Archive for the ‘ Documentário ’ Category

Pina

Por não ter palavras para expressar aquilo que pensou e sentiu, foi com a arte, mais precisamente com a dança, que a coreógrafa alemã Pina Bausch se expressou para milhares de pessoas. Na ausência de palavras de sua homenageada, o também alemão Wim Wenders, um dos maiores nomes do cinema atual, também se apropriou da dança para mostrar a seu público, ainda mais amplo, quem é esta mulher.

A partir de alguns poucos espetáculos de Pina, Wenders coloca na tela a emoção que até então estava restrita aos palcos onde se apresentavam a sua companhia de dança. Com trechos das peças e cenas dos bastidores, o espectador leigo ou mesmo aquele já acostumado com o mundo da dança, penetra neste universo e conhece melhor o que Pina sentiu, o que ela colocou de sua alma naquelas coreografias.

Se foi opção de Pina não usar as palavras, Wenders não precisou ser fiel a isto. Assim, as usa para complementar aquilo que vemos na tela, dando voz àqueles que compartilharam dos últimos anos de vida da coreógrafa morta em 2009, seus bailarinos, da Tanztheater Wuppertal Pina Bausch. E é pelas palavras deles que o público junta as peças e pode entende melhor o que significa cada cena que viu, percebendo logo que não é mesmo necessário palavras quando se quer entrar no coração de alguém.

Para colocar o público mais próximo de Pina, Wim Wenders opta pelo 3D. A tecnologia, que tem nos filmes de ação estadunidenses seu uso à exaustão, ganha neste documentário alemão de arte seu melhor uso. Enquanto Hollywood errou ao trazer cenários e personagens para perto do público, Wenders leva o espectador para dentro de sua obra. Logo que começa Pina, a sala de cinema se transforma em um auditório, com um grande palco onde serão apresentadas as danças coreografadas por Pina. A tela não está mais ali. Público e filme é uma coisa só.

Não foi sozinho que Wenders desenhou a produção do filme, mas com a ajuda da própria Pina, sua amiga desde 1985 quando o diretor assistiu a Café Müller, um de seus espetáculos mais conhecidos. Pouco antes do início das filmagens, no entanto, a coreógrafa faleceu apenas cinco dias após diagnosticar um câncer. Na falta de sua parceira para a obra, Wim Wenders transformou o que seria apenas um simples documentário em uma ode à Pina Bausch.

 

Assista ao trailer:

Pina (2011, Alemanha)
Direção:
Wim Wenders
Roteiro: Wim Wenders
103 Minutos

Lixo Extraordinário (Waste Land)

Há duas maneiras simples de um documentário chamar a atenção do público e ser considerado um bom filme. A primeira é optar por uma narrativa diferente, como bem fizeram Chaim Litewski, com Cidadão Boilesen, ou Pedro César, em Fábio Fabuloso. Outra é saber escolher bem os seus personagens. Foi desta segunda forma, involuntariamente, que Lixo Extraordinário, da britânica Lucy Walker e dos brasileiros João Jardim e Karen Harley, conquistou espaço e está cotado inclusive para representar o Brasil no Oscar, como melhor documentário.

A opção original da equipe era ter como personagem o artista plástico Vik Muniz, mas quem roubou a cena foram os catadores de lixo no maior aterro sanitário da América Latina, no Jardim Gramacho, região metropolitana do Rio de Janeiro. Vik, conhecido por fazer trabalhos a partir de materiais considerados lixo, como geleia e manteiga de amendoim, foi acompanhado pelas câmeras em seu projeto de transformar o que encontrasse no aterro em arte. Uma das obras ainda seria leiloada com a renda revertida para a associação de catadores da região.

Logo quando decide ir para o Jardim Gramacho, Vik mostra um preconceito a respeito do que vai encontrar. Com a certeza de que conhecerá o mais baixo nível da sociedade, e que poderá ser acometido por doenças, o artista é surpreendido no melhor sentido quando chega no aterro. Não existem os viciados ou criminosos, como muitos imaginam, apenas pessoas que por algum motivo não teve uma chance melhor de sobreviver com um trabalho digno, seja por algum drama pessoal ou porque não conhecem uma outra realidade.

A riqueza dos personagens escolhidos por Vik para estrelar suas obras é o que diferencia Lixo Extraordinário de um documentário comum. Tião, presidente da associação dos catadores, trabalha desde criança no local. Mesmo assim, leu e discute sobre importantes obras de Maquiavel, Nietzsche, entre outros, tudo encontrado no lixo. Isis, outra catadora, escolheu a profissão depois de um momento de depressão, após ver o filho morrer. Eles, entre outros colegas, além de estrelar o ensaio fotográfico, também ajudam a construir as obras de Muniz, a partir daquele lixo, conhecendo assim um novo universo.

