Funny Games – Michael Haneke

Na verdade o filme foi lançado por aqui com o nome Violência Gratuita, mas não gosto muito desse título, que faz perder muito do que tinha o título original, Funny Games. Acredito que de certa forma o nome em português acaba banalizando um pouco da idéia do filme, que, de certa forma é uma brincadeira que se esforça por criticar uma série de filmes que utilizam a tal violência gratuita.

Este que é, talvez, o primeiro filme de grande sucesso do grande diretor Michael Haneke, de Professora de Piano ou Caché, nos mostra uma família que chega em sua casa no lago e é surpreendida por dois jovens que resolve assustá-los com suas brincadeiras.

Haneke disse certa vez que quanto menos se mostrar nos filmes melhor o resultado, já que atiça a imaginação do espectador. Aqui ele segue a risca, o filme é extremamente violento, muito mais que um filme B de ação americano, porém, ao contrario deste, poucas são as cenas de violência que são mostradas, fica tudo a cargo de quem estiver assistindo. Isso ele também faz com Caché, de tal forma que muitos espectadores acostumados com o roteiro mastigado, saíram do filme enraivecidos com um sentimento de que algo está faltando.

Funny Games também pode incomodar estas pessoas. Um dos personagens chega a interagir com os espectadores, quebrando regras de ouro do cinema tradicional. Ele olha para a câmera, conversa com ela, chega até mesmo a mudar os rumos dos acontecimentos, praticamente um poder divino, se não se tratasse de um filme.

E essa é a questão, eles estão em um filme e sabem que estão em um filme, ao contrário de filmes B de ação americanos, onde acontecem situações absurdas e eles tentam nos fazer acreditar que são todas elas factíveis. Os personagens de Haneke sabem que estão em um filme, mas assim mesmo buscam essa realidade, e até dizem isso diretamente para nós.

Simplesmente dizer que Funny Games é um filme de violência gratuita é deixar de lado tudo a que ele se dispõe. É não perceber que ele veio justamente pra ridicularizar uma série de filmes que se utilizam da violência explícita por um motivo puramente mercadológico, quando a sua violência não é nem explícita e muito menos mercadológica, de forma que não se pode dizer que seja tão gratuita assim.

 

P.S.: Funny Games está sendo refilmado numa produção americana. A notícia pode não ser tão ruim assim ao saber que o diretor que pegou essa missão é ninguém menos que o próprio Michael Haneke. Para o papel de Anna, a eterna vítima de remakes, Naomi Watts. Para o papel de Paul, o eterno adolescente rebelde de filmes alternativos, Michael Pitt. Deve sair no final de 2007.

    • airtonshinto
    • 6 janeiro, 2007

    Olá! Não vi este filme ainda. Do Haneke, só vi Caché (no cinema) e Código Desconhecido (na TV) e notei que ele realmente sempre tem um certo sadismo em relação a seus espectadores.

    Gostaria de convidá-lo para participar de uma(s) enquete(s) sobre os melhores de 2006 no http://www.shintocine.nafoto.net

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