O Menino da Porteira

Em 2005, muitos torceram o nariz para Dois Filhos de Francisco por ser a cinebiografia da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano. Lançado o filme, o público foi avassalador, fazendo com que grande parte dos chamados formadores de opinião repensassem sua conduta e fossem ao cinema conferir. A maioria acabou confessando a qualidade da obra, que é hoje uma das mais importantes do cinema nacional atual. Em 2009, o caso parece se repetir, tomadas as devidas proporções, com O Menino da Porteira, de Jeremias Moreira.

Ao contrário do que muitos imaginam, não se trata de uma cinebiografia do cantor Daniel, seguindo os passos do filme anterior. Apenas é mais um filme sertanejo que surge, timidamente, tentando conquistar espaço em um país que teima em não se assumir como de maioria sertaneja. Jeremias não é um oportunista, tentando ganhar com o sucesso do colega Breno Silveira. Em 1977, o diretor já havia dirigido um filme de mesmo nome. Daquela vez, o protagonista também era músico e gravou a canção-tema. Agora, Sérgio Reis é substituído por Daniel no papel do peão Diogo.

O boiadeiro acaba de chegar em um vilarejo com o gado do Major Batista, o grande fazendeiro da região. Lá, ele conhece o pequeno Rodrigo, que deseja ser peão como ele, e sempre está disposto a abrir a porteira para o gado passar. Assim como é apresentado ao pai do menino, Otacílio, inimigo político de Batista e líder de um grupo de sitiantes que querem promover a justiça social naquela região. Diogo não toma partido de ninguém, quer apenas ser um homem livre, independente. A forma como os fatos se sucedem, fazem com que tenha que se colocar, mudando a sorte de toda a cidade.

Em outros tempos, o sucesso da primeira versão foi grade, levando mais de 4 milhões de pessoas aos cinemas. Hoje, o público do filme nacional é bem mais modesto. Lançado em um fim de semana que concorre com um filme de super-heróis (Watchmen) e o grande ganhador do Oscar (Quem Quer Ser um Milionário?), O Menino da Porteira pode ser ainda mais prejudicado. Porém, o espectador de um filme como estes tende a ser justamente aquele que não costuma ir ao cinema. São as pessoas do interior, que querem se ver, em vez de só ver o eixo Rio-São Paulo ou enlatados americanos.

E não é apenas a presença de Daniel que pode chamar este público. Talvez por ter mais de 30 anos, o roteiro tem muitas qualidades. Sem deixar de ser popular e sem ser panfletário, ele passa por diversas questões políticas e sociais, que são bem amarradas com a narrativa. Inspirado na música de Teddy Vieira e Luizinho, o longa abusa de elementos típicos das histórias caipiras, com alguns personagens bastante caricatos, dando leveza à história. Mesmo que Daniel não seja um primor da atuação, seu personagem se encaixa aos seus limites, dando a impressão de que a falta de naturalidade seja problema de Diogo, não dele. Com uma história de amor para completar, O Menino da Porteira tem grandes chances de ajudar a ser este o grande ano do cinema nacional, se passar por cima do preconceito.

O Menino da Porteira (2009, Brasil)
Direção:
Jeremias Moreira
Roteiro: Jeremias Moreira, Carlos Nascimbeni
Elenco: Daniel, José de Abreu, Vanessa Giácomo
90 Minutos

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