Drive

Na semana após a premiação do Oscar 2012, o público brasileiro tem a chance de notar uma das grandes injustiças cometidas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA. Do dinamarquês Nicolas Winding Refn, Drive consegue fazer uma mistura ideal entre ação e romance, sabendo acelerar e frear nos momentos certos. No elenco, duas grandes estrelas da nova geração do cinema de Hollywood, a bela Carey Mulligan e Ryan Gosling, em mais um de seus impressionantes papeis.

Ryan vive um misterioso motorista, dublê de filmes de ação em Los Angeles. Além de seu trabalho no cinema, ele também aproveita o seu fascínio pelos carros para ganhar a vida em uma oficina mecânica, e usa as suas habilidades no volante como piloto de fuga de aluguel para os bandidos da região. Com a certeza de que pode fugir de qualquer problema quando está dentro de um veículo, ele consegue lidar bem com seus três ofícios, até que conhece sua nova vizinha, Irene, vivida por Carey.

Casada com um presidiário que está prestes a ser liberado da cadeia, Irene vive sozinha com seu filho e acaba sentindo uma atração por aquele estranho homem que se muda para o apartamento ao lado, e parece estar disposto a ajudar em tudo o que ela precisar. Quando o marido, Standart, sai da prisão, o motorista descobre que ele tem uma grande dívida com alguns bandidos, o que coloca em risco a vida da mulher que aprendeu a gostar. Ele, então, decide se unir a seu adversário para resolver mais este problema.

Conhecido do grande público desde que foi indicado ao Oscar por Half Nelson, Gosling mostra a cada filme sua maestria na arte de interpretar. Em Drive, ele mais uma vez se supera na pele deste homem sensível e ao mesmo tempo bruto. Em uma das cenas principais do filme, o protagonista dá o primeiro beijo na amada Irene para, segundos depois, cometer um frio assassinato. Ambas as ações com a mesma intensidade e emoção, resumindo o que se pode sentir ao assistir à película.

Com claras referências ao cinema independente dos anos 70, Drive traz um herói marginal. Um homem bom, carinhoso, respeitoso, mas sem qualquer pudor em passar por cima da lei. Mais uma vez o uso da violência como expressão máxima do amor, fórmula que já deu bons resultados em muitas obras, como Clube da Luta, se mostra eficaz. É o herói perdido entre o brutal e a modernidade, reprimido, que não sabe se expressar de outra forma se não pela força ou pela velocidade, neste caso.

Talvez seja justamente por este caráter que a atuação de Ryan tenha sido negligenciada pela Academia. Tudo rememora a algo já visto, mesmo que com uma história nova. O personagem desaparece sem dificuldade por mais que emocione. Ao contrário, por exemplo, do George Valentim de Jean Dujardin, em O Artista, que quer sempre aparecer, este de Drive prefere se manter recluso, escondido em um submundo onde ele sabe estar seguro. É só uma pena que o filme tenha sido tão fiel aos seus princípios que também tenha ficado oculto entre tantos lançamentos inferiores.

 

Assista ao trailer:

Drive (2011, EUA)
Direção:
Nicolas Winding Refn
Roteiro: Hossein Amini
Elenco: Ryan Gosling, Carey Mulligan e Albert Brooks
100 Minutos

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