Archive for the ‘ Ação ’ Category

Drive

Na semana após a premiação do Oscar 2012, o público brasileiro tem a chance de notar uma das grandes injustiças cometidas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA. Do dinamarquês Nicolas Winding Refn, Drive consegue fazer uma mistura ideal entre ação e romance, sabendo acelerar e frear nos momentos certos. No elenco, duas grandes estrelas da nova geração do cinema de Hollywood, a bela Carey Mulligan e Ryan Gosling, em mais um de seus impressionantes papeis.

Ryan vive um misterioso motorista, dublê de filmes de ação em Los Angeles. Além de seu trabalho no cinema, ele também aproveita o seu fascínio pelos carros para ganhar a vida em uma oficina mecânica, e usa as suas habilidades no volante como piloto de fuga de aluguel para os bandidos da região. Com a certeza de que pode fugir de qualquer problema quando está dentro de um veículo, ele consegue lidar bem com seus três ofícios, até que conhece sua nova vizinha, Irene, vivida por Carey.

Casada com um presidiário que está prestes a ser liberado da cadeia, Irene vive sozinha com seu filho e acaba sentindo uma atração por aquele estranho homem que se muda para o apartamento ao lado, e parece estar disposto a ajudar em tudo o que ela precisar. Quando o marido, Standart, sai da prisão, o motorista descobre que ele tem uma grande dívida com alguns bandidos, o que coloca em risco a vida da mulher que aprendeu a gostar. Ele, então, decide se unir a seu adversário para resolver mais este problema.

Conhecido do grande público desde que foi indicado ao Oscar por Half Nelson, Gosling mostra a cada filme sua maestria na arte de interpretar. Em Drive, ele mais uma vez se supera na pele deste homem sensível e ao mesmo tempo bruto. Em uma das cenas principais do filme, o protagonista dá o primeiro beijo na amada Irene para, segundos depois, cometer um frio assassinato. Ambas as ações com a mesma intensidade e emoção, resumindo o que se pode sentir ao assistir à película.

Com claras referências ao cinema independente dos anos 70, Drive traz um herói marginal. Um homem bom, carinhoso, respeitoso, mas sem qualquer pudor em passar por cima da lei. Mais uma vez o uso da violência como expressão máxima do amor, fórmula que já deu bons resultados em muitas obras, como Clube da Luta, se mostra eficaz. É o herói perdido entre o brutal e a modernidade, reprimido, que não sabe se expressar de outra forma se não pela força ou pela velocidade, neste caso.

Talvez seja justamente por este caráter que a atuação de Ryan tenha sido negligenciada pela Academia. Tudo rememora a algo já visto, mesmo que com uma história nova. O personagem desaparece sem dificuldade por mais que emocione. Ao contrário, por exemplo, do George Valentim de Jean Dujardin, em O Artista, que quer sempre aparecer, este de Drive prefere se manter recluso, escondido em um submundo onde ele sabe estar seguro. É só uma pena que o filme tenha sido tão fiel aos seus princípios que também tenha ficado oculto entre tantos lançamentos inferiores.

 

Assista ao trailer:

Drive (2011, EUA)
Direção:
Nicolas Winding Refn
Roteiro: Hossein Amini
Elenco: Ryan Gosling, Carey Mulligan e Albert Brooks
100 Minutos

Contra o Tempo (Source Code)

Mesmo se valendo de fórmulas batidas, a ficção científica pode render bons trabalhos como é o caso de Contra o Tempo, filme dirigido pelo pouco conhecido Duncan Jones. Apesar de sofrer com diversos adiamentos em sua data de estreia, o longa que chega às telas nesta sexta-feira (30) tem um fôlego que o diferencia, para melhor, de grande parte da produção hollywoodiana atual, talvez vindo justamente do fato de Duncan, ou do roteirista Ben Ripley, não estarem ainda influenciados pela indústria.

No filme, Jake Gyllenhaal é Colter Stevens, um capitão do exército americano que percebe que algo está estranho em sua vida. Sem saber exatamente o que aconteceu, o oficial acorda em um trem em movimento ao lado de uma mulher que não conhece, e que insiste em chamá-lo de Sean. Stevens não sabe como foi parar neste local, nem mesmo o porquê aquela mulher age como se fosse sua amiga. Poucos minutos depois, porém, uma explosão acontece e todos que estavam naquele trem morrem.

