Amanhã Nunca Mais

Em seu primeiro longa-metragem, Amanhã Nunca Mais, Tadeu Jungle já deixou clara a sua opção por fazer uma crítica à sociedade brasileira, principalmente a anestesiada classe média representada na tela. Nenhum problema nesta crítica, o que já começa a desqualificar a obra é a forma como ela é colocada. Se o público não percebê-la no filme, por exemplo, fica sabendo desta intenção até mesmo no material de divulgação, que já mostra a tendência da obra de apresentar algo mastigado, que até por isso fica sem sabor para quem tenta consumir.

Na história, Lázaro Ramos é o anestesista Walter, um homem bom que sofre por não conseguir dizer não a ninguém, mesmo que saiba que terá problemas com isto. Em um dos poucos momentos de lazer em família, durante um fim de semana na praia, ele acaba cedendo ao pedido do chefe e volta para o trabalho em São Paulo, provocando o desgosto da mulher (Fernanda Machado) e da filha. Desconfiado de que pode ser trocado por outro a qualquer momento, Walter tenta agradar a esposa, mas não sabe como pode fazer isto.

No aniversário de sua filha, então, ele tem a ideia de ajudar com a preparação da festa, mesmo estando de serviço. Após convencer a mulher de que é capaz de cumprir a simples missão de levar o bolo é que ele percebe que nada será tão fácil. Trabalhando em um hospital público e morando em uma caótica metrópole, Walter passa por diversos contratempos até conseguir enfim chegar em casa com a encomenda. Como ele tem esta dificuldade em negar qualquer pedido, tudo fica ainda mais difícil.

Mesmo que o roteiro tenha seus méritos, mantendo a história coesa apesar de passar por diversas situações diferentes em pequenos intervalos de tempo, sofre por uma certa fraqueza. A fórmula acaba ficando gasta muito rapidamente, tornando a tarefa da busca do bolo quase que mais maçante para o espectador do que para o próprio Walter. Talvez a obra funcionasse melhor como um curta-metragem, se tornando por vezes bastante arrastada. Mesmo as boas atuações não salvam o público de momentos de tédio diante da tela.

O problema maior da fita, no entanto, é a apresentação. Amanhã Nunca Mais começa mal. Em uma exibição na televisão, provavelmente os primeiros minutos sirvam para procurar algo melhor em outra emissora. No cinema, apenas para pensamentos de arrependimento. Artista multimídia, Tadeu não resistiu à tentação de criar uma espécie de clipe, que no início do longa irrita quem está assistindo, em vez de fidelizar o público. Se tudo melhora depois, infelizmente o espectador já está de má vontade com o restante da obra.

A crítica a um Brasil anestesiado, contada sob a ótica de um anestesista, parece um tanto fraca. As explicações são mais visíveis do que a opinião dentro do filme. Fica assim a impressão de que ou não foi possível passar no longa a mensagem que se desejava ou, pior, acreditou-se que o público não seria capaz de compreendê-la. Em geral, então, Amanhã Nunca Mais acaba sendo um filme de poucos atrativos e fácil de ser esquecido.

Assista ao trailer:

Amanhã Nunca Mais (2011, Brasil)
Direção:
Tadeu Jungle
Roteiro: Marcelo Muller, Mauricio Arruda e Tadeu Jungle
Elenco: Lázaro Ramos, Fernanda Machado e Maria Luísa Mendonça
74 Minutos

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