O Discurso do Rei (The King’s Speech)

O rigor britânico faz parte de todo o filme O Discurso do Rei, de Tom Hooper, que estreia nesta sexta-feira (11) como o grande favorito ao prêmio principal no Oscar 2011. Contando a curiosa história do pai da Rainha Elizabeth II, o longa caminha com maestria do início ao fim sem erros, mas também sem qualquer grande ousadia cinematográfica ou dramatúrgica. A opção que o coloca no primeiro lugar das listas de melhor filme, também faz com que seja facilmente esquecido pelos mesmos que o preferiram.

Desde os primeiros anos de vida, o príncipe Albert Frederick Arthur George (Colin Firth) sofre com o problema de gagueira. Humilhado por Edward (Guy Pearce), seu irmão mais velho, e pelas babás que deles cuidavam, o jovem ainda recebia do pai um duro tratamento. Suas dificuldades nestas relações fizeram com que ele se tornasse cada vez mais inseguro. Com o advento de novas tecnologias, e a necessidade da Família Real britânica ter que se comunicar com o povo através de rádio e auto-falantes, a dificuldade de fala da Albert se tornou um problema ainda maior e mais visível.

Ajudado pela esposa (Helena Bonham Carter), ele vai de médico em médico sem qualquer resultado positivo para se livrar da gagueira, até que eles conhecem o terapeuta da fala Lionel Logue (Geoffrey Rush), acusado de usar métodos nada ortodoxos para tratar de seus pacientes. Logo estes métodos começam a surtir efeito no príncipe, que inicia uma amizade com Logue. Porém, com a morte de seu pai, e a recusa do irmão em ser rei, Albert terá que assumir o trono da Grã-Bretanha, e ainda lidar com um grande desafio, a iminência da Segunda Guerra Mundial.

Ao lado do sempre impecável Geoffrey Rush – que mais uma vez auxilia um monarca inglês com seu personagem – Colin Firth fez uma elogiada atuação. Mas não apenas seu trabalho deve render ao ator seu primeiro Oscar. Se ele não faz uma interpretação tão vibrante quanto a de Javier Bardem, de Biutiful, ou de James Franco, em 127 Horas, tem em contrapartida o fato de quase ter sido premiado em 2010 por O Direito de Amar. Após dar a estatueta para Jeff Bridges, de Coração Louco, a Academia de Hollywood sente a necessidade de premiar Firth neste ano.

Não há pontos fracos em O Discurso do Rei, assim como os seus pontos fortes também não chegam a empolgar, tornando o filme nada mais do que um bom trabalho. Se outros concorrentes ao prêmio mais comentado do mundo do cinema são melhores do que o filme de Hooper, este leva vantagem por não ter estes momentos ruins. É um filme inglês, no que de melhor e pior isto possa significar. É frio, correto, bem desenhado, sem altos e baixos. Se hoje ele é o que tem a maior chance de levar o prêmio principal, amanhã poucos são os que vão comentar sobre sua relevância à sétima arte.

O Discurso do Rei (The King’s Speech, 2010, Inglaterra/EUA)
Direção:
Tom Hooper
Roteiro: David Seidler
Elenco: Colin Firth, Geoffrey Rush e Helena Bonham Carter
118 Minutos

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