectualmente estas cabeças, trazendo indiretamente o futuro melhor que se buscaria com as oficinas profissionalizantes.

Mais do que a arte comum, a que usa meios audiovisuais, como o cinema, consegue ir além. A imagem em movimento tem uma grande influência sobre as pessoas, seja para o bem ou para o mal. Quando um filme como Cidade de Deus ou Tropa de Elite se torna um sucesso, expondo a violência de uma forma bem produzida, faz o espectador ter a sensação de que foi ele quem matou os bandidos cariocas. Com o tempo, esta banalização da violência, que é criticada pela maior parte das pessoas, faz com que se apague nestes espectadores uma reprimida vontade de matar.

Para Jean Epstein, o cinema é como um imitador da psicanálise, o que explica que ambos nasceram com pouco tempo de diferença, em uma época em que eram muito necessários. O cineasta chega a chamá-lo de “arte-medicamento” ou de “prazer-válvula de escape”, para indicar sua certeza de que este pode servir com a função dos sonhos. Mais do que isto, ele revela que este é um instrumento transcartesiano.

Depois que Descartes decretou seu cogito, a racionalização tomou conta do pensamento humano, chegando a uma situação insuportável no século passado, o que só foi aliviado pela psicanálise e pelo cinema. Estes, ao mesmo tempo, puderam dar aos que os procuram, a dúvida existencial. Se “Penso, logo, sou”, quem eu sou? O que pode indicar que o mais certo pode ser “Penso, logo, não sou”, já que se descobre a imperfeição e o que está em falta. Se o pensamento cartesiano pode levar a humanidade à loucura, cabe ao cinema, este paladino da poesia, a salvação do planeta. Ou, ao menos, encontrar uma forma de se suportar as restrições cada vez mais presentes na civilização moderna.



Falsa Loura
Abril 17, 2008, 11:22 pm
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É muito fácil perceber, logo de cara, que Falsa Loura é um filme ruim. Já pelo elenco não é difícil imaginar o que se pode esperar para a sessão. Apesar de ser protagonizado pela bela e valorizada Rosanne Mulholland, o longa conta com as estranhas presenças de Cauã Reymond, Mauricio Mattar, Suzana Alves, Léo Áquila e a participação especial de Luiz Henrique, mais conhecido pelo seu personagem na TV Gazeta, Mamma Bruschetta. Nem mesmo Djin Sganzerla, filha do grande cineasta Rogério Sganzerla e de sua musa, Helena Ignez parece conseguir salvar a obra.

No filme, parece que todos os personagens penam por uma superficialidade inexplicável para um cineasta experiente como Carlos Reichenbach. Mais inexplicável ainda é saber que Falsa Loura já foi considerado por alguns como o melhor filme do diretor. Que dirá os outros, imagina o leitor. Grande parte dessa superficialidade se explica logo pela opção pelo brega, que já se percebe na escolha do elenco, de bastante apelo popular. A música, um de seus temas, também torna constrangedora a sessão da maioria daqueles que vêem o filme. Principalmente por ser executada pelos astros Maurício Mattar e Cauã Reymond. Este, naturalmente, canta apesar dos apelos contra do diretor musical.

Rosanne é Silmara, uma jovem operária, bastante descolada, que causa inveja de grande parte de suas colegas, chegando a despertar comentários maldosos sobre seus costumes noturnos. Seus grandes ídolos da música são o roqueiro Bruno de André, representado por Cauã, e Luís Ronaldo, vivido por Mattar. Enquanto tenta tornar a caipira Briducha sua pupila, apesar da ingenuidade da garota que esconde seu belo corpo em trajes de senhoras, ela acaba tendo a oportunidade de viver a paixão com os dois músicos. Em ambas as histórias, ela aprende uma grande lição de vida.

Logo no caso da Briducha, já se vê que o tema principal do filme é que nem tudo é o que parece. É o que é uma Falsa Loura. No decorrer do longa, várias situações vão deixando claro esta máxima, como o irmão travesti da protagonista, suas histórias, e mesmo sua relação com o pai. Ele, aliás, tem um coincidente paralelo com a vida real. O pai de Silmara é acusado de um crime, que ninguém consegue provar sua culpa, apesar de fortes evidências. Rosanne, é filha de Timothy Mulholland, que acaba de deixar a reitoria da UnB por suspeitas de desvio de verba.