É emocionante presenciar a reconstrução da auto-estima dos catadores, ao mesmo tempo em que Vik Muniz vai percebendo as diferenças e semelhanças com seus modelos. O artista, que no começo do filme afirma com orgulho a sua origem em um bairro bastante pobre de São Paulo, revê seus conceitos ao conhecer o modo de vida daqueles catadores. Em um ponto já no final do documentário, ele já diz que nasceu em um bairro de classe média baixa. Ao mesmo tempo, os catadores percebem que existem mais possibilidades e procuram formas de sair daquele lugar, de ter outra vida, sem vergonha de ser quem é.

Se Vik Muniz leva o público curioso para o cinema, na expectativa de conhecer um pouco mais sobre o badalado artista, são os catadores que arrebatam os espectadores. Em uma exibição de pré-estreia na Avenida Paulista, em São Paulo, um fato inusitado após o filme. Poucos foram aqueles que saíram da sala e o cinema lotado acompanhou um debate com o catador Tião, que era aplaudido intensamente. Se em um evento assim, são poucos os que ficam para o debate, desta vez o público quis saber mais sobre aquelas pessoas incríveis, que geralmente são deixadas de lado pela sociedade.

Lixo Extraordinário (Waste Land, 2010, Inglaterra/Brasil)
Direção:
Lucy Walker, Karen Harley e João Jardim
90 Minutos

O Homem Que Engarrafava Nuvens

Mesmo mais de 50 anos após o auge de seu sucesso, muitos hoje continuam sabendo quem é o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, lembrado quase como uma figura mitológica com seu traje sertanejo, todo de couro, como um legítimo vaqueiro nordestino. Poucos, porém, são aqueles que ainda se recordam do Doutor do Baião. Maior parceiro de Gonzaga, o advogado Humberto Teixeira foi figura fundamental para que o ritmo se tornasse, na década de 40, sucesso absoluto no Brasil, e conhecido em todo o mundo. Seu prazer, no entanto, era apenas disseminar a cultura nordestina no resto do país, sem preocupação com fama ou qualquer outro tipo de mérito. Apenas hoje, três décadas após sua morte, o compositor tem sua vida exposta no documentário O Homem que Engarrafava Nuvens.

O título, retirado de uma auto-descrição de Teixeira, já revela que a poesia vai permear mais este trabalho de Lírio Ferreira, que já havia filmado Cartola – Música Para os Olhos e Baile Perfumado. A emoção deste novo filme, porém, se faz mais intensa, uma vez que a produção é da atriz Denise Dumont, filha de Humberto. Mesmo tendo vivido com o pai por boa parte de sua vida, Denise alega não o conhecer. Nordestino rígido, Teixeira sempre tratou a filha com frieza e distância, não aceitando sequer sua opção por se tornar atriz. Para conhecer realmente quem foi seu pai, ela recorreu ao cineasta pernambucano, e juntos recolheram depoimentos intensos sobre o compositor, advogado e deputado, que criou obras primas como Asa Branca, Assum Preto, entre outras, totalizando mais de 400 composições.

Como no documentário sobre o sambista carioca, Lírio começa pela morte. O cemitério como cenário, em uma visita de Denise ao pai, como que para avisá-lo que, mesmo contra a sua vontade, chegou a hora dela e do Brasil descobrir quem é ele, destoa do resto do filme. Pouco a pouco, a obra toma força e arrebata o coração da plateia, que não raro interage com as cenas como dificilmente acontece dentro de uma sala de cinema. São cenas de drama, humor, romance, suspense e, claro, muito musical, que desvendam esse grande personagem, mas que também desvendam muito da história de um país.

Consolidando a importância de Teixeira, Lírio e Denise trazem depoentes tão grandes quanto ele. Há Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia de um lado. Otto, Lenine, Lirinha e seu Cordel do Fogo Encantado de outro. Além de toques de Chico Buarque, Fagner, Belchior, Alceu Valença e tantos outros. Não só nos depoimentos, mas também em intervenções musicais. Um dos momentos mais tocantes é quando o mestre Sivuca, morto em 2006, em decorrência de um câncer, faz um dueto com Gal Costa, em uma imagem de êxtase dos dois músicos, que se entregam de corpo e alma para a canção. Não é sem motivos, já que o filme defende, não sem argumentos, que quase toda música criada no país após a década de 40, bebeu na fonte do Baião, principalmente movimentos como a Bossa Nova e a Tropicália. Lirinha ainda vai mais longe, revelando uma teoria de que até mesmo o Reggae foi criado sob influência de um disco da dupla Gonzaga-Teixeira.

