O Magnata

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Não há nada de mal em alguém decidir ampliar seus horizontes e caminhar por outras trilhas que não sejam as suas originais. Não há problemas, por exemplo, em um músico se aventurar pelo cinema, seja como ator, como faz gente como os Paulos Miklos e Moska, ou como diretor ou roteirista. Neste sentido, há o quase despretensioso Caetano Veloso com seu Cinema Falado, de 1986, ou mesmo, mais recentemente, Toni Belloto com Bellini e a Esfinge e Bellini e o Demônio.

Porém, há que se ter um certo bom senso ao fazer isto. E foi exatamente bom senso que o vocalista do Charlie Brown Jr. não teve ao escrever o roteiro de O Magnata. Longe de querer podar o vasto talento desta figura controversa que é o Chorão, até pelo resultado ter ficado superior ao esperado – embora inferior ao que poderia ter sido –, mas se houvesse um pouco mais desta nobre qualidade, o filme seria mais palatável.

O argumento é bobo, mas pode render alguma coisa. Um jovem ídolo da música, que vive de forma irresponsável com a herança do pai, resolve cometer um crime, por diversão, e na mesma noite se apaixona, começando uma relação que será ameaçada pelo ato anterior. O universo, a linguagem dos personagens, o pseudo-roteirista conhece bem, o problema é que não conhece desta profissão que ele tenta agora emplacar. E sua arrogância não deixou que conhecesse.

Renomado nesta área, Bráulio Mantovani assessorou Chorão, formatando o roteiro de forma que o diretor e o resto da equipe pudessem entender. Além disso, fez pequenas modificações em cenas e personagens, para livrar um pouco da superficialidade. Um pouco, porque senão tirava a marca do autor. Caso Chorão, ao menos neste primeiro trabalho, tivesse aceitado uma parceria, o resultado poderia ser outro, bem diferente e surpreendente para quem torce o nariz ao músico.

O personagem do roqueiro Marcelo Nova, por exemplo, que representa a consciência do Magnata, é típico de novato. Ele serve somente para explicar o que é facilmente entendido através das imagens, correndo o risco de dar a impressão de que chamam o espectador de idiota. Maria Luiza Mendonça, ao contrário, poderia ter sido muito mais explorada, assim como poderiam muitos outros personagens. A personalidade rasa deles enfraquece muito o filme, de forma que o diretor precisa carregar nos efeitos para não cair em desgraça.

Johnny Araújo, aliás, faz o máximo para salvar O Magnata. O que poderia ser um completo fiasco só não o é pelo empenho do diretor estreante. Vindo de premiados videoclipes, ele soube usar a linguagem de forma a tornar o filme aceitável, fora momentos constrangedores, como em uma animação que surge do nada. Apesar de tudo, é provável que o filme atinja um razoável sucesso, resta saber se o músico irá aprender na hora de realizar seu novo projeto, que ele irá fazer e deve até dirigir.

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