Mas, apesar do grande constrangimento que é assistir ao filme, fica fácil ir sacando que tudo nele gira em torno deste ponto em comum. Silmara, em diferentes momentos, repete que “se a lenda é melhor que o fato, divulgue a lenda”. É o que acontece sempre, toda a obra é uma grande enganação, tudo aparenta ser uma coisa e logo se vê que não é bem assim. Inclusive o próprio filme. Falsa Loura consegue ser genial em dissolver uma grande profundidade narrativa em uma história que parece não ter nada além da superficialidade. Falsa Loura é um ótimo filme, que prova que, mesmo no cinema, as aparências enganam.



Um Beijo Roubado
Abril 10, 2008, 9:56 pm
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Existe alguma dor pior do que a de perceber que, não importa o que você faça, aquela pessoa com quem você imaginou viver pelo resto de seus dias nunca mais voltará a falar com você? Talvez, pior do que isso, apenas a angústia de acreditar, a cada dia, que aquela situação ficará bem e que tudo voltará como antes. Elizabeth, personagem de Norah Jones no novo filme de Wong Kar Wai, Um Beijo Roubado, passa por isso, mas logo percebe que não é a única que sofre por conta de um coração abandonado.

Para tentar reatar, ela passa a freqüentar um bar que o namorado costumava ir, mas que nunca mais apareceu. Lá, conhece Jeremy, o solitário dono do local, que fincou sua vida naquele estabelecimento e não tem mais intenção de sair de lá, uma vez que também foi abandonado e quer estar ali quando sua amada decidir voltar atrás e procurar por ele. Mas ele mesmo sabe que não vai, assim como Elizabeth sabe que o ex já está vivendo uma outra vida. Ambos sabem que devem esquecer, mas querem a comodidade daquele fio de esperança. Até que ela decide mudar, e ele vê sua segunda chance sumir.

O chinês Wong Kar Wai tem uma marca bastante profunda em seu cinema, o coração partido. O Amor à Flor da Pele não é apenas o nome de um de seus principais filmes, mas um sentimento presente em grande parte de seus personagens, que geralmente amam sem reservas, e por isso, acabam na solidão. Kar Wai aponta os males da pós-modernidade, onde, mesmo em gigantescas cidades, como Hong Kong, Nova Iorque, ou qualquer outra, no meio de multidões, as pessoas se sentem sós.

Apesar de ser o primeiro filme ocidental do diretor, ele consegue se manter na mesma linha que fazia com sucesso em sua terra. Além das emoções latentes, as cores, que tanto chamam atenção em sua obra continuam com tanta intensidade, mesmo sem a presença do fotógrafo de grande parte de seus filmes, Christopher Doyle. Os verdes e vermelhos intensos também dividem a tela com o violeta, emprestado das tortas de mirtilo, o blueberry do nome original, My Blueberry Nights.

O título em português, aliás, perde muito ao tentar algo mais comercial ao invés de seguir os caminhos do diretor. Jeremy vende tortas em seu bar. Toda noite joga fora os pedaços que não foram consumidos. Toda noite percebe que a de mirtilo sequer foi tocada. Há escolhas na vida, e algumas tortas acabam sendo rejeitadas em lugar de outras, mais saborosas. É assim que se sentem algumas pessoas, alguns personagens, como uma torta de mirtilo, abandonada e prestes a ser jogadas no lixo. Porém, as noites de mirtilo podem reservar surpresas. Talvez alguém escolha aquela torta, e a livre de ser descartada.



Entrevista com César Charlone
Março 13, 2008, 8:19 pm
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Diretor de fotografia de sucesso, César Charlone lança seu primeiro longa como diretor, O Banheiro do Papa. O filme é uma co-produção entre Brasil e Uruguai, terra natal do cineasta, que vive em São Paulo há mais de 30 anos. César aproveita seu prestígio no Brasil, tendo trabalhado em filmes como Cidade de Deus, pelo qual foi indicado ao Oscar de melhor fotografia, para dar mais visibilidade ao cinema uruguaio, já que ele acredita que os países latinos precisam estar mais unidos, apesar de haver poucos atrativos nos hispano-americanos para chamar a atenção do gigante Brasil.

