Baixio das Bestas

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De acordo com Everardo, personagem de Matheus Nachtergaele do filme Baixio das Bestas, “o melhor do cinema é que no cinema você pode fazer o que tu quer”. E o que Cláudio Assis quer é incomodar. Já com seu primeiro longa, Amarelo Manga, ele causou repulsa em muita gente, com o novo filme não está sendo diferente. Em Baixio das Bestas o diretor pretende mostrar, sem qualquer máscara, a condição da mulher no interior do Brasil, usando como cenário um canavial da Zona da Mata de Pernambuco.

O filme pode não ter sido inspirado em uma história real, mas existem muitas histórias reais dentro dele. A trama principal gira em torno da menina Auxiliadora, de 16 anos, que vive com seu avô Heitor. Numa região onde só há três formas de sobrevivência: a cana-de-açucar, as apresentações de maracatu e o sexo, o velho optou pela mais fácil, e sempre que precisa de dinheiro exibe a neta nua em um posto de beira de estrada para os caminhoneiros de passagem.

Um dos habituais admiradores da cena é Cícero, universitário de Recife, filho de uma rica família da região. Ele, junto com seus amigos em um bando liderado pelo Everardo, se aproveita do poder e do dinheiro para viver de forma irresponsável, realizando encontros e festas regadas a álcool, drogas e orgias, independente de as envolvidas quererem ou não participar. Na maioria das vezes as escolhidas são garotas de programa, mas mesmo elas se sentem ofendidas com tamanha sordidez.

As mulheres de Baixio das Bestas servem apenas para aliviar os prazeres sexuais dos personagens masculinos. Representadas com grande força principalmente pela estreante Mariah Teixeira, por Dira Paes e por Hermila Guedes, em uma participação pequena, mas marcante. Não há no filme nenhuma preocupação em ele ser de fácil digestão. Enquanto Amarelo Manga nos convencia que “o ser humano é estomago e sexo”, este nos mostra a opressão causada pelo sexo. Na sessão de pré-estréia em São Paulo, muitas mulheres saíram, não agüentaram chegar ao fim: a realidade é difícil de ser suportada por aqueles que não a conhecem.

Cláudio Assis quer mostrar em seus filmes o cheiro da podridão do mundo. Ele quer um cinema despido de hipocrisias, que mostre a realidade do mundo àqueles que insistem em não enxergar. Há nudez, violência, sexo explicito em Baixio das Bestas, mas na vida real tudo isto também existe, então ele não vê o porque de esconder. Existe o por quê?

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