Paranóia

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Sem grandes pretensões, Paranóia se tornou repentinamente um filme de sucesso ao estrear em solos estadunidenses. Com um diretor de pequeno porte e um ator até então desconhecido, o filme conta com um empurrão de Steven Spielberg, mas não apenas isso impulsionou seu lançamento. O apelo que o filme tem aos mais jovens pode ser considerado o segredo de sua bilheteria espetacular, que refletiu também no início da fama do jovem Shia LaBeouf, que será o filho do Indiana Jones no próximo filme.

A transformação do ator em astro, porém, se não viesse neste filme viria em outro, como Transformers, que estreou depois nos EUA. Spielberg quer fazer dele um grande ator, como já fez com Tom Hanks, então seria apenas uma questão de tempo. Shia, porém, é um elemento bastante responsável pela identificação que os jovens têm pelo filme. O ator bom, porém, não consegue fugir das armadilhas de um roteiro ruim. Enquanto em Transformers é a coadjuvante que muda repentinamente de personalidade, aqui é o protagonista.

Em uma releitura do clássico Janela Indiscreta, de Alfred Hichcock, o filme conta a história da Kale, um adolescente rebelde que bate em seu professor e, por isso, é condenado a passar três meses em prisão domiciliar. Nela, ele passa a espionar os vizinhos, encontrando num deles um possível serial killer. O primeiro problema é que o jovem só é um adolescente rebelde em um momento do filme, quando bate no professor. Em todos os outros é um jovem normal, sem grandes frustrações, fora o fato de estar de castigo em casa.

Esta falha no roteiro também se reflete nas relações entre os personagens. Kale se comunica com sua mãe ou seu pai – principalmente o pai – da mesma forma que um ator o faz com outro que acaba de conhecer. Não há grande naturalidade. Como é fácil demais a forma como ele conquista a vizinha, talvez esta a razão de chamar tanto a atenção dos mais jovens. Ela percebe que ele a observa na piscina e vai à sua porta, eles ficam amigos e, quando ele revela que a espiona também em seu quarto, ao invés de processá-lo, o que seria comum nos EUA, ela cai de amores. Muito melhor relação se dá entre o casal do brasileiro O Homem que Copiava.

Mas nem tudo está perdido em Paranóia. O filme prende a atenção e revela alguns momentos de grande tensão diante à tela. Apesar de, como em quase toda obra para o público-alvo em questão, pregar peças no espectador. Apesar do suspense que pode proporcionar, a equipe de marketing consegue dar um tiro no próprio pé. Grande parte das fotos de divulgação e até mesmo o trailer do longa mostram o final, o que não é nem um pouco inteligente em uma obra em que a dúvida é um dos poucos pontos altos.

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