Ao acordar, o capitão descobre que está na verdade dentro de um programa chamado “Código Fonte”, em que ele consegue viver os últimos oito minutos da vida de uma pessoa. Stevens, então, tem que voltar novamente ao trem, na pele de Sean, para tentar descobrir quem foi o responsável pelo atentado, evitando assim um incidente ainda maior do que o do trem. Ao mesmo tempo em que precisa investigar o caso, o oficial também tenta descobrir o que aconteceu em sua vida nos últimos anos, e saber um pouco mais sobre este estranho programa do exército.

Apesar da ideia do filme ser original, não é muito difícil comparar com outras obras, como o clássico Feitiço do Tempo, em que Bill Murray acorda toda manhã no mesmo Dia da Marmota, sabendo exatamente o que vai acontecer, mas sem ter noção de como sair daquela situação. Stevens, aqui, também vive uma espécie de Dia da Marmota eterno, mas em vez de ter que aguentar as 24 horas, ele tem apenas oito estressantes minutos. Porém, tempo o suficiente para se encantar com a beleza de Christina, vivida por Michelle Monaghan.

A diferença de tempo é facilmente explicada por dois fatores. Primeiro, desta vez apesar do interesse amoroso do personagem, não estamos em uma comédia romântica, mas em um filme de ação, que ficaria monótono caso o Capitão Stevens pudesse ter tanto tempo para encontrar o tal terrorista. Além disso, o ritmo de vida dos espectadores de cinema mudou. Se em 1993 a linguagem de videoclipe já fazia parte de outras produções audiovisuais, hoje é raro um trabalho para o grande público que ignore a agilidade dos vídeos musicais.

Fora as semelhanças com o clássico dos anos 90, e os clichês típicos de filmes de ação e ficção científica, Contra o Tempo agrada principalmente por não ter a pretensão de ser um grande filme, apenas um bom entretenimento. Como em um jogo de videogame, em que a morte não é o final, o espectador entra no ritmo do filme e tenta, junto com Stevens descobrir o que está realmente acontecendo, tanto dentro do trem, na busca pelo terrorista, como na vida do capitão fora daquela realidade paralela. Ainda, a química entre Jake e Michelle ajuda a tornar o longa mais agradável, cumprindo o seu papel.

Assista ao trailer:

Contra o Tempo (Source Code, 2011, EUA)
Direção:
Duncan Jones
Roteiro: Ben Ripley
Elenco: Jake Gyllenhaal, Michelle Monaghan e Vera Farmiga
93 Minutos

A Serbian Film – Terror sem Limites (Srpski film)

Muito se falou sobre o polêmico A Serbian Film – Terror Sem Limites, mas pouco se reflete à realidade de longa-metragem que pretende ser um retrato metafórico do que é hoje a vida na Sérvia. Ao contrário da maioria dos comentários, não há nenhum recém-nascido sendo estuprado em cena, ainda que existam momentos fortes capaz de causar indigestão em muitos espectadores. Independente disso, não há qualidade no filme que justifique tantos comentários sobre a sua produção, mas nada explica impedir que se possa assistí-lo para chegar a este julgamento.

Considerado o maior ator pornô que a Sérvia já teve, Milos (Srdjan Todorovic) se aposentou para se tornar um simples pai de família. Sem um outro emprego, no entanto, ele percebe que o dinheiro que conseguiu juntar naquela carreira não deve durar muito tempo, e que ele precisa tomar alguma atitude para conseguir manter o nível de vida para ele, a mulher e o filho pequeno. Neste momento, Milos recebe uma proposta irrecusável de Vukmir (Sergej Trifunovic), um misterioso produtor de cinema.

Vukmir apresenta um contrato milionário para o ex-ator pornô para que este protagonize mais uma obra, mais artística e realista do que qualquer outro filme que já participou. Diante do valor que ganhará, que pode lhe dar uma boa vida por longos anos, Milos aceita a proposta. Durante as filmagens, no entanto, quando percebe o teor do filme, ele tenta desistir. Porém, algo acontece e ele acorda apenas três dias depois, sem contato com mais ninguém que conheça. Milos então parte em uma jornada para descobrir mais sobre este filme e saber o que aconteceu neste tempo.

