Piaf – Um Hino ao Amor

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Existem músicos que ultrapassam as fronteiras dos idiomas. Mesmo sem entender a letra, é difícil não sacar a irreverência dos primeiros sons dos Beatles, a revolta e o inconformismo dos Sex Pistols, ou se deixar levar pelo balanço da Bossa Nova de Antônio Carlos Jobim. Mais difícil ainda é não se entristecer ao som da francesa Edith Piaf. Sua voz, grandiosa e linda, contrastando com seu corpo pequeno e mal cuidado, arrebata o peito de quem se atém a ela, mesmo que não entenda nada do francês. A música se torna idioma universal.

Mais fácil entender, e sentir, o porquê desse aperto no coração ao ouvir músicas como La Vie en Rose, Hymne à L’amour ou Non, Je Ne Regrette Rien, quando se assiste ao filme Piaf – Um Hino ao Amor. A obra francesa de Oliver Dahan conta a vida de Edith, filha de um artista de circo e uma cantora de rua, que recebeu o nome Piaf por seu corpo pequeno e frágil, como o de um pardal. À medida em que o longa vai avançando, ao mostrar as músicas de cada fase da cantora, a emoção causada por elas se potencializa.

Drama não falta em sua vida. Abandonada pela mãe, foi criada pela avó paterna, que era a dona de um bordel sem muito luxo. Foi na infância junto às prostitutas que começou seu talento vocal. Nela também percebeu como a vida seria dura consigo. Principalmente quando, aos sete anos, fica temporariamente cega e, mais tarde, a audição que é prejudicada. Resgatada das ruas por um empresário, Piaf começa a se tornar uma das maiores cantoras do mundo.

Piaf – Um Hino ao Amor, porém, não pretende contar a história de uma forma simples, apenas para que se conheça mais sobre a vida desta mulher que pouco revelou sobre sua intimidade. Sem qualquer cronologia, Dahan faz um vai-e-vem na vida e na carreira da cantora de uma forma que, ao fim da exibição, tudo se sabe sobre Edith e nada se sabe sobre Edith. O expectador consegue entrar dentro da alma desta personagem, que apesar de sua antipatia imensa, ainda se faz amada.

Um dos maiores trunfos é a atriz Marion Cotillard. Interpretando a protagonista, ela se despiu de toda sua beleza para o longa. O trabalho de maquiagem é impressionante. Piaf vai dos vinte aos cinqüenta anos de tal forma que é até difícil dizer que é a mesma atriz, e mais ainda dizer que é outra personagem. Nisto, também há a incrível semelhança das duas atrizes que vivem Edith na infância. Entre si e com Cotillard. Tudo para mostrar que dá para transformar muitas tragédias em vidas cor-de-rosa.

  1. Ravi, eu já queria ver o filme, mas seu comentário me encorajou ainda mais. Não me arrependi. Um filme belíssimo.

    Destaque a para a cena em que ela fica sabendo da queda de avisão de Marcel, ao som de Hymne a L’Amour. Arrepiante.

    Incrível que seja apenas uma atriz!

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