Arquivo para novembro \17\UTC 2007

É Fácil Fazer Uma Canção

Documentário sobre a cena do rock underground da Zona Oeste do Rio de Janeiro em 2002. Realizado a partir do Rato no Rio, um festival mensal realizado em Bangu. Com a participação do organizador do Rato no Rio, Marcelinho, e das bandas Filhotes!, Sexo & Blood Mary e Ataque Periférico.



Aceito reclamações, elogios, críticas, sugestões, convites para novas produções e o que quer que você tenha a falar a respeito…

O Magnata

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Não há nada de mal em alguém decidir ampliar seus horizontes e caminhar por outras trilhas que não sejam as suas originais. Não há problemas, por exemplo, em um músico se aventurar pelo cinema, seja como ator, como faz gente como os Paulos Miklos e Moska, ou como diretor ou roteirista. Neste sentido, há o quase despretensioso Caetano Veloso com seu Cinema Falado, de 1986, ou mesmo, mais recentemente, Toni Belloto com Bellini e a Esfinge e Bellini e o Demônio.

Porém, há que se ter um certo bom senso ao fazer isto. E foi exatamente bom senso que o vocalista do Charlie Brown Jr. não teve ao escrever o roteiro de O Magnata. Longe de querer podar o vasto talento desta figura controversa que é o Chorão, até pelo resultado ter ficado superior ao esperado – embora inferior ao que poderia ter sido –, mas se houvesse um pouco mais desta nobre qualidade, o filme seria mais palatável.

O argumento é bobo, mas pode render alguma coisa. Um jovem ídolo da música, que vive de forma irresponsável com a herança do pai, resolve cometer um crime, por diversão, e na mesma noite se apaixona, começando uma relação que será ameaçada pelo ato anterior. O universo, a linguagem dos personagens, o pseudo-roteirista conhece bem, o problema é que não conhece desta profissão que ele tenta agora emplacar. E sua arrogância não deixou que conhecesse.

Renomado nesta área, Bráulio Mantovani assessorou Chorão, formatando o roteiro de forma que o diretor e o resto da equipe pudessem entender. Além disso, fez pequenas modificações em cenas e personagens, para livrar um pouco da superficialidade. Um pouco, porque senão tirava a marca do autor. Caso Chorão, ao menos neste primeiro trabalho, tivesse aceitado uma parceria, o resultado poderia ser outro, bem diferente e surpreendente para quem torce o nariz ao músico.

O personagem do roqueiro Marcelo Nova, por exemplo, que representa a consciência do Magnata, é típico de novato. Ele serve somente para explicar o que é facilmente entendido através das imagens, correndo o risco de dar a impressão de que chamam o espectador de idiota. Maria Luiza Mendonça, ao contrário, poderia ter sido muito mais explorada, assim como poderiam muitos outros personagens. A personalidade rasa deles enfraquece muito o filme, de forma que o diretor precisa carregar nos efeitos para não cair em desgraça.

Johnny Araújo, aliás, faz o máximo para salvar O Magnata. O que poderia ser um completo fiasco só não o é pelo empenho do diretor estreante. Vindo de premiados videoclipes, ele soube usar a linguagem de forma a tornar o filme aceitável, fora momentos constrangedores, como em uma animação que surge do nada. Apesar de tudo, é provável que o filme atinja um razoável sucesso, resta saber se o músico irá aprender na hora de realizar seu novo projeto, que ele irá fazer e deve até dirigir.

Top 10 – Mostra de Cinema de São Paulo

10 Melhores:

1 – Sonhando Acordado (La Science des Rêves), de Michel Gondry, França – 2006

2 – Irina Palm, de Sam Garbaski, Bélgica – 2007

3 – Control, de Anton Corbijn, Inglaterra – 2007

4 – Em Paris (Dans Paris), de Christophe Honoré, França – 2006

5 – Across the Universe, de Julie Taylor, EUA – 2007

6 – Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho, Brasil – 2006

7 – Help Me, Eros (Bangbang Wo Aishen), de Lee Kang-Sheng, Taiwan – 2007

8 – Balada Branca (Una Ballata Bianca), de Stefano Odoardi, Itália – 2007

9 – Viagem a Darjeeling (The Darjeeling Limited), de Wes Anderson, EUA – 2007

10 – 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (4 Luni, 3 Saptamani si 2 Zile), de Cristian Mungiu, Romênia – 2007

5 Piores:

1 – A Última Hora (The 11th Hour), de Nadia e Leila Conners, EUA – 2007

2 – Império dos Sonhos (Inland Empire), de David Lynch, EUA – 2007

3 – O Passado (El Pasado), de Hector Babenco, Argentina – 2007

4 – O Assassinato de Jesse James pelo Covard Robert Ford (The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford), de Andrew Deminik, EUA – 2007

5 – The Notorious Bettie Page, de Mary Harron, EUA – 2007

Total de filmes: 39

O Preço da Coragem

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Existem alguns cineastas que cultivam um estilo. Durante toda a sua carreira, eles fazem questão de filmar toda a sua obra a partir de um fio condutor, por mais tênue que seja, de forma que possa se encontrar uma unidade nela. Existem também aqueles que não se preocupam com isso, e que fazem os mais diversos filmes, sem nenhuma relação entre um e outro. Michael Winterbottom não se encaixa em nenhum desses dois tipos.

O cineasta parece dotado de duas personalidades bem distintas, o que eu nunca consegui entender. Ao mesmo tempo em que faz obras que agrada ao público mais jovem, com o forte apelo musical – A Festa Nunca Termina e Nove Canções -, o diretor também segue um caminho bem diferente ao filmar histórias dos conflitos no Oriente – Caminho Para Guantánamo e Neste Mundo. O novo filme de Winterbottom segue este lado. O Preço da Coragem conta a história do jornalista americano Daniel Pearl, seqüestrado e morto no Paquistão.

Apesar das óbvias diferenças, é possível traçar um paralelo entre este filme e o brasileiro Tropa de Elite. Em ambos os casos, são contadas histórias de pessoas ricas, instruídas, bem informadas, mas que acredita que esta posição fará com que saia superior em um guerra da qual está envolvido apenas indiretamente. É quase possível ouvir, em off, o Capitão Nascimento dizendo que “apenas jornalistas americanos com consciência social não sabe que guerra é guerra”.

O grande problema do filme, porém, é o que muitos consideram seu maior trunfo: Angelina Jolie. A presença da atriz não só causa uma grande irritação no espectador, principalmente por seus gritos histéricos, como dá a entender que esta posição de americano – ou ocidental, já que ela é francesa – acima de qualquer guerra, é a defendida pelo cineasta. Porém, apenas sabendo do que se trata os filmes anteriores dele, já é possível imaginar que não é bem esta a sua intenção.

O Preço da Coragem representa um grande avanço na obra de Winterbottom. Nele, o diretor perde bastante de sua pretensão, que estragava as obras anteriores. O estranho neste cineasta da dupla personalidade é que ele faz isto justamente quando sai de seu cinema alternativo rumo a uma cinematografia mais próxima da hollywoodiana. Difícil agora é tentar imaginar o que pode vir na carreira do cineasta.

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