Mesmo como uma metáfora política, A Serbian Film – Terror Sem Limites se mostra raso e ingênuo, tentando a todo momento contextualizar o espectador de uma forma superficial na realidade do país, em vez de apenas deixar isso subentendido. Há em muitos momentos diálogos forçados sobre os motivos que levaram o personagem de Vukmir a escolher a Sérvia como cenário para sua estranha obra-prima. É como se o diretor e roteirista Srdjan Spasojevic estivesse a todo momento gritando para que ninguém esqueça que esta é uma metáfora do país.

Não é difícil notar no filme referências ao sul-coreano OldBoy, vencedor do Grande Prêmio da Crítica de Cannes em 2004. Nos dois filmes temos um anti-herói que busca em sua própria memória o motivo que explique o drama vivido no momento. Em nenhum dos casos, aliás, esta resposta os liberta, apenas aumenta suas angustias. Porém, no filme asiático, o roteiro é muito melhor desenvolvido, sem a necessidade da polêmica pela polêmica. A Serbian Film sequer tenta explicar porque Milos não procura um outro emprego, ou mesmo se nega a aprofundar seus personagens.

Fica óbvio, então, que o filme foi feito com o intuito de chamar a atenção antes mesmo de ser visto, o que conseguiu no mundo todo. Aqui no Brasil, houve um movimento que tentou banir a obra, abrindo espaço para manifestações coléricas contra a censura que podia aparecer ali. Enquanto uns execravam o filme, dando a ele qualidades que não chegam a ter, outros defendiam o direito de expressão, mesmo que o longa pouco tivesse a dizer. Não fossem estas discussões, quase ninguém teria ouvido falar em A Serbian Film. De um modo ou de outro, a figura da Sérvia continua a mesma, já que o vazio da obra sequer consegue representar o país, como tanto bradou o diretor.

Assista ao trailer:

A Serbian Film – Terror sem Limites (Srpski film, 201o, Sérvia)
Direção:
Srdjan Spasojevic
Roteiro: Srdjan Spasojevic
Elenco: Srdjan Todorovic, Sergej Trifunovic e Jelena Gavrilovic
104 Minutos

Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes)

Se há mais de 40 anos, em 1968, o ator Charlton Heston nos mostrou que no futuro a Terra é dominada por símios inteligentes, enquanto aos humanos resta uma vida pré-histórica, sem sequer o dom da fala, agora James Franco vem nos dizer como foi o início deste trágico destino dos homens. Em Planeta dos Macacos: A Origem, do diretor Rupert Wyatt, são muitas as referências ao antigo filme, de Franklin J. Schaffner. No entanto, não há como traçar uma relação entre os cinco filmes originais e este, já que as contradições são muitas entre as obras.

Aqui, Franco vive o cientista Will Rodman, que faz um imenso esforço para descobrir a cura para o mal de alzheimer, doença que acomete o seu pai, Charles (John Lithgow). Testando os experimentos em macacos em uma grande corporação da indústria farmacêutica, ele logo descobre uma fórmula que não apenas regenera as células cerebrais, como pode despertar uma inteligência incomum em quem é submetido a ela. No entanto, um acidente no laboratório, que resulta na morte da cobaia, faz com que o projeto tenha que ser completamente repensado.

Enquanto tenta descobrir uma fórmula mais eficaz de combater a doença que atormenta seu pai, Will passa a ser babá de um pequeno chimpanzé, Cesar, filho de sua antiga cobaia. Logo o cientista percebe que há algo de especial no filhote, vindo dos genes modificados por seu experimento. Com uma inteligência incomum para macacos, e acima até da de alguns humanos, Cesar cresce aprendendo o modo de vida do homem, seja para o bem ou para o mal. Assim, quando ele é obrigado a conviver com outros de sua espécie, o que aprendeu serve para que se torne um líder e seu rancor contra os humanos é decisivo para o que fará com este poder.

Apesar do nome do filme supor que se trate da origem do Planeta dos Macacos, este filme foge das explicações dadas na série dos anos 70. Se lá Cesar era o filho de animais vindos do futuro, em uma fuga desesperada pelo espaço que desafia a física, desta vez são as experiências genéticas que determinam o início do fim da humanidade. Mesmo o mais recente filme realizado por Tim Burton não pode se encaixar neste, já que nele supõe que se trate de um outro lugar, fora da Terra. Sendo um filme a parte, o longa acaba gerando certa estranheza, ao narrar a origem de algo que não se sabe ao certo ainda o que é.

