Arquivo para fevereiro \12\UTC 2007

Afinal, o que é cinema?

É difícil tentar imaginar hoje qual o verdadeiro limite que separa o cinema de outras linguagens. A televisão já assumiu diversos elementos que eram prioridade do cinema, até mesmo novelas usam alguns deles. E não só a televisão faz o intercâmbio, no cinema vemos aspectos da TV, do teatro, das propagandas, etc. Os limites entre as formas audiovisuais são cada vez mais tênues.

Em A Grande Família – O Filme, é fácil perceber isto. Ao assistir este novo sucesso nacional, não fica bem clara a diferença entre estar vendo aquilo no cinema ou numa noite de quinta-feira na televisão. Os principais elementos adicionados para revelar que ali está uma obra cinematográfica são a duração, as filmagens em externas, o toque dramático e as repetições dentro da trama.

Mas isto não faria de uma série, filme. O tempo não diz nada, aumentá-lo não transforma um produto televisivo em cinema. Da mesma forma, não é porque aquele produto é feito em estúdio que filmagens externas irão torná-lo cinema. Criar este “Efeito Click”, de um drama cômico em A Grande Família, pode diferenciar do seriado, mas não vai além. Já quanto à repetição, provavelmente na televisão ela não funciona. Mas a presença dela neste filme, só serve para expôr a ineficácia da equipe em fazer tudo parecer um filme, já que as três versões que Lineu vive do mesmo fato, se assemelha a três episódios parecidos na TV.

Um outro filme pode causar esta sensação de “Isto não é cinema”. Dreamgirls – Em Busca de um Sonho, por incrível que pareça, tem um bom elenco – mesmo composto de nomes como Eddie Murphy e Beyoncé. A direção é eficiente, tudo se encaixa, mas o filme não funciona. O problema desta vez é o roteiro. Ou a falta de um foco. Difícil definir quem é o protagonista do filme, que parece ter vários deles.

Dreamgirls, adaptado de um musical da Broadway, cansa. É provável que mesmo aqueles que estão gostando do filme, que não é ruim, não vêem a hora dele acabar, já que são muitas as histórias, e pela falta de tempo – apesar dos quase 140 minutos – elas acabam ficando incompletas, superficiais. Dá a impressão de que talvez funcionasse melhor numa minissérie de poucos episódios, onde se poderia dar maior destaque para cada personagem. Mas não é o suficiente para tirar o rótulo de cinema do filme.

A partir do momento em que outras linguagens assumem características pertencentes ao cinema, resta a ele apenas a experiência. Deixar de lado uma narrativa conservadora e partir para algo mais ousado. Porém, se for pensar deste modo, hoje em dia pouco pode ser considerado cinema.

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