Em seguida a O Banheiro do Papa, César apresenta o documentário Stranded no final do mês no festival É Tudo Verdade. Além disso, ele é o fotógrafo do aguardado Cegueira, a adaptação do best-seller de José Saramago, com direção de Fernando Meirelles. Charlone falou com exclusividade ao Guia da Semana sobre sua parceria na direção com o também uruguaio Enrique Fernandes, o cinema latino-americano, ética e sobre o filme de Meirelles. Confira a entrevista:

Como foi iniciar na direção em dupla?
César Charlone: A gente fez um trabalho muito detalhado e minucioso de discussão do roteiro, na preparação. Alugamos um apartamento em Montevidéu, discutimos muito cada personagem, cada coisinha, e chegamos em um acordo muito claro do que a gente queria do filme. Reescrevemos o roteiro junto, então a gente foi pro set já sabendo o que buscava. Acho que essa coisa de co-direção é muito boa. O projeto era mais do Enrique, a idéia era dele, mas, de repente eu tinha mais experiência cinematográfica para contar, então juntou a história dele com a minha experiência.

Você já o conhecia?
César Charlone: A gente se conheceu quando ele me pediu para entrar em contato com o Spike Lee, porque ele é afro-descendente uruguaio. Ele falou: “Ah! Sou o único afro-descendente uruguaio diretor de cinema, tenho certeza que o Spike Lee vai me adotar e vai me dar toda a grana para fazer um filme”, mas o Spike não deu bola. E a gente ficou em contato e ele falou: “Você não está a fim de ler um roteiro”, “Manda aí… Bacana seu roteiro, vamos fazer juntos?”. Eu disse que ia pra Montevidéu, que eu gostei dos personagens, mas que tinha que reescrever, que faltava ritmo, e que a gente podia fazer junto.

Mas foi proposital fazer o primeiro filme no Uruguai?
César Charlone: Tudo o que eu fiz de mais autoral tem alguma coisa a ver com meu passado, com meu lado uruguaio. Eu brinco muito que eu sou muito uruguaio. Eu não sou uruguaio, sou muito uruguaio. Tem uma coisa muito de orgulho do meu país, porque eu não posso morar nele. Não que eu não possa. O cinema não existia e eu tive que vir para cá estudar cinema e acabei gostando muito daqui, mas sempre fica aquela coisa de “deixei meu país”. Então tenho uma ligação muito forte, vou muito lá e ajudo em detalhes, por exemplo, o Cegueira do Fernando, eu empurrei para que a gente filmasse uma semana lá. Então a minha temática está ligada a isso, as coisas que eu tenho escrito…

Eu fiz um média-metragem em 1978 que eu não assino porque era época da ditadura, mas que tinha a ver, sobre o desaparecimento de crianças na Argentina, que tinham sido levadas pro Chile e que uma organização brasileira de direitos humanos ajudou a intervir. Então, sempre está ligado a essa temática. Então, quando pintou esse roteiro uruguaio, com personagens da minha vida, da minha infância, tinha tudo a ver. E as coisas que eu penso como roteiro estão ligadas a isso, sempre. O bom de ter sido fotografo é que como fotógrafo você é mais isento. Eu faço O Homem da Capa Preta, por exemplo, que é muito interessante, mas eu tenho uma visão mais de fora. Mas para contar uma história minha eu quero que tenha a ver com o meu passado, e o meu passado, uma grande parte é no Uruguai.

Como está o cinema uruguaio hoje?
César Charlone: Hoje escola de cinema é muito comum, mas naquela época não tinha escola de cinema. Eu queria estudar na América Latina, e as únicas duas que tinha era uma em Córdoba, na Argentina, e aqui no Brasil que tinha, em Belo Horizonte uma escola de comunicação e cinema e uma escola de cinema aqui em São Paulo. Então optei por vir para cá e fui ficando, foi crescendo minha relação com o Brasil e acabei ficando.