Não apenas o nome do chimpanzé líder da revolução símia é o mesmo dos filmes originais, mas há diversos momentos em que há referências a eles. Enquanto na obra de 1968, o personagem humano de Charlton Heston era chamado de Olhos Claros, pelos espertos macacos do futuro, aqui é a mãe de Cesar que recebe esse apelido dos cientistas. Mesmo com as homenagens, porém, Wyatt foi além ao propor um motivo especial para o domínio animal. Enquanto na série original os primatas apenas adquirem características humanas, desta vez eles ainda mantém as qualidades dos macacos, o que lhes dá grande vantagem sobre os homens.

Nas cenas em que os animais mostram todo seu potencial está a vantagem sobre os filmes originais. Se o roteiro se apresenta menos complexo do que antes, a tecnologia compensa isso com imagens muito mais realistas. Não vemos desta vez um ator vestido de chimpanzé como fica claro tanto na primeira série quanto no longa de 2001, mas é possível acompanhar um verdadeiro primata atuando ao lado de Franco, Lithgow ou Freida Pinto. Quando inicia a guerra entre as duas raças, esta tecnologia é decisiva para mostrar esta superioridade de Cesar e seus iguais.

Não é de esperar que O Planeta dos Macacos: A Origem fique apenas neste primeiro filme. Se nos anos 70 os produtores já foram bem-sucedidos em explorar a série, o mesmo deve se repetir agora. Mesmo com o original décadas distante, o sucesso de bilheteria desta nova explicação é grande no mercado norte-americano. Resta esperar para saber se, assim como distorceram a forma como ocorreu a dominação, vai haver um novo futuro para este planeta, diferente do encontrado pelo personagem de Heston.

Originalmente publicado no Portal R7.

 

Assista ao trailer:

Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes, 2011, EUA)
Direção:
Rupert Wyatt
Roteiro: Rick Jaffa
Elenco: James Franco, Andy Serkis e Freida Pinto
105 Minutos

Capitão América: O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger)

Desde que Homem de Ferro se tornou um grande sucesso nos cinemas, aumentaram as chances de levar a história de Os Vingadores para as telas. Assim, pouco a pouco a Marvel está apresentando melhor ao público de hoje seus maiores heróis, para enfim chegar ao momento de ter todo o grupo junto em um filme. Com o milionário Tony Stark bem representado por Robert Downey Jr., em um filme que também mostra Nick Fury, vivido por Samuel L. Jackson, e com Wolverine já popularizado pelos X-Men, faltava trazer outros nomes, como acontece em Capitão América – O Primeiro Vingador.

Criado em 1941, quando os Estados Unidos viviam o terror pré-Segunda Guerra, o herói foi um dos que serviram para aumentar o ânimo da população do país. Na história, Steve Rogers é um garoto fraco e desajeitado, que sonha um dia se juntar ao exército para ajudar seu país na guerra contra o nazismo. Sua coragem e insistência faz com que ele seja escolhido como cobaia de um experimento que planeja criar um exército de supersoldados, através de um soro que potencializa os atributos físicos e psicológicos de quem o recebe.

No filme, o escolhido para viver o personagem foi Chris Evans. Já com alguma experiência em salvar o mundo como o Tocha Humana de Quarteto Fantástico, o ator não teve dificuldades para convencer na pele do Capitão América. Apenas nas primeiras cenas é que soa falso ver Evans como um baixinho fracote de apenas 40 quilos, resultado de um trabalho de efeitos especiais que não se mostra assim tão eficaz como os outros do resto da obra. Porém, os momentos cômicos vividos pelo garoto neste momento fazem com que o público até esqueça deste deslize.

Se o filme é apenas uma introdução para que o público fique aguardando a chegada dos Vingadores, que deve ser lançado em 2012, não quer dizer que tudo seja fácil para Steve Rogers. Uma vez dentro do exército, e transformado em super-herói, o jovem precisa enfrentar o egocêntrico nazista Johann Schmidt, vivido por Hugo Weaving. Tendo também recebido o mesmo soro que deu força ao Capitão América, o vilão se torna o poderoso Caveira Vermelha. Ao lado do herói, no entanto, está um grupo de corajosos soldados, a bela oficial Peggy Carter (Hayley Atwell), além do excêntrico Howard Stark (Dominic Cooper).

Se na década de 40 ainda não existia O Homem de Ferro, Robert Downey Jr. dá lugar a Cooper, que vive o pai de Tony Stark, mas com as mesmas características do herói. Milionário, apaixonado por tecnologia e armas, Howard dá bem a noção da origem do personagem que fez tanto sucesso nos dois filmes de Jon Favreau. A diferença entre as obras de Favreau e este, dirigido pelo especialista em efeitos especiais Joe Johnston, porém, é que desta vez não estamos diante de uma história tão completa.

