Amor e Outras Drogas (Love and Other Drugs)

Se em Diamante de Sangue o diretor Edward Zwick denunciou as mazelas causadas pelo irresponsável consumismo da preciosa pedra e pela ganância de grandes empresários, não é em uma comédia romântica que o cineasta vai deixar de fazer sua crítica social. Amor e Outras Drogas também fala deste consumismo e desta ganância, mas desta vez é a indústria farmacêutica que está na mira de Zwick. Com uma visão bem mais leve, o filme também ataca de forma quase tão enfática quanto o anterior.

Apesar de ser de uma família toda ligada à saúde, Jamie Randall (Jake Gyllenhaal) consegue mais sucesso como vendedor. Seu charme e carisma faz com que ele conquiste facilmente seus clientes, o que pode trazer coisas boas e ruins. Demitido de uma loja após se envolver com a pessoa errada, ele decide se voltar à área de atuação da família e passa a ser representante comercial da Pfizer, tendo como missão convencer os médicos a receitar medicamentos da empresa aos seus pacientes.

Ainda engatinhando na carreira, mas com um futuro promissor pela frente, ele é surpreendido por dois fatos que mudam radicalmente sua vida. Primeiro conhece a bela Maggie Murdock (Anne Hathaway), que conquista e logo se apaixona, já que foi a única que não quis uma relação mais séria. Além disso, a empresa em que trabalha lança um novo e revolucionário produto, o Viagra. Conquistador, Jamie não encontra dificuldades em fazer a propaganda deste novo remédio entre os médicos que conhece. Enquanto isso, ele trava uma difícil relação com Maggie, vítima de uma doença degenerativa.

Mesmo que o casal de protagonistas tenha uma boa química nas telas, o excesso de assuntos que o filme trata deixa a trama sobrecarregada. Não se sabe se o verdadeiro intuito da produção é ser uma comédia romântica carregada da carga dramática ou um filme-denúncia contra a agressiva e irresponsável abordagem da indústria farmacêutica. São quase dois filmes distintos que Zwick apresenta aos seus espectadores, que escolhem dar o foco à história que melhor lhe convêm.

Se as vidas de Maggier e Jamie são ligadas pelos medicamentos, não há uma relação clara entre o uso dos remédios por ela e a forma como os representantes e médicos negociam a saúde de seus pacientes. São tramas distintas, apenas com o mesmo tema em comum. Somente em um momento, durante uma convenção de médicos, a moça toma um outro rumo descobrindo formas alternativas de lidar com seu problema. Porém, além de não se aprofundar no tema, o diretor apresenta então uma visão bastante pessimista para a personagem.

Edward Zwick parece não saber como criar uma comédia romântica sem deixar de lado a sua marca de denuncismo. Se o filme tem seus bons momentos, peca em muitos outros pela trama truncada, que parece não levar a obra a lugar nenhum. Fica mesmo a sensação durante todo o decorrer da fita de que se fosse uma comédia romântica e um filme denúncia, ambos seriam muito melhor sucedidos do que sendo apenas um trabalho, que empaca nos momentos de amor e se mostra bastante superficial em seu trato com o mercado das outras drogas.

Amor e Outras Drogas (Love and Other Drugs, 2010, EUA)
Direção:
Edward Zwick
Roteiro: Edward Zwick e Charles Randolph
Elenco: Jake Gyllenhaal, Anne Hathaway e Josh Gad
112 Minutos

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