O Brasil tem poucas co-produções com países latinos. Ultimamente teve três, O Cobrador, do mexicano Paul Leduc, O Passado, do argentino Hector Babenco e o seu, O Banheiro do Papa. Nenhum deles com diretores brasileiros. Você acha que nós olhamos pouco para o resto da América Latina?
César Charlone: Os hispano-americanos têm mais curiosidade pelo Brasil do que o contrário. Porque o Brasil é um continente em si, e para abranger toda a sua cultura, para um brasileiro, já é difícil. E o Brasil é um país muito rico, muito interessante, então existe uma… Assim, o uruguaio conhece muito de cultura brasileira, não é como o que um brasileiro conhece da cultura uruguaia. Então eu acho que tem a ver com isso. Tem algumas co-produções no Rio Grande do Sul. Talvez esse seja o estado que é mais conectado com o centro do Mercosul, é o estado onde o Mercosul tem mais importância.

E qual a importância dessa sua parceria entre Brasil e Uruguai?
César Charlone: Para o Uruguai é fundamental, mas para o Brasil acho que não é tão importante. Um país de três milhões de habitantes corresponde a Guarulhos. Mas eu acho que é importante para a gente fortalecer uma cultura continental, a gente ter um projeto de uma cultura de um continente, um mercado comum de cinema, ter salas que exibem cinema latino-americano. Que o brasileiro saiba que está fazendo um filme não só para o povo brasileiro, mas para os seus irmãos, seus vizinhos. E estão atrás disso, estão atrás de ANCINE, tem procurado fortalecer os vínculos dos países do Mercosul quanto a cultura.

E como foi para um diretor de fotografia dirigir um filme?
César Charlone: Já faz um tempo que eu estava dirigindo comerciais, já fiz alguns clipes. E a prática da direção eu já tinha, porque você está no dia-a-dia, com a câmera, falando com os atores, com a produção, então foi como fazer a mesma coisa, mas mais a longo prazo. E eu já tinha dirigido documentários. E, por outro lado, não me considero diretor de fotografia dos mais típicos, no sentido de ser exclusivo, eu dou palpite, falo com o diretor, me meto na vida dos outros, então é meio que uma coisa natural isso.

O filme tem uma crítica forte à mídia, por que?
César Charlone: Acho que todas as profissões têm que ser exercidas com responsabilidade, e que em alguns lugares, no Brasil, de uns tempos pra cá com a coisa de que para você seguir na profissão tem que ter algum reconhecimento, faz com que se tenha um cuidado maior. Agora, não é todo lugar que tem isso, então, é muito fácil que um dono de jornal, um dono de rádio contrate uma pessoa mais inescrupulosa e com vontade de galgar estágios que lhe ascenda. Agora acho que está mais ético, estão tendo mais cuidado. Mas existiu uma tendência de parte da imprensa em ir para um lado mais amarelo, mais sensacionalista, no intuito de vender mais. Eu acho que tem não uma crítica à imprensa, mas uma crítica à falta de escrúpulos, que é um pouco o que alguns personagens têm da ética. Como a do Beto, que é uma ética que ele pode negociar com um contrabandista, mas não com outro não porque é da polícia.

E a menina também quer ser jornalista. Isso foi intencional?
César Charlone: Foi. Totalmente. Eu acho que a gente deve muito, do jeito que a gente está em termos de democracia, de avanços sociais para a imprensa. Eu acho o papel da imprensa fundamental. O próximo trabalho que eu estou escrevendo conta a história de crianças que desapareceram no ConeSul. As crianças e os pais teriam morrido se não fosse o trabalho corajoso do Luiz Carlos Cunha que era editor da Veja naquele momento e fez uma investigação mais profunda que a polícia. A polícia não tinha nenhum interesse em investigar porque estava metida no assunto. Então, eu não gostaria que ficasse a idéia de que o filme é uma crítica à imprensa como um todo. É um alerta para a imprensa se tocar de que ela tem que ser ética. Tem que agir com ética e com respeito porque tem nas mãos um quarto poder, que não foi escolhido pelo povo. Um quarto poder que um capital lhe deu e que tem que usar isso com responsabilidade.