Mesmo que a origem do Capitão América seja contada de forma episódica, com começo, meio e fim, fica claro que não passa de um tira-gosto. Muitos dos personagens não tem uma apresentação mais detalhada, como o melhor amigo de Steve, Bucky Barnes (Sebastian Stan), ou o curioso soldado que ajuda o herói a derrotar seus inimigos, Dum Dum Dugan (Neal McDonough). O que dá a entender que a Marvel prefere deixar várias pontas soltas para a origem de outros filmes além de Os Vingadores.

O final, no entanto, deixa claro que é apenas por causa de Os Vingadores que o filme existe. Se muitos longas de super-herói indicam de forma indireta que virá uma sequência, desta vez as últimas cenas deixam isso mais do que explícito, não apenas com os acontecimentos, mas também com o letreiro dizendo que o herói volta no próximo filme. Então, como um filme único, Capitão América – O Primeiro Vingador não satisfaz, mas como uma apresentação da próxima obra, o longa deixa tanto os fãs, como aqueles que pouco conheciam o personagem, com água na boca para saborear o que ainda está por vir.

Assista ao trailer:

Capitão América: O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger, 2011, EUA)
Direção:
Joe Johnston
Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely
Elenco: Chris Evans, Hugo Weaving e Hayley Atwell
125 Minutos

Assalto ao Banco Central

Na busca por um cinema comercial de qualidade, Assalto ao Banco Central faz com que o Brasil dê mais um passo a frente, chegando mais perto de ter o apoio sem preconceitos da plateia do próprio país. Mesmo que o filme tenha claras referências ao cinema hollywoodiano, o diretor Marcos Paulo consegue dar um toque brasileiro à história e, independente da bilheteria, o longa pode sim ser visto como um blockbuster, mesmo tendo alguns pontos negativos em sua trama.

Inspirado em uma história real ocorrida em 2005, no Ceará, o filme mostra um grupo de bandidos que comete um dos maiores roubos a banco do mundo. O líder, Barão (Milhem Cortaz), tem a certeza de que este é o crime perfeito, já que está tudo bem planejado, desde contratar um engenheiro para cavar um túnel até o cofre do Banco Central, até o que fazer lá dentro. Com informantes na instituição, ele sabe exatamente como agir no roubo, que deve acontecer em um sábado para que seja descoberto apenas na segunda-feira, quando eles já estiverem longe.

Para isso, o bando cria uma empresa fictícia, diminuindo as suspeitas pela enorme quantidade de terra tirada do túnel. Mesmo com o plano do chefe, o grupo acaba tendo desentendimentos, principalmente com a presença de Leo (Heitor Martinez), um ex-policial, e de Devanildo (Vinícius de Oliveira), um crente certinho cunhado do Barão, que não sabe do roubo. Enquanto os criminosos levam mais de R$ 160 milhões, os policiais Chico Amorim (Lima Duarte) e Telma (Giulia Gam), tentam desvendar a mente e o paradeiro deles.

Mesmo com um início frio, Assalto ao Banco Central logo cresce e conquista a simpatia do espectador, principalmente quando perde sua linha cronológica. O recurso de edição, que pode deixar parte do público um pouco confusa em muitos momentos, é também o ponto mais forte do filme. Não existe um começo, meio e fim, mas uma série de cenas encadeadas que aproximam a obra de um thriller de ação, algo pouco visto no cinema brasileiro.

Talvez Marcos Paulo tenha conseguido com este filme o que nenhum outro diretor com a mesma origem teve. Apesar de ter um enorme apelo comercial, o longa foge tanto de uma estética de televisão, como de um viés artístico. Não há como não comparar a obra com filmes americanos, mas o humor tipicamente nacional tira esta impressão de uma cópia em pouco tempo, sem que para isso tenha sido necessário o tom de chanchada, ainda muito usado no cinema do Brasil.

Assim, o longa consegue ter uma cara de um verdadeiro blockbuster nacional, gênero tão procurado pelos produtores, mas tão raro de se encontrar a fórmula. Se o roteiro falha e apresenta soluções fáceis em muitos pontos, acaba também não sendo tão difícil relevá-las, pela qualidade de tantos outros momentos. Mesmo que não seja uma obra fundamental dentro do cinema nacional, Assalto ao Banco Central já tem lugar como um indicativo de que o Brasil tem condições de logo concorrer com os filmes de Hollywood, sem muito prejuízo.

