Arquivo para setembro \24\UTC 2010

Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme (Wall Street: Money Never Sleeps)

Enquanto nos anos 80 para se ganhar dinheiro fácil – e ilegal – no mercado financeiro norte-americano era preciso saber demais, hoje basta ter habilidade de contar boas histórias que se passem por verdades. Ao menos é o que mostra Oliver Stone em Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme, continuação do sucesso de 1987.

No primeiro filme, Wall Street – Poder e Cobiça, Gordon Gekko (Michael Douglas) é o investidor que usa a informação privilegiada para enriquecer. Em muito a sequência pode ser vista como uma homenagem ao primeiro, como quando o corretor Bud Fox (Charlie Sheen) faz uma aparição.

Mas, desta vez, Gekko não está mais por cima. Recém-saído da cadeia, ele parece querer somente recuperar o amor da filha Winnie (Carey Mulligan), que nem era nascida na época de Fox. Para isso, o ex-investidor conta com a ajuda do genro, o corretor de ações Jacob (Shia LaBeouf).

Para conquistar Jacob, Gekko ajuda na luta contra seu ex-sócio, o poderoso investidor Bretton James (Josh Brolin), que espalhou boatos que levaram à destruição a empresa onde o jovem trabalha, resultando no suicídio do mentor do garoto.

Todo o pano de fundo do filme fica em torno das bolhas financeiras, criadas por estas especulações que têm em Bretton seu maior defensor. Oliver Stone tenta deixar claro isso durante toda a projeção, com cenas de crianças brincando de bolhas de sabão à exaustão, dando sensação de menosprezo ao espectador.

O mesmo acontece ao contar a história. Em vez de focar na questão financeira com o drama familiar como pano de fundo, como aconteceu em 1987, é a relação entre Gekko, Winnie e Jacob que dá o tom do longa-metragem, como se entendesse que um filme sem uma história de amor não é mais possível.

Assim como para o investidor, na visão de Oliver Stone para o cineasta também mudou a forma como se obtém sucesso fácil. Se nos anos 80 ele usou a informação – do mercado financeiro, em parte aprendida através de seu pai, corretor da bolsa -, desta vez ele apenas quis contar uma boa história.

Originalmente publicado no Portal Terra.

Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme (Wall Street: Money Never Sleeps, 2010, EUA)
Direção:
Oliver Stone
Roteiro: Allan Loeb e Stephen Schiff
Elenco: Michael Douglas, Shia LaBeouf e Carey Mulligan
133 Minutos

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Resident Evil 4: O Recomeço (Resident Evil: Afterlife)

A presença de uma linda modelo armada e perigosa, matando zumbis e homens poderosos e sem coração não parece ser mais suficiente para arrecadar largas bilheterias. Assim, Resident Evil 4: O Recomeço optou por explorar da melhor forma possível o 3D para buscar seus espectadores.

A bela Milla Jovovich volta pela quarta vez ao papel de Alice, que a acompanha desde 2002. No filme, ela sai em busca da terra prometida, Arcadia, um lugar abastecido de água, comida e proteção, sem a presença dos zumbis que tomaram conta do mundo.

Ao lado da desmemoriada Claire (Ali Larter), Alice percebe que sua missão não será assim tão fácil, já que o local onde pensava ser Arcadia está vazio. Na tentativa de uma resposta, encontra um grupo de sobreviventes refugiados em uma prisão, e juntos eles tentam encontrar este recomeço.

Mais do que um bom roteiro, que o filme não tem, o diretor Paul W. S. Anderson sabe que belas imagens e cenas de ação são ótimos chamarizes para o público. Desta forma, o cineasta abusa destas sequências, no intuito de agradar os jovens aficionados por videogame, de onde vem a história.

O filme começa com uma tomada aérea da cidade de Tóquio, em uma cena capaz de dar vertigem até mesmo nestes amantes de jogos. E durante boa parte dos 97 minutos de ação, cenas do alto estão presentes, além de inúmeras outras em terceira dimensão.

Poucas vezes o cinema usou tanto o 3D como acontece em Resident Evil 4: O Recomeço. A todo momento, mesmo em cenas banais, o recurso está presente, e não é difícil perceber que muitas delas foram escritas e pensadas justamente para usá-lo da melhor forma.

Na ação, Matrix é referência recorrente. Nos momentos mais tensos, sequências intercalam câmera lenta, normal e rápida, com momentos até mesmo em que a cena congela enquanto o espectador passeia pelo cenário.

Em uma sala de cinema em 3D ou ainda IMAX, o filme chama a atenção que não teria em um cinema normal, onde a graça toda deve se perder. Com tantas cenas de ação, recursos bem utilizados e belas imagens, mal dá para notar que Resident Evil 4: O Recomeço não traz qualquer conteúdo.

Originalmente publicado no Portal Terra.

Resident Evil 4: O Recomeço (Resident Evil: Afterlife, 2010, EUA)
Direção:
Paul W. S. Anderson
Roteiro:
Paul W. S. Anderson
Elenco:
Milla Jovovich, Ali Larter, Wentworth Miller
97 Minutos

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