O Banheiro do Papa é um filme sobre a esperança?
César Charlone: Eu acho que é um filme sobre sonhar, que é uma forma de ter esperança. Sobre ter sonhos. O sonho que eu tenho de fazer meu próximo filme, o sonho que você tem de que o site em que você trabalha cresça e vire internacional. A necessidade que a gente tem de sonhar para acordar todo dia e sair para a luta. A gente é movido a sonhos.

Mas nem sempre são sonhos possíveis…
César Charlone: É, a gente tem que sonhar o quase impossível, não o impossível. A gente tem que ter a consciência de que tem que sonhar, mas com algo possível. E o sonho deles, o sonho de ter uma moto não é algo absurdo. Pode parecer para a mulher dele, mas ele acha que pode comprar. Porque comprando ele vai fazer mais viagens. Tinha uma cena que era muito bonita que era ele contando isso: “Eu compro uma moto, com ela faço mais dinheiro, aí eu compro um boteco, daqui a pouco ele cresce e quem sabe, de repente a gente não acaba com um mercadinho…”, sabe? O cara vai crescendo, crescendo, crescendo no sonho. Todos sonhos possíveis, muito loucos, mas possíveis.

Como foram as filmagens?
César Charlone: As filmagens foram super tranqüilas porque a gente planificou muito, fomos muito para Melo, que é a cidade onde se origina a história, fica há 60km da fronteira do Brasil. Ensaiou algumas cenas. Como o Uruguai não tem tradição de cinema, eu tinha preocupação com os atores, de que fossem muito teatrais, mas eu negociei com a produção para levar daqui o preparador de atores. Eu já tinha trabalhado no Cidade dos Homens, no episódio em que eu dirigi, com o Chris Duurvoort, que é um amigão e me ajudou a preparar os atores. Ele foi pra lá e fez um trabalho maravilhoso. Levou os atores pro interior, para eles entenderem como é a coisa, e tal. Tanto o César, que é ator, quanto o Mário, que não é. Para eles entenderem a mentalidade. E ele preparou por um mês e meio e a gente visitou muito as locações, foi uma coisa bem planificada, que é uma coisa que eu sempre bato o pé de que o cinema pobre tem que compensar a falta de recursos com o que a gente tem de mais barato, que é o tempo. Então a gente fez muito isso, conversou muito com o Enrique. A filmagem foram três semanas em Melo, muito dedicadas, com toda cena da chegada do Papa, que teve uma movimentação grande. Depois fizemos três semanas em Montevidéu, todos os interiores para parecer que fosse Melo.

Quanto tempo durou no total o projeto?
César Charlone: O que demorou mais foi a montagem porque uma das condições que eu tinha posto para trabalhar era que o filme pudesse ser montado no Brasil para eu não ficar tanto tempo longe e pra dar uma cara um pouco brasileira para a finalização do filme, pra que fosse mais internacional. E eu trouxe o filme para cá, mas como era co-direção, eu tinha que mandar para o Enrique, para saber o que ele achava. Aí ele achava que eu tinha forçado a mão em um sentido, aí a gente mexia aqui, ele fazia um ensaio e mandava para a gente… Essa parte foi bem enrolada. Tudo, a gente filmou em 2005 e lançamos no ano passado. Foram 2 anos e meio.

E esse roteiro que você está escrevendo, você quer dirigir?
César Charlone: Sim, dirigir e fotografar. Vou fazer co-direção com uma amiga e a gente divide as funções.

Tem previsão de quando?
César Charlone: Não, a gente ainda está lendo livros, pensando. Tem a ver com a América Latina também, com esse momento. Mas ainda está muito no rascunho.

