Transformers

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Há poucas semanas atrás, uma polêmica tomou conta do fórum do site estadunidense Ain’t Cool News. Alguém que se dizia ser Bruce Willis declarou que o cineasta Michael Bay, de Armageddon, era o responsável pela morte dos filmes do gênero. Apesar das tentativas do diretor de amenizar as declarações, se dizendo amigo íntimo do ator, o polemizador chegou a convidar outros participantes do fórum para conversas pela webcam, para provar sua identidade, o que ficou registrado no site por fotos.

Com o lançamento de Transformers, o novo filme de Michael Bay, as discussões podem ser analisadas de uma forma mais prática. O esperado longa-metragem, que deu vida aos famosos brinquedos da Hasbro da década de 80, ganhou uma versão alucinante nas telas, capaz de deixar os fãs dos bonecos e dos desenhos com um notável sentimento de saudosismo. Porém, nem só de cenas de ação se sustenta um blockbuster. O filme até chega a tentar uma abordagem pseudo-política, mas de forma infantil e sem conteúdo. Quando se começa a prestar atenção ao roteiro, vê que tudo desanda.

O filme simplesmente deixa de explicar grande parte do que se passa nas telas. Desde a chegada dos robôs na Terra, ou o porquê havia uma rivalidade entre os dois grupos. Fora o fato de se haver pensado em um novo filme com a origem dos Transformers, o que é improvável, mas não impossível em Hollywood, nada justifica tamanha falta de cuidado com o roteiro. Tudo nas telas acontecem de uma forma muito natural, muito simples, evitando que o espectador – ou mesmo o roteirista – precise pensar muito. Quando este o faz, por exemplo, percebe que a personalidade da heroína muda radicalmente no decorrer da história.

Uma necessidade de não deixar o espectador pensar talvez seja o motivo de muitas das cenas de ação. Cenas eletrizantes, rápidas, com câmeras tremidas, aparecem em todo o filme. A agilidade é tanta que impede qualquer raciocínio de quem está vendo, para não correr o risco de perder algum detalhe. É aquela velha questão do desligar o cérebro antes de entrar na sala, o que não é necessário em todos os filmes de ação, mesmo os que desejam ter cenas intensas.

Sobre Michael Bay ter matado o cinema de ação, é uma acusação sem tantos fundamentos. Os filmes do tipo continuam aparecendo mesmo depois de tantos anos com a presença do diretor. Ele mesmo, aliás, continua ganhando fortunas com o gênero, como é o caso do próprio Transformers, que teve uma bilheteria invejável nos EUA. Porém, não seria errado dizer que Bay é, ao menos, o responsável pela morte cerebral do tipo de filme que ele mesmo insiste em fazer.

    • Gabriel
    • 1 agosto, 2007

    Hoje em dia a maioria dos filmes só se importa com bilheteria. Já foi a época em havia um roteiro bem trabalhado e que os resultados das bilheterias eram anunciados como um placar de corrida de cavalos e que estreiava-se um filme por semana. No entanto temos que nos conformar com filmes deste tipo, porém ainda existem alguns, os quais ainda podem ser assistidos.

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