O Garoto de Liverpool (Nowhere Boy)

Quem espera encontrar uma cinebiografia musical em O Garoto de Liverpool pode se decepcionar com o drama familiar do jovem John Lennon (Aaron Johnson), mas o filme de Sam Taylor-Wood traz um retrato sincero do adolescente que sonhava ser um astro do rock. Na obra, em vez do Lennon politizado e centrado, o diretor mostra o jovem que era mais preocupado em curtir a vida do que em ser um profissional como músico.

No longa fica claro o que é perceptível nas gravações antigas dos Beatles mas que se apagou com o tempo. Paul McCartney (Thomas Brodie-Sangster) era o cabeça do quarteto, enquanto Lennon era o coração. Bem antes de encantar o Brasil com seus shows lotados e cheios de energia, o músico rouba a cena já aos 15 anos, com sua determinação em dominar a técnica musical e alcançar o sucesso profissional.

Lennon, no filme, mostra de onde veio o tino para tocar o mundo. Na adolescência, ele mal sabia quem eram seus pais, já que havia sido criado por uma rigorosa tia (Kristin Scott Thomas), que não queria que o garoto fosse mal influenciado pela verdadeira mãe (Anne-Marie Duff). A influência, no entanto, veio assim mesmo. Enquanto Mimi, a tia, ensinava disciplina e música clássica, Júlia, a mãe, mostrava às escondidas sua rebeldia e apresentava ao jovem o que era o rock’n’roll.

Taylor-Wood começa O Garoto de Liverpool brincando com cenas de A Hard Day’s Night, em uma das poucas ousadias estéticas do filme. Tanto na obra de 1964, quanto aqui, John Lennon aparece como uma figura carismática, brincalhona, irreverente. Imagem que se apagou com o tempo após seu engajamento social e o fim dos Beatles.

O grupo não chega a aparecer no filme, que termina no momento de sua criação, em 1960. Nas cenas, Lennon ainda tocava no Quarrymen com Paul, um George Harrison (Sam Bell) que mal se destaca, entre outros amigos. Do historicamente desprezado Ringo Starr, nem sinal, já que ele entraria nos Beatles apenas em 1962. Das canções famosas, também poucas aparecem na trilha, que contém mais obras de artistas como Elvis Presley, ídolo do jovem Lennon.

Sem o lado musical que tornou John Lennon mundialmente reconhecido, o filme ainda tem seus méritos quando mostra a relação dele com suas duas mães, e seus primeiros passos na música. O excesso na carga emocional dos dramas familiares é compensado com a sincera relação entre os jovens John e Paul, além das peripécias do adolescente em seu período escolar. A distribuidora brasileira ainda aproveitou o gancho emocional, lançando o longa próximo às datas em que são lembradas as morte de John Lennon (08/12/1980) e de George Harrison (29/11/2001).

O Garoto de Liverpool (Nowhere Boy, 2009, Inglaterra)
Direção:
Sam Taylor-Wood
Roteiro: Matt Greenhalgh
Elenco: Aaron Johnson, Kristin Scott Thomas e Anne-Marie Duff
98 Minutos

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