Era Uma Vez…

Mais uma vez, o cinema brasileiro produz um filme que tenta discutir a favela e a violência dentro da cidade do Rio de Janeiro. Mais uma vez, ele tenta usar o abismo social presente na zona sul neste propósito. E, para isso, outra vez a base da história é Romeu e Julieta, de Shakespeare. Mesmo que o novo filme de Breno Silveira convença público e crítica de que é realmente uma obra de qualidade, essa eterna variação sobre o mesmo tema tem muito a prejudicar a carreira do longa.

Era Uma Vez… conta a história de Dé, um morador do morro do Cantagalo que, por trabalhar em um quiosque na praia de Ipanema, acaba se apaixonando por Nina, uma jovem rica, moradora da Avenida Vieira Souto, um dos metros quadrados mais caros do Brasil. Ao contrário do que seria fácil fazer, o filme foge do clichê de colocar a família, seja dela ou dele, contra este relacionamento. Nem o pai de Nina, um empresário sem tantos escrúpulos, interpretado por Paulo César Grande, se torna um grande empecilho para o relacionamento.

Os problema, no caso, são as situações que os personagens precisam passar por conta do trágico destino de Dé e daqueles que vivem nas mesmas condições que ele. Seu irmão, Carlão, mesmo tendo vivido sempre de acordo com a lei, acabou sendo preso por engano, e a culpa ficou sobre Dé, de certa forma responsável. Depois da cadeia, Carlão acaba se tornando bandido, e decide tomar o morro daqueles que mataram o irmão dos dois. A transformação se torna ainda mais intensa através da atuação de Rocco Pitanga.

O roteiro, escrito por Breno em companhia de Paulo Lins, de Cidade de Deus, consegue ir fundo na temática social, de uma forma que poucos fazem, sem sair do foco que é a difícil relação entre os dois protagonistas. Apesar disso, ainda falta um pouco de densidade nos personagens, principalmente em Nina, fora que Carlão pode ser facilmente indicado como o sujeito mais azarado do cinema nacional. Mesmo assim a trama segue de uma forma que segura o espectador, talvez até pelos atores Thiago Martins e Vitória Frate já terem vivido a situação de namorar alguém de outra classe social.

Por melhor que o filme possa ser, Breno Silveira tem dois grandes problemas a enfrentar no lançamento de Era Uma Vez…. O primeiro, convencer o público que ainda vale a pena gastar com o ingresso de mais uma adaptação de Romeu e Julieta nas favelas. O segundo, muito mais difícil, mas talvez até mais prazeroso, vai ser enfrentar o fantasma de ser o detentor da maior bilheteria do novo cinema brasileiro, com Dois Filhos de Francisco. É uma tarefa quase impossível ultrapassar os 5 milhões de espectadores do filme anterior, mas se chegar em 20% disso, já terá sido um grande sucesso.

    • Leandro Assumpção
    • 28 julho, 2008

    Gostei muito do filme, o final poderia ser menos triste.Assistam vale a pena.

    • Dany
    • 30 julho, 2008

    Eu adorei o filme!
    Os atores estão ótimos!
    Pra mim é um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos!

    • Glaucia Guimarães
    • 29 agosto, 2008

    Já assisti aos longas: “Dois filhos de Francisco” e “Era uma vez”. E achei bastante interessante a visão do diretor Breno Silveira ao retratar todas as cenas e situações em ambas produções.
    Gostaria muito de poder entrar em contato com o diretor (nem que fosse por e-mail) para poder conversar com ele sobre alguns temas. Sei que ele já está envolvido em outros projetos e é uma pessoa séria e muito ocupada, mas gostaria muito de poder entrar em contato com ele. Por favor… que alguém me ajude a conseguir fazer esse contato direto. Obrigada!

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: