Arquivo para janeiro \27\UTC 2011

Deixe-me Entrar (Let Me In)

Todo mundo já passou por uma situação parecida. Existe aquela piada que toda vez que a pessoa ouve dá risada, mesmo já conhecendo de cor. Certo dia, em um almoço de família, a tia resolve contar justamente aquela anedota, e por mais que conte palavra por palavra exatamente como se conhece, aquilo parece não ter a mínima graça. É mais ou menos a diferença entre o suspense sueco Deixa Ela Entrar e o terror norte-americano Deixe-Me Entrar, que chega aos cinemas brasileiros. Por mais que sejam muito parecidos nas cenas, o resultado final não tem o mesmo sabor.

Assim como a primeira obra, de 2008, o filme trata de um menino de 12 anos, Owen (Kodi Smit-McPhee), que tem dificuldades de relacionamento. Vítima constante de bullying na escola ele ainda é filho de uma mãe fanática religiosa que acaba de se separar de um pai já bastante ausente. Quando a menina Abby (Chloe Moretz) chega na vizinhança, ele enfim percebe que pode ter uma convivência sadia com outra pessoa. Porém, logo ele nota que ela é mais do que uma garota de sua idade, mas uma vampira, que para sobreviver precisa causar a morte de outras pessoas.

Se no filme original o tema central é a solidão do garoto, e sua transformação pouco a pouco em um sociopata, usando para isso a metáfora do vampirismo, desta vez o foco é bastante diferente. Mesmo conhecido pelos inúmeros assassinos seriais que produz dia a dia, os EUA optou por uma visão bem mais superficial da história, que agora se transforma simplesmente em um terror regado de cenas de sangue, em que a solidão do personagem é apenas um elemento a mais para preencher o tempo de filme.

Nesta nova versão, porém, pouco foi modificado em relação ao original, mas há uma grande diferença no foco. Do começo ao fim, as cenas se repetem com poucas mudanças em seu conteúdo, lembrando o trabalho de Gus Van Sant em Psicose, que é uma cópia fiel, mas muito inferior ao filme de Alfred Hitchcock. A mudança mais significante acontece nas primeiras cenas, que na versão americana demonstra a preferência por filmes policiais no país.

Mesmo que com as mesmas cenas, o resultado é outro, mostrando a diferença que faz o olhar do cineasta em uma produção. Para quem não viu o filme sueco, Deixe-me Entrar é apenas mais um filme de terror, que usa vampiros para tentar ganhar o público jovem. Quem assistiu ao original deve sentir falta da empatia causada pelo casal de protagonistas já no início da trama e, provavelmente, terá vontade de rever o primeiro filme para apagar a má impressão deixada por essa refilmagem.

Deixe-me Entrar (Let Me In, 2010, EUA)
Direção:
Matt Reeves
Roteiro: Matt Reeves e John Ajvide Lindqvist
Elenco: Kodi Smit-McPhee, Chloe Moretz e Richard Jenkins
116 Minutos

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Amor e Outras Drogas (Love and Other Drugs)

Se em Diamante de Sangue o diretor Edward Zwick denunciou as mazelas causadas pelo irresponsável consumismo da preciosa pedra e pela ganância de grandes empresários, não é em uma comédia romântica que o cineasta vai deixar de fazer sua crítica social. Amor e Outras Drogas também fala deste consumismo e desta ganância, mas desta vez é a indústria farmacêutica que está na mira de Zwick. Com uma visão bem mais leve, o filme também ataca de forma quase tão enfática quanto o anterior.

Apesar de ser de uma família toda ligada à saúde, Jamie Randall (Jake Gyllenhaal) consegue mais sucesso como vendedor. Seu charme e carisma faz com que ele conquiste facilmente seus clientes, o que pode trazer coisas boas e ruins. Demitido de uma loja após se envolver com a pessoa errada, ele decide se voltar à área de atuação da família e passa a ser representante comercial da Pfizer, tendo como missão convencer os médicos a receitar medicamentos da empresa aos seus pacientes.

Ainda engatinhando na carreira, mas com um futuro promissor pela frente, ele é surpreendido por dois fatos que mudam radicalmente sua vida. Primeiro conhece a bela Maggie Murdock (Anne Hathaway), que conquista e logo se apaixona, já que foi a única que não quis uma relação mais séria. Além disso, a empresa em que trabalha lança um novo e revolucionário produto, o Viagra. Conquistador, Jamie não encontra dificuldades em fazer a propaganda deste novo remédio entre os médicos que conhece. Enquanto isso, ele trava uma difícil relação com Maggie, vítima de uma doença degenerativa.

