Assalto ao Banco Central

Na busca por um cinema comercial de qualidade, Assalto ao Banco Central faz com que o Brasil dê mais um passo a frente, chegando mais perto de ter o apoio sem preconceitos da plateia do próprio país. Mesmo que o filme tenha claras referências ao cinema hollywoodiano, o diretor Marcos Paulo consegue dar um toque brasileiro à história e, independente da bilheteria, o longa pode sim ser visto como um blockbuster, mesmo tendo alguns pontos negativos em sua trama.

Inspirado em uma história real ocorrida em 2005, no Ceará, o filme mostra um grupo de bandidos que comete um dos maiores roubos a banco do mundo. O líder, Barão (Milhem Cortaz), tem a certeza de que este é o crime perfeito, já que está tudo bem planejado, desde contratar um engenheiro para cavar um túnel até o cofre do Banco Central, até o que fazer lá dentro. Com informantes na instituição, ele sabe exatamente como agir no roubo, que deve acontecer em um sábado para que seja descoberto apenas na segunda-feira, quando eles já estiverem longe.

Para isso, o bando cria uma empresa fictícia, diminuindo as suspeitas pela enorme quantidade de terra tirada do túnel. Mesmo com o plano do chefe, o grupo acaba tendo desentendimentos, principalmente com a presença de Leo (Heitor Martinez), um ex-policial, e de Devanildo (Vinícius de Oliveira), um crente certinho cunhado do Barão, que não sabe do roubo. Enquanto os criminosos levam mais de R$ 160 milhões, os policiais Chico Amorim (Lima Duarte) e Telma (Giulia Gam), tentam desvendar a mente e o paradeiro deles.

Mesmo com um início frio, Assalto ao Banco Central logo cresce e conquista a simpatia do espectador, principalmente quando perde sua linha cronológica. O recurso de edição, que pode deixar parte do público um pouco confusa em muitos momentos, é também o ponto mais forte do filme. Não existe um começo, meio e fim, mas uma série de cenas encadeadas que aproximam a obra de um thriller de ação, algo pouco visto no cinema brasileiro.

Talvez Marcos Paulo tenha conseguido com este filme o que nenhum outro diretor com a mesma origem teve. Apesar de ter um enorme apelo comercial, o longa foge tanto de uma estética de televisão, como de um viés artístico. Não há como não comparar a obra com filmes americanos, mas o humor tipicamente nacional tira esta impressão de uma cópia em pouco tempo, sem que para isso tenha sido necessário o tom de chanchada, ainda muito usado no cinema do Brasil.

Assim, o longa consegue ter uma cara de um verdadeiro blockbuster nacional, gênero tão procurado pelos produtores, mas tão raro de se encontrar a fórmula. Se o roteiro falha e apresenta soluções fáceis em muitos pontos, acaba também não sendo tão difícil relevá-las, pela qualidade de tantos outros momentos. Mesmo que não seja uma obra fundamental dentro do cinema nacional, Assalto ao Banco Central já tem lugar como um indicativo de que o Brasil tem condições de logo concorrer com os filmes de Hollywood, sem muito prejuízo.

Assista ao trailer:

Assalto ao Banco Central (2011, Brasil)
Direção:
Marcos Paulo
Roteiro: Rene Belmonte
Elenco: Milhem Cortaz, Lima Duarte e Giulia Gam
110 Minutos

  1. O duro é ser do Marcos Paulo…

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: