O Preço da Coragem

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Existem alguns cineastas que cultivam um estilo. Durante toda a sua carreira, eles fazem questão de filmar toda a sua obra a partir de um fio condutor, por mais tênue que seja, de forma que possa se encontrar uma unidade nela. Existem também aqueles que não se preocupam com isso, e que fazem os mais diversos filmes, sem nenhuma relação entre um e outro. Michael Winterbottom não se encaixa em nenhum desses dois tipos.

O cineasta parece dotado de duas personalidades bem distintas, o que eu nunca consegui entender. Ao mesmo tempo em que faz obras que agrada ao público mais jovem, com o forte apelo musical – A Festa Nunca Termina e Nove Canções -, o diretor também segue um caminho bem diferente ao filmar histórias dos conflitos no Oriente – Caminho Para Guantánamo e Neste Mundo. O novo filme de Winterbottom segue este lado. O Preço da Coragem conta a história do jornalista americano Daniel Pearl, seqüestrado e morto no Paquistão.

Apesar das óbvias diferenças, é possível traçar um paralelo entre este filme e o brasileiro Tropa de Elite. Em ambos os casos, são contadas histórias de pessoas ricas, instruídas, bem informadas, mas que acredita que esta posição fará com que saia superior em um guerra da qual está envolvido apenas indiretamente. É quase possível ouvir, em off, o Capitão Nascimento dizendo que “apenas jornalistas americanos com consciência social não sabe que guerra é guerra”.

O grande problema do filme, porém, é o que muitos consideram seu maior trunfo: Angelina Jolie. A presença da atriz não só causa uma grande irritação no espectador, principalmente por seus gritos histéricos, como dá a entender que esta posição de americano – ou ocidental, já que ela é francesa – acima de qualquer guerra, é a defendida pelo cineasta. Porém, apenas sabendo do que se trata os filmes anteriores dele, já é possível imaginar que não é bem esta a sua intenção.

O Preço da Coragem representa um grande avanço na obra de Winterbottom. Nele, o diretor perde bastante de sua pretensão, que estragava as obras anteriores. O estranho neste cineasta da dupla personalidade é que ele faz isto justamente quando sai de seu cinema alternativo rumo a uma cinematografia mais próxima da hollywoodiana. Difícil agora é tentar imaginar o que pode vir na carreira do cineasta.

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