Mesmo que o casal de protagonistas tenha uma boa química nas telas, o excesso de assuntos que o filme trata deixa a trama sobrecarregada. Não se sabe se o verdadeiro intuito da produção é ser uma comédia romântica carregada da carga dramática ou um filme-denúncia contra a agressiva e irresponsável abordagem da indústria farmacêutica. São quase dois filmes distintos que Zwick apresenta aos seus espectadores, que escolhem dar o foco à história que melhor lhe convêm.

Se as vidas de Maggier e Jamie são ligadas pelos medicamentos, não há uma relação clara entre o uso dos remédios por ela e a forma como os representantes e médicos negociam a saúde de seus pacientes. São tramas distintas, apenas com o mesmo tema em comum. Somente em um momento, durante uma convenção de médicos, a moça toma um outro rumo descobrindo formas alternativas de lidar com seu problema. Porém, além de não se aprofundar no tema, o diretor apresenta então uma visão bastante pessimista para a personagem.

Edward Zwick parece não saber como criar uma comédia romântica sem deixar de lado a sua marca de denuncismo. Se o filme tem seus bons momentos, peca em muitos outros pela trama truncada, que parece não levar a obra a lugar nenhum. Fica mesmo a sensação durante todo o decorrer da fita de que se fosse uma comédia romântica e um filme denúncia, ambos seriam muito melhor sucedidos do que sendo apenas um trabalho, que empaca nos momentos de amor e se mostra bastante superficial em seu trato com o mercado das outras drogas.

Amor e Outras Drogas (Love and Other Drugs, 2010, EUA)
Direção:
Edward Zwick
Roteiro: Edward Zwick e Charles Randolph
Elenco: Jake Gyllenhaal, Anne Hathaway e Josh Gad
112 Minutos

Inverno da Alma (Winter’s Bone)

Poucas vezes se sente que um título de um filme é tão condizente com a obra, mesmo dizendo tão pouco sobre seu conteúdo, como acontece em Inverno da Alma, filme de Debra Granik que desponta como o independente do ano para estrelar dentre os indicados a melhor filme nos principais prêmios do ano. Não apenas a história da jovem Ree (Jennifer Lawrence) se passa em uma cidade tomada pela neve em uma região montanhosa dos EUA, mas o gelo está em todas as relações humanas que a personagem vive em toda essa história.

De uma família pobre, Ree com apenas 17 anos tem a dura missão de cuidar de sua mãe doente e de seus dois irmãos, ainda crianças. O pai, um dos melhores no refino de cocaína da região, não foi bom o bastante para fugir da polícia e acabou preso. Liberado após um acordo, ele terá que se apresentar para depor contra os seus antigos parceiros dentro de poucos dias. Caso contrário, a família perde a casa onde vive, que foi dada como garantia da fiança.

A partir do momento em que ninguém sabe do paradeiro dele, Ree é a única que pode fazer algo para tentar evitar que sua família perca o lugar onde vive. Com problemas financeiros, a sua única chance é seguir os passos de seu pai para tentar encontrá-lo, ou descobrir porque ele não voltou para casa. Assim, ela enfrenta os perigosos bandidos do tráfico de drogas da região com o único intuito de seguir cuidando de sua mãe e dos irmãos.

O frio domina o cenário e a fotografia de Inverno da Alma, mas são nas relações humanas que ele se mostra mais intenso. Nada é fácil para Ree, mesmo seu tio Teardrop (John Hawkes), o único da família que poderia ajudar na busca por ser um antigo parceiro de seu pai, parece fazer de tudo para evitar que ela consiga algum sucesso. A todo momento tem alguém para dizer a ela que pare com sua busca e chega a irritar o fato de que são poucas as vezes que a garota explica o porquê de sua insistência.

Todo tipo de contato que a jovem procura é frio, difícil, seco. A mãe sequer fala, tudo à volta parece áspero e, mesmo os irmãos, que poderiam dar alguma vivacidade por serem crianças, são vistos pela câmera a uma distância segura, que não deixe que todo esse frio se dissipe. O inverno chega a ser tão intenso que tudo parece ser muito distante do espectador, principalmente do quente brasileiro. É como se nada acontecesse durante todo o tempo em que o filme se passa.