Quais outros projetos que você tem?
César Charlone: Eu senti que nesse último período, em que eu fiz filmes grandes, me deu vontade de fazer coisas um pouco menores. E eu fiz, vai estrear agora dia 26 de março no É Tudo Verdade, um filme que se chama Stranded, que conta a história de um avião, de jogadores de rugby uruguaios que iam jogar no Chile e caiu nos Andes e eles sobreviveram de comer os corpos dos colegas que tinham morrido. Foi um caso muito comentado, até a Disney fez um filme que se chama Vivos, mas ficção, e esse é um documentário, entrevistando os caras. Foi feito por um amigo meu e eu, em uma equipe mínima, câmera na mão, super enxuto e foi muito gostoso. E eu me reencontrei com o lado documentário que eu gosto muito. O documentário tem uma coisa bem legal que é mais divertido a hora de filmar. Você não sabe o que vai encontrar, você tem que ser partícipe dos fatos. Ficção não, você vai fazer a cena dos três cara conversando na varanda. Então caiu a luz, você vai pôr uma luz, mas já sabe o que vai fazer, então é mais “aborrido” como a gente falaria em espanhol, chato é meio pesado, mas é mais monótono. Então eu tive essa experiência com documentário e engatilhamos mais dois projetos com o Gonçalo, que é o diretor desse filme, e é quase uma co-direção, mas na verdade o filme é dele. Mas eu ajudo muito no set, o que me diverte muito e depois ele monta. A gente está pensando em fazer mais dois trabalhos nesse formato. Um documentário sobre o Hugo Chaves, que estou muito seduzido porque acho interessante a figura. E o outro é sobre a América Latina, os recursos naturais da América Latina. Todos longas, formato televisão. E tem também outro que estou fazendo com uma amiga sobre Cuba.

Como está o Cegueira?
César Charlone: O Cegueira está com a montagem praticamente pronta, agora entrou no processo de finalização, a gente vai fazer a correção de luz no Canadá, e vai tratar de som, luz e deve ficar pronto em maio. Eu vi um corte que me mostraram e está muito bacana.

E como é fotografar um filme onde quase todos são cegos?
César Charlone: Na verdade nem precisava de fotógrafo, era só pôr uma ponta preta e estava tudo bem, né? (risos) Não, a gente conversou muito com o Fernando e a gente foi, mais do que nossa viagem particular, a gente foi na viagem do Saramago. Ele fala da cegueira branca, do mar de leite, tudo isso, então a gente foi um pouco nessa praia e fizemos uma coisa um pouco esbranquiçada. Por momentos, senão fica muito chato.



Top 5 - Fevereiro
Março 1, 2008, 4:24 pm
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5 Melhores:

1 - Na Natureza Selvagem (Into the Wild), de Sean Penn, EUA - 2007

2 - Os Indomáveis (3:10 to Yuma), de James Mangold, EUA - 2007

3 - O Banheiro do Papa (El Baño del Papa), de César Charlone e Enrique Fernandez, Uruguai - 2007

4 - Persépolis (Persepolis), de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, França - 2007

5 - $O$ Saúde (Sicko), de Michael Moore, EUA - 2007

3 Piores:

1 - Desaparecidos (Trade), de Marco Kreuzpaintner, EUA - 2007

2 - Encurralados (Butterfly on the Wheel), de Mike Barker, Canadá - 2007

3 - Rambo IV (John Rambo), de Sylvester Stallone, EUA - 2008

Total de filmes: 13



Sicko - $.O.$. Saúde
Fevereiro 26, 2008, 10:00 am
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Os EUA estão doentes. O país que se considera o mais poderoso e importante do mundo tem a sua saúde frágil. E o que os fazem tão poderosos é exatamente o que torna essa saúde tão débil. Forte opositor do presidente George W. Bush, o cineasta Michael Moore decidiu investigar este problema. Porém, como é sabido que seu país não é nada saudável, em seu filme $.O.$. Saúde ele não se atém apenas em mostrar o caos do sistema, mas em provar também como o presidente está pouco se importando com o seu povo e como ele e a mídia mentem.

No início, Moore fala sobre personagens que não são cobertos por planos de saúde nos EUA, e deixa claro que o filme não é sobre eles, mas sim sobre aqueles 250 milhões que se sentem em paz por possuir o benefício. Mas na verdade o documentário não é bem sobre esses também, mas sobre como o governo estadunidense tem grande êxito ao tentar manipular o povo, com verdades inventadas por si, que dizem ser a favor do povo quando em muitos outros países seriam logo descartadas como grandes embustes. E Moore não quer apenas dizer que são meras mentiras, ele prova com fatos e imagens cada um de seus ataques.

