Verdade Alternativa


Diamante de Sangue – Edward Zwick
Dezembro 23, 2006, 12:39 am
Arquivado em: Ficção

Sonho da grande maioria das mulheres, uma jóia incrustada de diamantes pode não ser algo tão bonito como se parece à primeira vista. Apesar de todo o brilho e glamour que um adorno desses pode supor, muitas vezes eles têm uma origem de dor e perda, como conta o filme Diamante de Sangue.

Danny Archer é um contrabandista de diamantes. Trabalhando para o Coronel Coetzee, ele negocia com líderes rebeldes, de Serra Leoa, armamentos em troca de diamantes ilegais. Esses mesmos rebeldes, da RUF (Frente Revolucionária Unida), invadem a tribo de Solomon Vandy, matando grande parte dela, e o levando como escravo a uma mina de diamantes. Lá ele logo é preso por soldados oficiais, não sem antes achar uma grande pedra e escondê-la. O filme todo gira em torno dessa pedra, que todos querem, e que Archer, Vandy e a jornalista americana Maddy Bowen vão buscar numa perigosa jornada.

Esse tal diamante raro só é usado como pretexto para contar o que é o Diamante de Sangue – aqueles que são extraídos a custas de vidas humanas, como acontecia na Serra Leoa do final da década passada. O filme não se propõe a explicar nada, apenas dá um panorama do fato. É como se fosse só para dar uma cutucada no assunto, e quem se interesse que vá buscar mais a respeito. O que não é de todo ruim, mas podia ter sido melhor. Algo como se houvesse uma necessidade dessa superficialidade, para que possa ser tragado pelo público.

Interessante notar um certo esforço por não apresentar vilões, não que o filme não os tenha, tem muitos, mas há uma espécie de abrandamento das atitudes destes. Num determinado momento, um deles diz algo como: “eu posso ser o diabo, mas é porque eu vivo no inferno”. A frase não é exatamente essa, mas a idéia, sim, o que me faz pensar na quantidade de filmes que encaixaria uma frase assim.

Pode parecer um tanto simplista demais, mas de certa forma a frase me fez pensar muito. Bem mais que todo o resto do filme, que não considero ruim. É como uma tentativa de provar que Rousseau estava certo. Resta saber se aqueles que assistirão “o novo filme de Leonardo DiCaprio” vão entender as mensagens. Eu acho que não.


Sem comentários ainda até o momento
Deixe um comentário



Deixe um comentário
Linhas e parágrafos quebram automaticamente, endereços de email não serão mostrados, HTML permitido: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <pre> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>