Inverno da Alma (Winter’s Bone, 2010, EUA)
Direção:
Debra Granik
Roteiro: Debra Granik e Anne Rosellini
Elenco: Jennifer Lawrence, John Hawkes e Garret Dillahunt
100 Minutos

Lixo Extraordinário (Waste Land)

Há duas maneiras simples de um documentário chamar a atenção do público e ser considerado um bom filme. A primeira é optar por uma narrativa diferente, como bem fizeram Chaim Litewski, com Cidadão Boilesen, ou Pedro César, em Fábio Fabuloso. Outra é saber escolher bem os seus personagens. Foi desta segunda forma, involuntariamente, que Lixo Extraordinário, da britânica Lucy Walker e dos brasileiros João Jardim e Karen Harley, conquistou espaço e está cotado inclusive para representar o Brasil no Oscar, como melhor documentário.

A opção original da equipe era ter como personagem o artista plástico Vik Muniz, mas quem roubou a cena foram os catadores de lixo no maior aterro sanitário da América Latina, no Jardim Gramacho, região metropolitana do Rio de Janeiro. Vik, conhecido por fazer trabalhos a partir de materiais considerados lixo, como geleia e manteiga de amendoim, foi acompanhado pelas câmeras em seu projeto de transformar o que encontrasse no aterro em arte. Uma das obras ainda seria leiloada com a renda revertida para a associação de catadores da região.

Logo quando decide ir para o Jardim Gramacho, Vik mostra um preconceito a respeito do que vai encontrar. Com a certeza de que conhecerá o mais baixo nível da sociedade, e que poderá ser acometido por doenças, o artista é surpreendido no melhor sentido quando chega no aterro. Não existem os viciados ou criminosos, como muitos imaginam, apenas pessoas que por algum motivo não teve uma chance melhor de sobreviver com um trabalho digno, seja por algum drama pessoal ou porque não conhecem uma outra realidade.

A riqueza dos personagens escolhidos por Vik para estrelar suas obras é o que diferencia Lixo Extraordinário de um documentário comum. Tião, presidente da associação dos catadores, trabalha desde criança no local. Mesmo assim, leu e discute sobre importantes obras de Maquiavel, Nietzsche, entre outros, tudo encontrado no lixo. Isis, outra catadora, escolheu a profissão depois de um momento de depressão, após ver o filho morrer. Eles, entre outros colegas, além de estrelar o ensaio fotográfico, também ajudam a construir as obras de Muniz, a partir daquele lixo, conhecendo assim um novo universo.

É emocionante presenciar a reconstrução da auto-estima dos catadores, ao mesmo tempo em que Vik Muniz vai percebendo as diferenças e semelhanças com seus modelos. O artista, que no começo do filme afirma com orgulho a sua origem em um bairro bastante pobre de São Paulo, revê seus conceitos ao conhecer o modo de vida daqueles catadores. Em um ponto já no final do documentário, ele já diz que nasceu em um bairro de classe média baixa. Ao mesmo tempo, os catadores percebem que existem mais possibilidades e procuram formas de sair daquele lugar, de ter outra vida, sem vergonha de ser quem é.

Se Vik Muniz leva o público curioso para o cinema, na expectativa de conhecer um pouco mais sobre o badalado artista, são os catadores que arrebatam os espectadores. Em uma exibição de pré-estreia na Avenida Paulista, em São Paulo, um fato inusitado após o filme. Poucos foram aqueles que saíram da sala e o cinema lotado acompanhou um debate com o catador Tião, que era aplaudido intensamente. Se em um evento assim, são poucos os que ficam para o debate, desta vez o público quis saber mais sobre aquelas pessoas incríveis, que geralmente são deixadas de lado pela sociedade.

Lixo Extraordinário (Waste Land, 2010, Inglaterra/Brasil)
Direção:
Lucy Walker, Karen Harley e João Jardim
90 Minutos

Biutiful

Se em Babel, o diretor Alejandro González Iñarritu precisou viajar por diversos países para mostrar a diversidade e o mundo cão, em Biutiful ele não precisa sair de Barcelona, na Espanha. Sem o seu parceiro dos sucessos anteriores, o roteirista Guillermo Arriaga, o cineasta também deixa de lado uma de suas marcas registradas, as tramas paralelas, e constrói um roteiro coeso e emocionante em torno de Uxbal, personagem vivido brilhantemente por Javier Bardem.

Com a sensibilidade de falar com os mortos – que coloca o filme na lista das tantas obras espíritas que estão aparecendo no último ano no Brasil e no mundo, como a última obra de Clint Eastwood, Além da Vida – Uxbal respeita a vida e a morte por saber o que se passa do outro lado. Mesmo assim, vive à margem da sociedade, ajudando imigrantes asiáticos e africanos a conseguirem trabalhar ilegalmente naquele país. A responsabilidade de ter tantas vidas – e mortes – em suas mãos, no entanto, não lhe confere uma existência confortável.

