Arquivo para setembro \03\UTC 2009

A Órfã

Há diferentes formas de um filme se tornar polêmico. Dentre as mais clássicas, há duas divisões bem claras para aqueles mais acostumados em assistir todo tipo de gênero. Há as obras que defendem uma causa que ainda é considerada tabu na sociedade. Ao fazer isto, acaba atraindo acaloradas discussões e a atenção da mídia. E existem, também, aqueles filmes que preferem o caminho inverso. Com a intenção de conquistar grandes bilheterias, fazer fama rápida e ter a atenção da mídia, escolhem temas polêmicos. Este parece ser o caso de A Órfã, do diretor espanhol Jaume Collet-Serra, de Casa de Cera.

No enredo, o jovem casal Kate e John acaba de sofrer uma grande perda quando ela aborta. Apesar de já terem dois filhos, os dois acreditam que aquele amor que dariam ao terceiro pode ser usado para alguma outra criança, assim decidem adotar. A escolhida é Esther, uma talentosa menina de nove anos, que aos poucos demonstra não ser exatamente quem todos imaginam. Dissimulada e maquiavélica, a garota consegue manipular todos à sua volta, jogando um contra o outro, sem que ninguém perceba que é ela quem está por trás das brigas. Quando não consegue o que quer, ela também não tem pudores em matar seus adversários.

Assim que o longa foi lançado nos EUA, organizações pró-adoção se manifestara, pedindo o boicote da obra. Todos alegavam que aquele filme apenas desestimularia os futuros pais a adotarem crianças, ainda mais as mais velhas, que tem mais dificuldade em conseguir uma família. Como toda manifestação contrária, esta apenas serviu para que o filme se tornasse manchete em todo o mundo, conquistando uma publicidade gratuita enorme, que terá como resultado exatamente o oposto do que as organizações desejam. A obra será ainda mais vista.

Assim como tantos outros casos parecidos, um filme que não tinha nenhum potencial passa a ser um grande produto por conta de manifestações contrárias. Não há muito o que se salve em A Órfã. Como filme de terror, é um desastre. A maior parte dos sustos que a plateia possa tomar, provém apenas de pegadinhas ao espectador, seja com músicas tensas, som mais alto do que o normal, ou clichês, como em uma cena logo no início do filme. Kate está sozinha no banheiro, abre uma porta espelhada, quando fecha novamente percebe que tem alguém atrás de si: seu próprio marido.

Até há questões interessantes no roteiro. Durante todo o filme se especula sobre um passado sombrio de Kate. Além disso, a filha do casal, Maxine, é surda e não se deixa claro o porquê. No entanto, não adianta o espectador aguardas explicações, elas não vêem. Talvez por preguiça do roteirista, o filme prefere ficar apenas no superficial, com uma história fraca, de mau gosto e boba. Mas, afinal, para que a preocupação com um bom roteiro, se as organizações pró-adoção já vão dar todo o público que o filme quer ter?

A Órfã (Orphan, 2009, EUA)
Direção:
Jaume Collet-Serra
Roteiro: David Johnson
Elenco: Isabelle Fuhrman, Vera Farmiga, Peter Sarsgaard
123 Minutos

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