O Poder e a Lei (The Lincoln Lawyer)

A princípio, o drama O Poder e a Lei, de Brad Furman parece ser mais um de muitos já realizados sobre advogados de porta de cadeia, que logo terminam encalhados em prateleiras de DVDs. No entanto, o filme estrelado por Matthew McConaughey logo se mostra uma boa surpresa pela condução que o diretor, ainda em seu segundo longa-metragem, dá à trama. O ritmo do filme, inspirado pela ginga do malandro norte-americano, aliado à grande interpretação do ator, acabam fazendo com que uma história que parecia banal tenha o seu valor.

Matthew é o advogado Mick Haller, que usa dos mais diversos métodos para conseguir seus clientes e fazer com que eles consigam a liberdade. Mesmo que pareça um homem descolado, tendo um ex-criminoso como seu motorista particular e falando de igual para igual com uma gangue inteira de motociclistas, Mick tem um grande medo. Ele teme defender um homem inocente e não conseguir provar isso. Para ele, a pior coisa que poderia acontecer seria ser o responsável pela punição de alguém que não merece.

Este medo passa a assombrá-lo ainda mais quando é chamado para defender o riquinho Louis Roulet, interpretado por Ryan Phillippe. Filho de uma corretora de imóveis bem sucedida, o garoto sempre teve tudo o que quis, tanto de bens materiais como de pessoas. Uma noite, quando decide sair com uma garota que conheceu em uma boate, ele é vítima de um golpe e é acusado de tentativa de estupro e assassinato, e tudo o indica como culpado. Mick terá que desvendar a verdade sobre o estranho crime, que vai afetar sua vida mais do que ele poderia supor.

O estilo de Furman neste filme lembra muito o de Nick Cassavetes em Alpha Dog. Apesar de as tramas não terem qualquer relação, são filmes muito próximos que conseguem manter ao mesmo tempo uma estética comercial, digerível ao público em geral, com uma pegada da marginalidade das ruas. Os cortes, as músicas e as atuações principalmente no início do longa jogam o espectador ao clima vivido pelo personagem, entre a sobriedade dos tribunais e o jogo de cintura fora deles.

A falha fica quando a história começa a deslanchar nas telas, que a conduta acaba deixando de lado um pouco desta ousadia e optando por um tom mais convencional. Sem dúvida os primeiros e os últimos minutos são o que de melhor O Poder e a Lei podem oferecer, mas não por isso o resto do filme seja dispensável. O espectador, que já foi fisgado pela introdução, não se incomoda em seguir a trama, que agrada em seus diversos momentos de tensão. Assim, o filme pode não ser nenhuma grande obra, mas é mais interessante do que faz parecer sua sinopse ou o cartaz.

O Poder e a Lei (The Lincoln Lawyer, 2011, EUA)
Direção:
Brad Furman
Roteiro: John Romano e Michael Connelly
Elenco: Matthew McConaughey, Marisa Tomei e Ryan Phillippe
118 Minutos

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