Pai de Ana (Hanaa Bouchaib) e Mateo (Guillermo Estrella), Uxbal precisa cuidar sozinho das crianças, já que Marambra (Maricel Álvarez), mãe deles, é viciada em drogas e sofre de transtorno bipolar. A ligação e a preocupação com os filhos é ainda maior porque ele nunca chegou a conhecer seu próprio pai, morto antes de seu nascimento, e sequer se lembra do rosto de sua mãe, que morreu quando ele tinha a idade de Ana, a filha mais velha.

Vida e morte sempre rodeiam o personagem, seja nas poucas vezes em que se comunica com aqueles que já se foram, através de sessões mediúnicas em velórios, para garantir alguns trocados a mais, seja em suas relações pessoais com os que ainda estão aqui na Terra. Durante quase duas horas e meia de filme, o espectador é convidado a partilhar dos dramas e sentimentos do personagem que erra quase sempre, mas que mostra em seus atos ser dotado de um bom coração e ótimas intenções.

Mais do que o roteiro esplêndido e as opções acertadas na direção de Iñarritu, as atuações também são um ponto forte de Biutiful, principalmente a de Javier Bardem, que mais uma vez mostra nas telas que é um dos maiores atores hoje no mundo. Uma cena decisiva, quando é confrontado pela filha de 10 anos, no banheiro, para que revele seu grande segredo que esconde de todos, já mostra a força da atuação da Bardem, que levou o prêmio de melhor ator em Cannes, e coloca o filme dentre os melhores realizados no último ano.

Se Iñarritu ganhou fama e respeito com a parceria de Arriaga mostrando com suas tramas paralelas a diversidade do mundo pós-moderno. O diretor cresce neste trabalho ao deixar de lado esta opção e se concentrar em apenas um drama único. Apesar de focar sua história em Uxbal, um personagem grande e forte, o cineasta consegue realizar seu desejo de apresentar um mundo inteiro mais do que em suas obras anteriores. Quando todo um mundo se concentra nas costas de uma só pessoa, a Babel em que vivemos se mostra muito mais clara.

Biutiful (2010, México/Espanha)
Direção:
Alejandro González Iñárritu
Roteiro: Alejandro González Iñárritu e Armando Bo
Elenco: Javier Bardem, Maricel Álvarez e Hanaa Bouchaib
147 Minutos

Além da Vida (Hereafter)

Depois de sete filmes de sucesso em sete anos, Clint Eastwood marcou definitivamente o seu nome no rol dos maiores diretores norte-americanos atuais. Desde 2003, quando Sobre Meninos e Lobos foi indicado seis vezes ao Oscar, inclusive nas categorias melhor filme, direção e roteiro, que ele é observado com mais cuidado, sem causar decepções. Apenas uma crítica sempre vinha aos seus filmes, o fato de eles serem considerados caretas, tanto do ponto de vista dramático quanto técnico. Isto pode ter ficado de lado com sua nova obra, Além da Vida.

Novamente com Matt Damon à frente de seu elenco, Clint traz uma história que ousa por entrar em um tema polêmico, a vida após a morte. O cineasta decidiu ser mais ousado também na forma de conduzir a história, filmando através de tramas paralelas. Tanto uma opção quanto a outra, no entanto, fazem deste novo trabalho de Eastwood o mais fraco dentre os últimos. Se o tema deixa o filme carregado, em um melodrama excessivo, a forma de filmar cansa, por ser uma técnica que, apesar de nova, já está bastante desgastada.

Damon faz o papel de George, um médium norte-americano que está cansado de ver sua vida girar em torno da morte. Disposto a nunca mais tentar contato com o outro mundo, ele tenta construir uma vida normal, mas é sempre lembrado deste dom, que ele considera uma maldição. Outros dois personagens também passam a ver suas vidas sendo drasticamente modificadas pela presença da morte, Marie (Cécile De France), na França, e Marcus (George e Frankie McLaren), na Inglaterra.

Durante suas férias, na Tailândia, a apresentadora de televisão Marie quase morre no Tsunami que abalou o país, em 2004. Pega de surpresa pela onda gigante, ela consegue ver como é a vida após a morte, mas é ressuscitada. As imagens não lhe saem da cabeça e ela decide aproveitar sua influência para escrever sobre o assunto. Já em Londres, o pequeno Marcus é surpreendido pela morte acidental de Jason, seu irmão gêmeo, que sempre o protegia e o aconselhava.

