Deixe-me Entrar (Let Me In)

Todo mundo já passou por uma situação parecida. Existe aquela piada que toda vez que a pessoa ouve dá risada, mesmo já conhecendo de cor. Certo dia, em um almoço de família, a tia resolve contar justamente aquela anedota, e por mais que conte palavra por palavra exatamente como se conhece, aquilo parece não ter a mínima graça. É mais ou menos a diferença entre o suspense sueco Deixa Ela Entrar e o terror norte-americano Deixe-Me Entrar, que chega aos cinemas brasileiros. Por mais que sejam muito parecidos nas cenas, o resultado final não tem o mesmo sabor.

Assim como a primeira obra, de 2008, o filme trata de um menino de 12 anos, Owen (Kodi Smit-McPhee), que tem dificuldades de relacionamento. Vítima constante de bullying na escola ele ainda é filho de uma mãe fanática religiosa que acaba de se separar de um pai já bastante ausente. Quando a menina Abby (Chloe Moretz) chega na vizinhança, ele enfim percebe que pode ter uma convivência sadia com outra pessoa. Porém, logo ele nota que ela é mais do que uma garota de sua idade, mas uma vampira, que para sobreviver precisa causar a morte de outras pessoas.

Se no filme original o tema central é a solidão do garoto, e sua transformação pouco a pouco em um sociopata, usando para isso a metáfora do vampirismo, desta vez o foco é bastante diferente. Mesmo conhecido pelos inúmeros assassinos seriais que produz dia a dia, os EUA optou por uma visão bem mais superficial da história, que agora se transforma simplesmente em um terror regado de cenas de sangue, em que a solidão do personagem é apenas um elemento a mais para preencher o tempo de filme.

Nesta nova versão, porém, pouco foi modificado em relação ao original, mas há uma grande diferença no foco. Do começo ao fim, as cenas se repetem com poucas mudanças em seu conteúdo, lembrando o trabalho de Gus Van Sant em Psicose, que é uma cópia fiel, mas muito inferior ao filme de Alfred Hitchcock. A mudança mais significante acontece nas primeiras cenas, que na versão americana demonstra a preferência por filmes policiais no país.

Mesmo que com as mesmas cenas, o resultado é outro, mostrando a diferença que faz o olhar do cineasta em uma produção. Para quem não viu o filme sueco, Deixe-me Entrar é apenas mais um filme de terror, que usa vampiros para tentar ganhar o público jovem. Quem assistiu ao original deve sentir falta da empatia causada pelo casal de protagonistas já no início da trama e, provavelmente, terá vontade de rever o primeiro filme para apagar a má impressão deixada por essa refilmagem.

Deixe-me Entrar (Let Me In, 2010, EUA)
Direção:
Matt Reeves
Roteiro: Matt Reeves e John Ajvide Lindqvist
Elenco: Kodi Smit-McPhee, Chloe Moretz e Richard Jenkins
116 Minutos

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