Mas O Homem Que Engarrafava Nuvens não foi feito para saudar o grande compositor. Mesmo com diversas imagens que comprovam sua importância, como uma cena de filme italiano com uma apresentação de Baião, um show de uma cantora japonesa com músicas de Teixeira no repertório, ou mesmo o depoimento do americano David Byrne, do Talking Heads. Mesmo com imagens e sons de arquivo de Humberto, Luiz Gonzaga e todo o mundo conquistado pelos dois através da música, o filme é sobre uma filha que deseja encontrar seu pai. Sob as lentes de Walter Carvalho e comando de Lírio Ferreira, esta busca se torna ainda mais poética e sincera, e é quase indiscreta a presença do público quando ela questiona sua mãe sobre sua difícil relação com o ex-marido. Enquanto Denise vai encontrando o que procura, o público vai descobrindo Humberto Teixeira, a ponto de, mesmo sem o conhecer, sentir pelo compositor uma saudade amarga Qui Nem Jiló ao final da projeção.

O Homem Que Engarrafava Nuvens (2009, Brasil)
Direção:
Lírio Ferreira.
100 Minutos

Cidadão Boilesen

Quando foi lançado no Brasil o filme Coco Antes de Chanel, biografia de uma das mais influentes estilistas do mundo, muito se falou sobre a omissão de seu envolvimento com o nazismo. Da mesma forma, se questionou o fato de, após o fim da guerra, alemães, franceses e gente de todo o mundo se tornasse, de repente, opositor ao sistema. Assim como na Europa, no Brasil aconteceu caso parecido. No início da década de 60, muitos empresários e instituições pediam o Golpe de Estado ao governo João Goulart e, mesmo durante a ditadura militar, foram financiadores dos golpistas. Com o retorno da democracia, no entanto, muitos deles comemoraram com o outro lado, sem sujar seus nomes, ou de suas empresas com a ligação anterior.

Mesmo mais de duas décadas após o fim do regime, apenas os militares são responsabilizados por atos contra a liberdade. Um passo para abrir a discussão é o lançamento do documentário de Chaim Litewski, Cidadão Boilesen. O filme conta a controversa ligação entre o dinamarquês Henning Boilesen, presidente da Ultragaz, e os militares da Operação Bandeirante, responsável pelo temido DOI-CODI. Membro ativo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a FIESP, o empresário não apenas financiava a tortura, como convencia outros industriários a fazer o mesmo. Além disso, Boilesen tinha a mórbida mania de estar presente quando revolucionários eram torturados, o que resultou em seu assassinato, em 1971.

Mais do que fazer um filme que demonize o personagem, ou mesmo apenas uma denúncia aos civis que financiaram a Oban, Chaim mergulhou durante dezesseis anos em um minucioso trabalho de pesquisa, que deu voz a todos os lados da história. Tomando o distanciamento necessário da história, o cineasta recolheu depoimentos desde funcionários da escola em que o personagem estudou na Europa ao filho de Boilesen, do coronel Brilhante Ustra, comandante do DOI-CODI, ao líder da ação que resultou na morte do empresário, Carlos Eugênio da Paz, sempre dando espaço para cada lado expor suas verdades, e quase sempre ouvindo o mesmo discurso, de que não foram apenas os militares os responsáveis pelo terror da ditadura, mas muitos civis.

Abusando de recursos audiovisuais, como músicas e filmes que retratam a época, e com a ajuda do produtor e montador Pedro Asbeg, Chaim criou um filme leve, didático e bastante emocionante, com uma edição lúdica e ágil que prende a atenção do espectador do início ao fim. A estrutura narrativa do filme já fascina o espectador. Aliando à riqueza de detalhes conquistada pelos anos de pesquisa, o filme alcança lugar de destaque entre os melhores documentários brasileiros lançados nos últimos anos, o que lhe rendeu, inclusive, o prêmio de melhor filme na edição de 2009 do festival É Tudo Verdade.

Seja pela estrutura, pelo apurado trabalho de pesquisa, ou pela força da história, o filme já merece ser visto. Porém, mais do que uma obra cinematográfica, Cidadão Boilesen é o instrumento para a mudança no pensamento do brasileiro. Em entrevistas, Chaim deixa clara a sua intenção de usar o filme para questionar tantos Boilesens que ainda estão vivos hoje, e que posam de defensores da democracia e da liberdade. Mais do que investigar o lado negro do empresário de origem dinamarquesa, o cineasta quer, com este polêmico filme e com os debates que ele pode suscitar, expor o lado negro da sociedade civil brasileira. Porém, este já não é um trabalho tão simples, já que a mesma elite que lutou às escondidas para apoiar a ditadura, ainda continua na surdina impedindo que este envolvimento venha a tona.

