Verdade Alternativa


Falsa Loura

É muito fácil perceber, logo de cara, que Falsa Loura é um filme ruim. Já pelo elenco não é difícil imaginar o que se pode esperar para a sessão. Apesar de ser protagonizado pela bela e valorizada Rosanne Mulholland, o longa conta com as estranhas presenças de Cauã Reymond, Mauricio Mattar, Suzana Alves, Léo Áquila e a participação especial de Luiz Henrique, mais conhecido pelo seu personagem na TV Gazeta, Mamma Bruschetta. Nem mesmo Djin Sganzerla, filha do grande cineasta Rogério Sganzerla e de sua musa, Helena Ignez parece conseguir salvar a obra.

No filme, parece que todos os personagens penam por uma superficialidade inexplicável para um cineasta experiente como Carlos Reichenbach. Mais inexplicável ainda é saber que Falsa Loura já foi considerado por alguns como o melhor filme do diretor. Que dirá os outros, imagina o leitor. Grande parte dessa superficialidade se explica logo pela opção pelo brega, que já se percebe na escolha do elenco, de bastante apelo popular. A música, um de seus temas, também torna constrangedora a sessão da maioria daqueles que vêem o filme. Principalmente por ser executada pelos astros Maurício Mattar e Cauã Reymond. Este, naturalmente, canta apesar dos apelos contra do diretor musical.

Rosanne é Silmara, uma jovem operária, bastante descolada, que causa inveja de grande parte de suas colegas, chegando a despertar comentários maldosos sobre seus costumes noturnos. Seus grandes ídolos da música são o roqueiro Bruno de André, representado por Cauã, e Luís Ronaldo, vivido por Mattar. Enquanto tenta tornar a caipira Briducha sua pupila, apesar da ingenuidade da garota que esconde seu belo corpo em trajes de senhoras, ela acaba tendo a oportunidade de viver a paixão com os dois músicos. Em ambas as histórias, ela aprende uma grande lição de vida.

Logo no caso da Briducha, já se vê que o tema principal do filme é que nem tudo é o que parece. É o que é uma Falsa Loura. No decorrer do longa, várias situações vão deixando claro esta máxima, como o irmão travesti da protagonista, suas histórias, e mesmo sua relação com o pai. Ele, aliás, tem um coincidente paralelo com a vida real. O pai de Silmara é acusado de um crime, que ninguém consegue provar sua culpa, apesar de fortes evidências. Rosanne, é filha de Timothy Mulholland, que acaba de deixar a reitoria da UnB por suspeitas de desvio de verba.

Mas, apesar do grande constrangimento que é assistir ao filme, fica fácil ir sacando que tudo nele gira em torno deste ponto em comum. Silmara, em diferentes momentos, repete que “se a lenda é melhor que o fato, divulgue a lenda”. É o que acontece sempre, toda a obra é uma grande enganação, tudo aparenta ser uma coisa e logo se vê que não é bem assim. Inclusive o próprio filme. Falsa Loura consegue ser genial em dissolver uma grande profundidade narrativa em uma história que parece não ter nada além da superficialidade. Falsa Loura é um ótimo filme, que prova que, mesmo no cinema, as aparências enganam.


1 Comentário até o momento
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É muito bom esse filme A Falsa Loura, porque nos fala do Brasil da atualidade, de nosso problemas, do poder e da classe operário traída, da música e das formação brega que predomina: a classe operária prostituida tem um pai terrorista que recebe pensão; o irmão travesti é amigo de um gangster; não é operário; não reconhece o pai; trocou de lado, assim como muitos representantes da esquerda brasileira, do operariado brasileiro.

Comment por Jorge Freitas




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