Assista ao trailer:

Assalto ao Banco Central (2011, Brasil)
Direção:
Marcos Paulo
Roteiro: Rene Belmonte
Elenco: Milhem Cortaz, Lima Duarte e Giulia Gam
110 Minutos

Velozes e Furiosos 5 (Fast Five)

Não se pode esperar nada muito complexo da quinta parte de uma franquia de ação, mesmo que esta série continue a dar lucros exorbitantes para seus realizadores. É o caso de Velozes e Furiosos 5, filme de Justin Lin, que chega aos cinemas brasileiros nesta sexta-feira (6). Tendo como cenário o Rio de Janeiro na maior parte de seus 130 minutos, o longa metragem pode gerar bastante decepção nos fãs tupiniquins que desejam ver seu país retratado mais uma vez nas telas pelo olhar hollywoodiano.

Do mesmo modo como grande parte das cenas de ação são irreais fora das telas, assim também é a Cidade Maravilhosa mostrada aqui. Apenas um estrangeiro com pouco conhecimento sobre o Brasil para dar como verossímeis as imagens. O fato de a maior parte do filme ter sido feito na Costa Rica, e não em terras cariocas, não teria sido um problema tão grande se, como na animação Rio, a equipe tivesse um brasileiro legítimo desfazendo algumas ideias distorcidas que se tem do país no resto do mundo ou criando outras tantas. De nativo, talvez o maior posto seja mesmo da protagonista Jordana Brewster, uma quase brasileira que nasceu no Panamá e pouco viveu no país de sua família.

A atriz volta a interpretar Mia Toretto, que desta vez viaja para o Rio de Janeiro com Brian O’Conner (Paul Walker). Os dois vem fugidos após o ex-policial ajudar o irmão da moça, o troglodita Dominic (Vin Diesel), a fugir de uma prisão de segurança máxima nos EUA em uma espetacular cena de ação, que já indica o que traz o longa. No Brasil ainda está o ex-parceiro Vince, que tenta constituir uma família em uma favela carioca. Com uma dica dele, os três decidem entrar em um arriscado roubo de carros que se mostra muito mais complicado do que a princípio pareceu.

Percebendo que algo de errado está acontecendo, os americanos descobrem um esquema de lavagem de dinheiro de Hernan Reyes, homem considerado o dono da cidade. Perseguidos pela polícia e por perigosos capangas, eles armam um plano ainda mais ousado, roubar todo o dinheiro do bandido. Para isso, Dom, Mia e O’Conner vão contar com a ajuda de antigos parceiros e muita adrenalina. Caso a missão se cumpra, eles terão dinheiro o suficiente para nunca mais precisarem pensar em roubar novamente.

Os problemas do enredo já começam a ficar gritantes quando Mia e O’Conner sobem um morro do Rio de Janeiro em um carro com mão inglesa. Este, porém, acaba sendo um detalhe pequeno diante de tantos deslizes ao longo do filme, que chega a ter uma perseguição a um trem em uma paisagem desértica, impossível de ver por aqui. Mesmo os personagens são sofríveis, já que todo brasileiro de Velozes e Furiosos 5 fala um português com sotaque estrangeiro, e o tal Herman Reyes, em vez de ser um malandro político ou policial miliciano carioca, é um empresário de Portugal.

Chega um momento na trama em que o personagem de Diesel diz ao policial Luke Hobbs, de Dwayne Johnson, que seu trabalho não está funcionando porque ele pensa que está nos EUA, mas aqui é o Brasil. Talvez o mesmo poderia ser dito à Justin Lin e os roteiristas Chris Morgan e Gary Scott Thompson. Porém, esta é apenas a quinta parte de uma franquia de ação que ainda rende milhões de dólares, então ninguém está se preocupando muito com isso. Assim, quem não der bola para o roteiro e se esquecer um pouco da vontade de se ver na tela vai curtir a adrenalina das cenas, além de ainda rir com os erros absurdos que o filme comete com o país.

Velozes e Furiosos 5 (Fast Five, 2011, EUA)
Direção:
Justin Lin
Roteiro: Chris Morgan e Gary Scott Thompson
Elenco: Vin Diesel, Paul Walker e Jordana Brewster
130 Minutos

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