Não Por Acaso

Renomado como diretor de curta-metragens, Philippe Barcinski apresenta seu primeiro longa seis anos após o lançamento de Palíndromo, que chamou a atenção e mostrou que uma mente criativa estava para aparecer no cinema nacional. Longe das experimentações dos curtas, Não Por Acaso consegue seguir a mesma linha que o diretor já buscava anteriormente, mas com maior desenvolvimento.

O longa estrelado por Rodrigo Santoro – em uma de suas participações menos inspiradas, mas não fraca – fala sobre o controle que as pessoas esperam ter sobre suas vidas, mas que nem sempre é possível. Para isto, o diretor usa a Teoria do Caos, resquícios do tempo em que era um aluno de física. Divididos entre dois personagens, com a mesma obsessão, o destino e esta necessidade do controle e a eventual falta dele se tornam elementos chaves de Não Por Acaso.

Pedro herdou de seu pai uma fábrica artesanal de mesas de sinuca. Fechado em seu próprio mundo, ele se limita ao trabalho e, quando possível, ao jogo. Apesar dele amar sua namorada, Tereza, ela espera mais atenção, mas raramente recebe. Enquanto isto, Ênio vive fechado em um outro mundo. Monitorando câmeras da Companhia de Engenharia de Trafego, ele parece ter controle total de sua vida, mas nem mesmo quer conhecer sua filha Bia, de 16 anos. Longe do controle dos dois, a mãe de Bia e Teresa se envolvem em um acidente e morrem, desestruturando os dois personagens.

Talvez por ser meticuloso e perfeccionista como seus personagens, Barcinski deixa o filme sem ritmo durante quase metade dele. Antes de apresentar Pedro, ele passa um longo tempo na apresentação de Ênio. Assim como fica tempo demais falando de Pedro antes de seguir com a história. Sem intercalar, em uma introdução longa demais, Não Por Acaso se torna cansativo nos primeiros minutos, o que acaba compensando com o resto da obra.

Não optando por um cinema comercial, e também longe de fazer parte de um circuito alternativo, Barcinski apresenta com o longa exatamente aquilo que se propõe, um filme que pode funcionar tanto com entretenimento como para reflexão. O que faz com que o filme seja bom para ambos os públicos. O problema é que ele não vai além disso para nenhum dos dois.

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