A Serbian Film – Terror sem Limites (Srpski film)

Muito se falou sobre o polêmico A Serbian Film – Terror Sem Limites, mas pouco se reflete à realidade de longa-metragem que pretende ser um retrato metafórico do que é hoje a vida na Sérvia. Ao contrário da maioria dos comentários, não há nenhum recém-nascido sendo estuprado em cena, ainda que existam momentos fortes capaz de causar indigestão em muitos espectadores. Independente disso, não há qualidade no filme que justifique tantos comentários sobre a sua produção, mas nada explica impedir que se possa assistí-lo para chegar a este julgamento.

Considerado o maior ator pornô que a Sérvia já teve, Milos (Srdjan Todorovic) se aposentou para se tornar um simples pai de família. Sem um outro emprego, no entanto, ele percebe que o dinheiro que conseguiu juntar naquela carreira não deve durar muito tempo, e que ele precisa tomar alguma atitude para conseguir manter o nível de vida para ele, a mulher e o filho pequeno. Neste momento, Milos recebe uma proposta irrecusável de Vukmir (Sergej Trifunovic), um misterioso produtor de cinema.

Vukmir apresenta um contrato milionário para o ex-ator pornô para que este protagonize mais uma obra, mais artística e realista do que qualquer outro filme que já participou. Diante do valor que ganhará, que pode lhe dar uma boa vida por longos anos, Milos aceita a proposta. Durante as filmagens, no entanto, quando percebe o teor do filme, ele tenta desistir. Porém, algo acontece e ele acorda apenas três dias depois, sem contato com mais ninguém que conheça. Milos então parte em uma jornada para descobrir mais sobre este filme e saber o que aconteceu neste tempo.

Mesmo como uma metáfora política, A Serbian Film – Terror Sem Limites se mostra raso e ingênuo, tentando a todo momento contextualizar o espectador de uma forma superficial na realidade do país, em vez de apenas deixar isso subentendido. Há em muitos momentos diálogos forçados sobre os motivos que levaram o personagem de Vukmir a escolher a Sérvia como cenário para sua estranha obra-prima. É como se o diretor e roteirista Srdjan Spasojevic estivesse a todo momento gritando para que ninguém esqueça que esta é uma metáfora do país.

Não é difícil notar no filme referências ao sul-coreano OldBoy, vencedor do Grande Prêmio da Crítica de Cannes em 2004. Nos dois filmes temos um anti-herói que busca em sua própria memória o motivo que explique o drama vivido no momento. Em nenhum dos casos, aliás, esta resposta os liberta, apenas aumenta suas angustias. Porém, no filme asiático, o roteiro é muito melhor desenvolvido, sem a necessidade da polêmica pela polêmica. A Serbian Film sequer tenta explicar porque Milos não procura um outro emprego, ou mesmo se nega a aprofundar seus personagens.

Fica óbvio, então, que o filme foi feito com o intuito de chamar a atenção antes mesmo de ser visto, o que conseguiu no mundo todo. Aqui no Brasil, houve um movimento que tentou banir a obra, abrindo espaço para manifestações coléricas contra a censura que podia aparecer ali. Enquanto uns execravam o filme, dando a ele qualidades que não chegam a ter, outros defendiam o direito de expressão, mesmo que o longa pouco tivesse a dizer. Não fossem estas discussões, quase ninguém teria ouvido falar em A Serbian Film. De um modo ou de outro, a figura da Sérvia continua a mesma, já que o vazio da obra sequer consegue representar o país, como tanto bradou o diretor.

Assista ao trailer:

A Serbian Film – Terror sem Limites (Srpski film, 201o, Sérvia)
Direção:
Srdjan Spasojevic
Roteiro: Srdjan Spasojevic
Elenco: Srdjan Todorovic, Sergej Trifunovic e Jelena Gavrilovic
104 Minutos

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