Os Indomáveis

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Enquanto Ethan e Joel Coen criam sua obra-prima – Onde os Fracos Não Têm Vez – que tenta decretar o fim do gênero faroeste no cinema americano, como o fim de uma visão romântica do oeste, e Andrew Dominik tenta transformar este mesmo estilo em algo mais contemplativo e estético, porém vazio de conteúdo – O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford –, James Mangold acreditou que não havia o que mudar, e decidiu criar um faroeste aos moldes dos clássicos de meados do século passado.

Os Indomáveis é uma refilmagem de Galante e Sanguinário, filme de 1957. O filme é a saga de Daniel Evans, um pobre rancheiro que escolhe escoltar um perigoso bandido até uma cidade próxima, para colocá-lo no trem para a prisão de Yuma. Dan é um ex-combatente da Guerra da Secessão, que sobreviveu ao combate entre norte e sul, mas perdeu uma perna e o respeito de seu filho mais velho. Com o desenvolvimento da cidade, uma companhia quer passar o trem pelas terras de Dan, mas ele fará de tudo o que puder para continuar ali.

Não cheguei a conferir o original, assim como não tenho muito conhecimento em faroestes, mas este parece ser um típico filme do gênero, fora a presença de Russel Crowe que não convence muito como alguém fora da época atual. Christian Bale, que havia surpreendido em O Sobrevivente, não tem uma atuação brilhante, mas convence bem como o rancheiro angustiado e sem perspectivas que assume todos os riscos para cuidar de sua família.

Mais do que qualquer coisa, Os Indomáveis fala sobre a honra e a dignidade, ou a falta delas. Desde as primeiras cenas já chega a haver uma cumplicidade entre o vilão Ben Wade e Dan Evans. Mais do que admiração, há respeito estre eles, principalmente por serem ambos dignos e honrados, mesmo que o primeiro seja um fora-da-lei com dezenas de mortes nas costas. Os dois personagens encontram no outro seu oposto, sendo eles a versão do bem e do mal de um mesmo ideal de homem.

O filme não teve a mesma repercussão dos outros dois faroestes modernos. Talvez, principalmente, por não tentar subverter o gênero que há muito já havia ficado relegado às sessões de clássicos das videolocadoras mais abastecidas. Mas é justamente nessa tentativa de seguir os princípios do faroeste que a obra consegue exercer o seu maior fascínio. Em uma época dominada pela descrença refletida por Onde os Fracos Não Têm Vez, e pela extrema superficialidade de O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford, o longa de Mangold acaba deixando ao espectador a sensação de um pequeno fio de esperança.

  1. 2 março, 2008

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