É fato que o cineasta não é nenhum exemplo de confiança. Michael Moore foi bastante criticado à época de Tiros em Columbine por manipular as imagens ao seu favor. Mesmo mais cedo, em Roger e Eu, o diretor expôs apenas o que lhe era conveniente. Da mesma forma que não dá para negar o seu caráter picareta, não há também como desprezar a imensa qualidade que $.O.$. Saúde conseguiu atingir. Moore, desta vez, não usa apenas truques de câmera e edição para comprovar suas teorias – não que tenha deixado de usar –, mas cresce como cineasta e como investigador ao deixar o filme ser maior que seu próprio ego – fora uma das cenas finais, sobre um rival, que ao menos suaviza um assunto tão pesado.

Com carta branca do governo e apoio da mídia, os planos de saúde estadunidenses se esforçam, e muito, em apresentar motivos para que os seus associados não possam ter direito a este ou aquele tratamento. Chega ao ponto de uma mulher, que é levada inconsciente ao hospital, depois de um acidente, receber a conta da ambulância por não ter feito o pedido com antecedência. O esforço dos planos é tamanho que eles dão bônus aos médicos que conseguem deixar um doente sem o tratamento adequado. Tudo em nome do dinheiro, sem se importar com as vidas ao redor.

Para contrastar o sistema de saúde dos EUA e contradizer o governo e a mídia, Moore visita outros países e estuda como funciona em cada um deles, incluindo Cuba, o que causou problemas ao diretor. Em comparação aos outros, percebe-se como o “país mais poderoso do mundo” está afundado em corrupção, e como isto parece estar próximo de desmoronar. O grande problema em se assistir a este tipo de filme por aqui é o fato de o nosso sistema de saúde estar mais para EUA do que para Canadá, França ou Cuba. É uma pena que o Brasil esteja adoecendo tão rápido.



Juno
Fevereiro 22, 2008, 10:28 am
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Nunca entendi muito bem o motivo de tanto sucesso para Juno. A maioria insiste em dizer que é por se tratar de uma boa história, mas acredito que eu não consegui me entregar tanto ao filme, sendo capaz de considerar a história tão boa assim. Meu problema vai além, chega à questão moral. Não consigo engolir o fato de que os personagens tratem com tanta naturalidade assuntos que, para mim, não podem ser assim tratados.

Juno é uma típica adolescente estadunidense, de 16 anos, sem grandes responsabilidades. Até que um dia descobre estar grávida de um vizinho, com quem transou por não ter nada melhor para fazer, segundo ela. Com medo de um aborto, ela decide doar o filho para algum casal que não possa ter um de maneira natural. Encontra, então, um par perfeito para que a criança tenha uma vida tranqüila. Enquanto a criança não nasce, ela vai descobrindo que a perfeição não é algo assim tão fácil de encontrar.

Não tenho nada a ver com a vida da garota – até porque ela é uma personagem de ficção –, mas me incomoda essa facilidade que ela tem de buscar o aborto e, depois, doar o filho ao casal. Porém, isto não incomoda tanto quanto a cena em que ela conta aos pais e eles parecem lidar com o fato com ainda mais naturalidade. Não acredito que seja normal que um pai aceite tranquilamente o fato de sua filha de 16 anos estar grávida e ter decidido sozinha que vai doar a criança.

Vendo entrevistas sobre o filme, com a atriz Ellen Page e o diretor Jason Reitman, percebi que, para eles, o filme é sobre uma garota que amadurece rápido demais, então acredito que entendi melhor o sucesso do filme. Não, não concordo que ela amadureça, pelo contrário. Acho que ela se nega a amadurecer, assim como a maioria (todos) dos personagens do filme. O fato de o filme legitimar essa negação faz com que pessoas reais que também usam desse artifício se sintam acolhidas pela obra.

