É Proibido Fumar

Sete anos depois de Durval Discos, a cineasta paulistana Anna Muylaert volta às telas com seu novo filme, É Proibido Fumar, estrelado por Glória Pires e Paulo Miklos. Com sua narrativa simples, por vezes pueril, e mais uma vez cercada pelo inusitado, a diretora consegue conquistar o público com a história de amor entre dois vizinhos. O filme chega às telas poucos dias após o Festival de Brasília, no qual recebeu um total de oito prêmios, sendo o grande vencedor do ano. O prêmio, no entanto, pode ser preocupante. A obra vale a pena, mas ser escolhida como a melhor do ano representa de duas uma: ou o festival está com problemas, ou a produção audiovisual do país que está.

No longa, Glória Pires vive Baby, uma solitária professora de violão que não tem grandes emoções em sua vida, a não ser brigar com suas irmãs pela herança de uma tia falecida. Romântica e sonhadora, ela percebe a esperança de um novo amor quando o músico Max, interpretado por Miklos, se muda para o apartamento ao lado. A possibilidade vira um tormento quando a alucinada fumante descobre que o novo namorado não suporta cigarro, e pede que ela pare de fumar. Disposta a tudo pelo amor de sua vida, que acaba de conhecer, ela decide parar. Aos poucos, conhecendo mais o vizinho, ela passa a questionar se vale a pena abrir mão de seu companheiro.

Ao contrário do que pode parecer, principalmente depois da lei idealizada pelo governador de São Paulo, José Serra, que proíbe o fumo em locais fechados, o filme não toma partido contra o temido cigarro. Na história, o fato apenas serve como pretexto para a mudança na personalidade de Baby, que se torna muito mais ansiosa e neurótica após a tentativa. Bem amarrada, a história vai acompanhando as alegrias e tristezas enfrentadas pela solitária Baby em busca de um relacionamento estável. Pontuando, a diretora aproveita para colocar diversas aparições especiais, que vai desde sua família, como o ex-sogro, Antonio Abujamra, o ex-marido André Abujamra, e o filho José, até estreantes nas telas, como a cantora Pitty.

No geral, o longa se sai bem, mas deixa a desejar. Quando surgem os letreiros finais, em vez de vir uma sensação de realização – ou de quero mais – o que surge no espectador é um sentimento de que algo ainda está faltando. As emoções em É Proibido Fumar são muitas, mas não chegam a transpassar a tela para atingir o público. O que fica é apenas aquele sentimento bom, de contentamento, mas que passa logo que as luzes acendem. Apesar de muitas semelhanças com Durval Discos, o filme perde por ficar aquém dele, fazendo com que a expectativa atrapalhe ainda mais o resultado final.

Por melhor que seja a trilha sonora, mesmo que Glória Pires e Paulo Miklos tenham se encaixado bem em seus personagens, por mais que as participações especiais deem uma levantada no tom do filme ou que as metáforas deem um encanto especial para a história, apesar de tantas qualidades, nada justifica no filme que ele seja o grande vencedor de um festival nacional tão tradicional, levando sete prêmios. Felizmente o país produz obras bem melhores que esta, e cada vem mais vemos estes filmes chegando nas telas e, aos poucos, conquistando o público. Merecendo ou não seus sete troféus Candango, É Proibido Fumar é mais um que merece a apreciação pública.

É Proibido Fumar (2009, Brasil)
Direção:
Anna Muylaert
Roteiro: Anna Muylaert
Elenco: Glória Pires, Paulo Miklos, Marisa Orth
90 Minutos

  1. Ravi, tá massa esse teu “retorno” ao blog! Eu e a Beta ouvimos o podcast (e gostamos) e esse texto sobre “É proibido fumar” tá ótimo. Abs!

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