Se para Marie, vista como uma intelectual e grande influência na França, tocar no assunto de vida após a morte a faz perder a credibilidade, o mesmo não deve ocorrer com Eastwood. Mesmo que o tema não seja visto com bons olhos por críticos, é um tipo de história que o público gosta de ver. Não a toa, dois dos filmes mais vistos no Brasil em 2010 também entram neste polêmico campo. Ao contrário de obras como Sexto Sentido, Chico Xavier e Nosso Lar incorrem no mesmo erro de Além da Vida, de exagerar no tom melodramático.

Se ousando um pouco mais, Clint Eastwood perde algumas das qualidades que tanto chamaram a atenção em seus últimos filmes, não chega por isso a fazer um filme ruim. Seu novo filme ainda fica acima da média do que tem sido produzido ultimamente, mesmo em alguns momentos emocionando de forma apelativa. Só fica a dúvida se o diretor deve seguir ousando em seus próximos trabalhos, correndo o risco de errar a mão novamente, ou vai optar pelo caminho que vem traçando nos últimos anos e se estabelecer como um careta que faz ótimos filmes.

Além da Vida (Hereafter, 2010, EUA)
Direção:
Clint Eastwood
Roteiro: Peter Morgan
Elenco: Matt Damon, Cécile De France e Bryce Dallas Howard
129 Minutos

Incontrolável (Unstoppable)

Já há algum tempo o ator Denzel Washington vem se tornando especialista em salvar vidas, ao menos nos cinemas. São diversos os seus filmes recentes em que ele não se intimida e mostra o seu lado super-herói, evitando a morte de inocentes que não teriam qualquer chance se não fosse a coragem de Washington, ou pelo menos de seu personagem. O lado heroico dele fica ainda mais em evidência quando está sendo dirigido por Tony Scott, de Incontrolável, que chega às telas nessa primeira semana do ano.

Se em O Sequestro do Metrô, do mesmo diretor, Denzel era o controlador de tráfego dos trens, desta vez o cargo ficou com a bela Rosario Dawson, enquanto o ator se transformou em Frank, um maquinista veterano que está executando um trabalho rotineiro ao lado do novato Will (Chris Pine) quando eles percebem que há um trem desgovernado vindo em direção contrária. Mesmo que consigam desviar, a locomotiva carregada de produtos explosivos pode descarrilhar em uma cidade, causando uma grande tragédia.

Mesmo com uma história baseada em fatos reais, não faltam elementos narrativos melodramáticos e uma edição e trilha sonora tensas para que o filme prenda seus espectadores do início ao fim da trama. Enquanto Frank luta pela vida pensando na filha, com quem está brigado por ter esquecido de parabenizá-la por seu aniversário, Will passa por um drama familiar bem maior. Tomado por ciúme ele cometeu um erro e foi condenado com uma ordem de restrição, que o impede de se aproximar de sua mulher ou seu filho.

Mais do que apenas seus dramas particulares, os dois enfrentam também um problema dentro da empresa em que trabalham. Muitos dos amigos de Frank, que estão há anos trabalhando ali, estão perdendo seus empregos para jovens como Will, que sem qualquer experiência aceitam trabalhar por salários muito mais baixos. O clima de tensão entre os dois personagens, no entanto, não chega perto da tensão que os dois enfrentam juntos para tentar parar a locomotiva desgovernada.

Candidato a estar em breve em cartaz na televisão em alguma noite de sábado, o filme não difere em muito de obras que tem o mesmo destino. Mesmo assim, Incontrolável cumpre o que promete, dando uma dose de adrenalina em muitos momentos, além de presentear o espectador com emoções, talvez baratas, mas aquelas que o público que procura este tipo de filme quer sentir. Há inclusive momentos de humor, com cenas que beiram o constrangedor, estreladas pelas filhas do personagem de Denzel.

Mas, independente dos risos que suas filhas possam causar, Denzel Washington está pronto para mais uma vez salvar quem estiver precisando. Se super-heróis são coisas de quadrinhos, o ator que acaba de completar 56 anos mostra através de seus personagens que heróis podem existir também no mundo real. Claro, que se seus atos forem bons o suficiente para se transformar em filme, e o tratamento do roteiro der um ar ainda mais heroico e emocionante para o fato, não há dúvidas de que Denzel estará cotado para viver este simples, mas corajoso homem.

Incontrolável (Unstoppable, 2010, EUA)
Direção:
Tony Scott
Roteiro: Mark Bomback
Elenco: Denzel Washington, Chris Pine e Rosario Dawson
98 Minutos

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