Posso estar errado. Até porque, não tenho também maturidade suficiente para analisar tantas pessoas de forma tão enfática. Porém, a partir do momento em que um filme assim faz tanto sucesso nos EUA, um país em crise, e principalmente entre os adolescentes, não acredito que seja um bom sinal. Espero não ser tachado careta ou moralista, apesar de ser um pouco este o tom do texto, mas não consigo exaltar um descaso tão grande com as responsabilidades quanto este filme faz.



Os Indomáveis
Fevereiro 11, 2008, 3:00 pm
Arquivado em: Cinema, Ficção

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Enquanto Ethan e Joel Coen criam sua obra-prima – Onde os Fracos Não Têm Vez – que tenta decretar o fim do gênero faroeste no cinema americano, como o fim de uma visão romântica do oeste, e Andrew Dominik tenta transformar este mesmo estilo em algo mais contemplativo e estético, porém vazio de conteúdo – O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford –, James Mangold acreditou que não havia o que mudar, e decidiu criar um faroeste aos moldes dos clássicos de meados do século passado.

Os Indomáveis é uma refilmagem de Galante e Sanguinário, filme de 1957. O filme é a saga de Daniel Evans, um pobre rancheiro que escolhe escoltar um perigoso bandido até uma cidade próxima, para colocá-lo no trem para a prisão de Yuma. Dan é um ex-combatente da Guerra da Secessão, que sobreviveu ao combate entre norte e sul, mas perdeu uma perna e o respeito de seu filho mais velho. Com o desenvolvimento da cidade, uma companhia quer passar o trem pelas terras de Dan, mas ele fará de tudo o que puder para continuar ali.

Não cheguei a conferir o original, assim como não tenho muito conhecimento em faroestes, mas este parece ser um típico filme do gênero, fora a presença de Russel Crowe que não convence muito como alguém fora da época atual. Christian Bale, que havia surpreendido em O Sobrevivente, não tem uma atuação brilhante, mas convence bem como o rancheiro angustiado e sem perspectivas que assume todos os riscos para cuidar de sua família.

Mais do que qualquer coisa, Os Indomáveis fala sobre a honra e a dignidade, ou a falta delas. Desde as primeiras cenas já chega a haver uma cumplicidade entre o vilão Ben Wade e Dan Evans. Mais do que admiração, há respeito estre eles, principalmente por serem ambos dignos e honrados, mesmo que o primeiro seja um fora-da-lei com dezenas de mortes nas costas. Os dois personagens encontram no outro seu oposto, sendo eles a versão do bem e do mal de um mesmo ideal de homem.

O filme não teve a mesma repercussão dos outros dois faroestes modernos. Talvez, principalmente, por não tentar subverter o gênero que há muito já havia ficado relegado às sessões de clássicos das videolocadoras mais abastecidas. Mas é justamente nessa tentativa de seguir os princípios do faroeste que a obra consegue exercer o seu maior fascínio. Em uma época dominada pela descrença refletida por Onde os Fracos Não Têm Vez, e pela extrema superficialidade de O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford, o longa de Mangold acaba deixando ao espectador a sensação de um pequeno fio de esperança.



Top 5 - Janeiro
Fevereiro 1, 2008, 12:00 pm
Arquivado em: Cinema

5 Melhores:

1 - Sangue Negro (There Will be Blood), de Paul Thomas Anderson, EUA - 2007

2 - Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country For Old Man), de Ethan e Joel Coen, EUA - 2007

3 - Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street), de Tim Burton, EUA - 2007

4 - A Culpa é do Fidel! (La Faulte à Fidel!), de Julie Gravas, França - 2006

5 - Desejo e Reparação (Atonement), de Joe Wright, Inglaterra - 2007

3 Piores:

1 - Twin Peaks - Os Últimos Dias de Laura Palmer (Twin Peaks - Fire Walk With Me), de David Lynch, EUA - 1992

2 - Meu Nome Não é Johnny, de Mauro Lima, Brasil - 2007

3 - A Lenda do Tesouro Perdido - Livro dos Segredos (National Treasure - Book of Secrets), de Jon Turteltaub, EUA - 2007

Total de filmes: 15