Sim Senhor

Um discurso político escondido no contexto de uma comédia banal? Um filme (mais um) de auto-ajuda para tentar em vão ensinar a humanidade a ser feliz? Uma reflexão sobre a vida moderna? Apenas puro entretenimento barato e acéfalo? Talvez o novo filme de Jim Carrey, Sim Senhor, seja todas estas coisas juntas, em um liquidificador de boas intenções e com um sentimento de dever cumprido no que resultou de seu objetivo final.

O comediante, que há muito tempo deixou de ser um simples careteiro e provou ser um dos melhores atores de Hollywood da atualidade, faz o papel de Carl Allen, um sujeito que se nega à vida. Seu emprego não lhe dá o que quer, seus amigos já estão se cansando de sua companhia, nenhuma mulher se interessa por ele, muito menos a que ele deseja, nada na sua vida funciona por ele só dizer ‘não’ a todas as propostas que lhe fazem. Até que, após uma quase lavagem cerebral, em uma palestra, ele passa a dizer ‘sim’ para tudo, e isto muda completamente a forma como todos o vêem, ele passa a ser muito mais feliz, com mais amigos, um emprego superior e com uma mulher melhor do que a que ele desejava antes.

Pode parecer muito simples essa espécie de sequência de O Mentiroso, ou talvez só esteja sendo facilitado para que o público médio de Hollywood (seria uma espécie de Homer também?) possa aproveitar, mesmo que queira apenas ver mais um filme de Jim Carrey. Mas Sim Senhor também trata de muitas outras coisas além do que aparenta, como é comum nos filmes do ator. Mas, para começar, é melhor desfazer um equívoco do título brasileiro, que deveria ser algo semelhante a Senhor Sim, para fazer mais sentido. Enquanto Sim Senhor é um título que rememora à submissão, o que ele deveria era passar a idéia de alguém que, simplesmente, só diz sim.

Avisado o engano, é bom também lembrar sobre como as pessoas hoje lidam com este tipo de situação. Há um medo generalizado, dentro desta modernidade liquida, de aceitar o que aparece, sendo muito mais fácil ficar no ‘não’, ou no ‘talvez’. Desta reação deriva grande parte dos problemas de relacionamento, inclusive em âmbitos políticos. O filme chega a fazer uma piadinha a respeito disso, quando Carl Allen é preso por sua atitude suspeita. Veja bem, hoje, nos EUA, é ainda mais difícil dizer ‘sim’ para todas as oportunidades que surgem.

Resumindo, o filme é um grande tratado filosófico ou psicológico? Claro que não, ele está realmente muito mais próximo de uma comédia banal do que disso. Mas, assim como grande parte de suas comédias, o caráter dramático de mais este filme de Jim Carrey não é algo a ser descartado apesar de suas máscaras de futilidade. Há muito a se considerar sobre sua obra, e Sim Senhor não foge a isto. Mesmo assistida de forma despretensiosa, a comédia tem muito a deixar para o espectador.

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