Zodíaco

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Doze anos depois de fazer um grande sucesso ao lançar Seven, o filme que revolucionou a forma de retratar serial killers no cinema, o cineasta David Fincher volta ao tema para novamente mudar esta perspectiva. Mesmo tendo prometido a si mesmo que nunca mais falaria sobre assassinos em série, o diretor quis retomar o assunto ao ler a história real de Zodíaco, contada pelo cartunista Robert Graysmith no livro homônimo.

Apesar de se apresentar como algo novo, em sua narrativa, Zodíaco lembra muito o filme sul-coreano de 2003, Memórias de um Assassino, na época o mais assistido na Coréia do Sul. Os dois casos relatam histórias reais de serial killers que aterrorizaram a população, mas que ficam impunes pela falta de comunicação da polícia. O filme americano, no entanto, além de chegar a um público mais amplo, ainda vai mais longe. A obra é dividida em duas partes, sendo a primeira, esta comédia de erros da polícia na caça ao bandido. Na segunda, o que se relata é a ânsia de Graysmith em descobrir tudo sobre o caso para escrever o livro no qual o filme foi baseado.

O Zodíaco das telas mostra a vida do cartunista, a partir do momento em que toma conhecimento dos crimes. Trabalhando no jornal San Francisco Chronicle, para onde o assassino enviava suas cartas e enigmas, ele têm acesso diário ao caso. Seu passado como escoteiro acaba criando nele uma vontade incalculável de desvendar este mistério, mesmo que em detrimento de sua vida pessoal. Assim, no primeiro momento ele apenas observa o trabalho da polícia e dos jornalistas e, quando percebe que nada mais vai acontecer, toma a dianteira na investigação.

A vida pessoal de Graysmith é retratada com bastante ênfase, sendo fator determinante de muitos momentos da narrativa. Seu relacionamento com os filhos, com sua esposa Melanie, com o jornalista Paul Avery e com o investigador Dave Toschi são explorados para dar uma carga dramática maior, caso que não acontece no livro, em que Avery, por exemplo, quase não é citado, mas ainda recebe atenção maior que a mulher e as crianças. Esta dramaticidade também está presentes em diversas cenas que não existiram realmente, mas são simplesmente conjunções de vários relatos, como sua investigação a Bob Vaughn.

O sexto filme do diretor que começou sua carreira na direção de Alien³, mostra que David Fincher alcançou o sucesso, em Seven, em Clube da Luta e agora com Zodíaco, por um domínio da estrutura narrativa indispensável na indústria cinematográfica americana, aliado a uma tentativa de subversão das regras deste mesmo sistema. Mesmo se apoiando em Hollywood para seu triunfo, e por vezes cometendo os mesmos erros, Zodíaco e seu diretor merecem ser reconhecidos como alternativas possíveis.

  1. Se eu fosse fazer uma resenha da parada toda, ia resumir como “puta filme foda”. Fiquei feliz de ainda ter ganho o livro – para efeito de comparação e para curtir a história toda.

    (OBS: Perguntaram, mas só eu sei: Paul Avery morreu aos 66 anos, de enfiseman pulmonar, em 2000.)

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