Onde Vivem os Monstros

Não apenas de brincadeiras vive uma criança. Os primeiros anos de alguém são os que formam sua personalidade. Assim, qualquer adulto teve em sua tenra idade pensamentos sombrios, assustadores se não estivessem ainda relacionados com um resto de ingenuidade que os pequenos ainda conservam. São esses pensamentos que o diretor Spike Jonze explora em seu novo filme, Onde Vivem os Monstros. Se em 1999 ele surpreendeu ao entrar na mente de um conhecido ator, em Quero Ser John Malkovich, agora ele penetra no imaginário infantil, com o que ele pode ter de bom ou ruim.

Inspirado no livro homônimo de Maurice Sendak, Jonze conta a história de Max, um garoto de oito anos com dificuldades de relacionamento que foge constantemente para um mundo imaginário. Mesmo com a mãe aceitando este seu perfil, sempre tentando incentivá-lo a contar mais uma de suas histórias, ele não consegue se encaixar naquela vida em família. Depois de uma grande discussão com a mãe, que recebia o namorado em casa, Max foge novamente em sua imaginação, desta vez indo parar em uma ilha habitada por monstros que, como ele, não querem respeitar qualquer tipo de regra.

O que parecia ser o lugar ideal para Max, logo traz problemas ao menino. Mesmo ele se tornando o rei do lugar, depois de contar mentiras sobre quem é e sobre sua origem, o garoto percebe que não tem total controle sobre as situações, e que mesmo sem querer pode machucar àqueles que ama. Estas descobertas trazem um novo problema para Max, o fato de que sua mãe estava certa, e de que ele ainda não têm condições de viver longe dela. De uma forma bastante dura, ele nota que não deve ser o rei de sua própria vida, e que regras e responsabilidade não são apenas coisas inventadas pelos adultos para tornar a vida mais chata.

Com uma estética anos 80, que talvez remeta à sua própria infância, Spike entra no universo criado por Max, tornando ainda mais mágica a história para o imaginário infantil. Se para um adulto fica claro que o garoto apenas criou aquele universo, não há qualquer elemento que impeça as crianças de embarcar naquela fantasia. A opção por usar atores fantasiados, não se rendendo totalmente às inovações tecnológicas, certamente ajudou a dar maior realismo e a vida aos personagens. Quando utilizadas, com moderação, estas tecnologias só ajudaram a engrandecer o nível de fantasia da obra.

Escrito em 1963, o livro original não tem mais do que algumas poucas frases ilustradas com desenhos realizados pelo próprio autor. Leitor assíduo da obra quando pequeno, Jonze não teve dificuldade em compreendê-la o suficiente para ampliá-la em um filme de 100 minutos. Em suas mãos, os monstros que sequer falavam ganharam a característica de emoções, em uma metáfora do que estava se passando na mente de Max naquele momento. Com momentos de alegria plena e angustiante tristeza, Spike Jonze demonstra que os monstros vivem em nossas próprias cabeças, mas que, com discernimento, é possível conviver, e bem, com cada um deles.

Onde Vivem os Monstros (Where The Wild Things Are, 2009, EUA)
Direção:
Spike Jonze.
Roteiro: Spike Jonze e Dave Eggers.
Elenco: Max Records, Catherine Keener e Mark Ruffalo.
101 Minutos

  1. 1- sou fã confesso do Ravi.
    2- estou ansioso para assistir Where The Wild Things Are
    3- abraço, jovem!

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