Batismo de Sangue

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Depois de uma infinidade de filmes sobre a Ditadura Militar no Brasil, resta saber se faz sentido continuar lançando obras sobre o tema. Batismo de Sangue parte de uma premissa pouco conhecida, a história de frades dominicanos que foram torturados durante o regime por suas ligações com Carlos Maringhela, da ALN (Aliança Libertadora Nacional). Mas o simples fato de ser um tema não divulgado já é motivo para um novo filme sobre o assunto?

Diretor e atores têm uma opinião unanime sobre o caso, a de que se o governo não abre os arquivos da Ditadura, o cinema o tem que fazer. Há sim que produzir e revelar materiais a respeito não só desse período, mas de tantos outros da nossa história. A questão que fica, porém, é outra. Será que o cinema nacional não está sofrendo de um bloqueio criativo? Depois de surgir algum filme de relativo sucesso, seja de público ou crítica, sobre um determinado assunto, parece que brotam dezenas de projetos abordando o mesmo tema.

A Questão vem inclusive do fato de Helvécio Ratton, diretor do filme, ter feito Uma Onda no Ar, filme que se passa em uma favela mineira e que parece ser um fruto do ‘boom’ causado por Cidade de Deus. Mas, independente do fato, não é hora de julgar a qualidade criativa do diretor.

Batismo de Sangue não é isento de falhas, mas também está longe de ser ruim. A primeira metade do filme é claramente a mais fraca, chegando em alguns momentos a se temer pela qualidade total da obra, mas mais pra frente se percebe que não há tanto prejuízo. Parece que, talvez por tentar dar espaço ao personagem de Frei Betto, autor do livro que dá origem ao filme, o diretor acabou criando uma crise de identidade, em que se demora muito tempo para perceber que o protagonista de fato é Frei Tito.

O final, mesmo conhecido – já que todo o filme serve para explicar a primeira cena, em que Tito se suicida na França – consegue uma carga de emoção grande, principalmente pelo trabalho do ator Caio Blat. Intercalando cenas do religioso na França, com cenas das lembranças amargas do passado, o diretor consegue passar bem a dor do Frei e o porquê ele acabou morrendo, mesmo longe da opressão dos militares. Assim como são justificadas as polêmicas cenas de violência nas torturas, que servem somente pra explicar o porquê dos frades terem falado mais do que deviam.

Sendo um filme que apenas segue uma onda, ou um filme já pensado há tempos – Helvécio Ratton militou na luta armada na época, sendo exilado no Chile, onde se tornou cineasta –, Batismo de Sangue tem certo destaque dentre os do tema. Só resta esperar que o cinema nacional continue criando obras de qualidade com maior diversidade, sem precisar se restringir sempre a dois ou três temas específicos.

 

Leia matéria sobre o filme no Guia da Semana.

    • Nubia
    • 15 fevereiro, 2011

    Eu achei um péssimo filme. Atuações fracas, cenas mal amarradas, enfim, não consegui passar da metade.
    Mas, se dizes que a segunda metade é melhor, tentarei vê-lo novamente, e talvez de péssimo minha avaliação mude apenas para “ruim”. hehe

      • Ravi Santana
      • 15 fevereiro, 2011

      Pior que eu nem mesmo lembro do filme, então não sei dizer muito sobre ele. Ou sobre o que eu gostei ou não nele.

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