Cidadão Boilesen (2009, Brasil)
Direção:
Chaim Litewski
Roteiro: Chaim Litewski
93 Minutos

Valsa com Bashir

Poucas vezes um filme de guerra consegue ter uma posição que o diferencie dos demais. São raros os casos de longas que consigam sair do lugar-comum, daquela batida narrativa, encadeamento dos fatos, fotografia, entre tantas coisas. Valsa com Bashir o conseguiu de uma forma simples que teve um resultado estonteante, por, primeiro, se colocar como um documentário em primeira pessoa, e, ainda, por ser uma animação. Extremamente psicológico, a opção por não haver sido feito com pessoas de carne e osso, não só é esteticamente belo, como torna possível nas telas toda a viagem do subconsciente do diretor Ari Folman.

Tudo começa quando o cineasta é acordado por um amigo, Boaz Rein, que não consegue dormir por causa de um sonho recorrente há mais de dois anos. O fato nada mais representa para o restante do filme, é apenas o pontapé inicial de uma grande viagem pela mente humana, no caso a mente de Ari Folman. No pesadelo, uma matilha de 26 cães raivosos correm pelas ruas com o objetivo de matar Boaz, e a única coisa que ele sabe é que este sonho remete a um acontecimento do passado comum deles, quando ambos serviram no exército israelense durante a Guerra do Líbano, há mais de 20 anos.

Folman, então, se dá conta de não ter qualquer lembrança daquela época. Naquela noite, porém, ele se lembra de uma cena, em que ele está na praia diante de uma cidade em ruínas. Quando caminha pelas ruas desertas desse local, é surpreendido por dezenas de mulheres gritando em desespero. A imagem faz com que ele passe a investigar, entre amigos e outras pessoas que fizeram parte daquele momento, o que de tão terrível aconteceu ali, que fez com que seu cérebro simplesmente descartasse toda informação sobre aquele período. Ele vai entrevistando várias pessoas, inclusive um analista, para entender melhor sua mente.

Este é um ponto que causa ao mesmo tempo o estranhamento e a curiosidade do espectador. Valsa com Bashir não é um simples filme de guerra, mas um filme sobre as consequências da guerra na cabeça do cineasta. Folman vai aos poucos percebendo o que tentou esconder de si próprio durante toda a vida. Seu povo, sua origem, sua cultura é colocada em cheque por aquele momento marcante que ele, inconscientemente, decidiu esquecer. Ele percebe que de nada adianta eleger um inimigo, considerá-lo um monstro e fazer o mundo acreditar nisso, se quando se olha no espelho, você percebe que entre você e o monstro não há diferenças, que você pode cometer os mesmos erros que ele.

Por ir tão profundamente dentro de si, Ari Folman deixa escapar facilmente entre os traços dos desenhos uma carga forte de emoção que nunca chegaria se optasse por um filme de ficção ou se filmasse as cenas. Em Valsa com Bashir, ele coloca apenas o que ele vê, e assim o espectador vai fazendo suas descobertas e se surpreendendo junto a ele. Mesmo sendo uma animação, não é um filme fácil. O alto contraste e as cores vibrantes embelezam, mas não escondem o sentimento. A cena final, uma das mais chocantes do cinema, sozinha poderia ser julgada de diversas formas ruins, mas todo o encadeamento que é construído faz com que a obra desemboque naquilo de maneira natural, mas não menos chocante, tornando o filme ao mesmo tempo forte e magistral.

Valsa com Bashir (Vals Im Bashir, 2008, Israel)
Direção:
Ari Folman
Roteiro: Ari Folman
90 Minutos.

Sicko – $.O.$. Saúde

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Os EUA estão doentes. O país que se considera o mais poderoso e importante do mundo tem a sua saúde frágil. E o que os fazem tão poderosos é exatamente o que torna essa saúde tão débil. Forte opositor do presidente George W. Bush, o cineasta Michael Moore decidiu investigar este problema. Porém, como é sabido que seu país não é nada saudável, em seu filme $.O.$. Saúde ele não se atém apenas em mostrar o caos do sistema, mas em provar também como o presidente está pouco se importando com o seu povo e como ele e a mídia mentem.

No início, Moore fala sobre personagens que não são cobertos por planos de saúde nos EUA, e deixa claro que o filme não é sobre eles, mas sim sobre aqueles 250 milhões que se sentem em paz por possuir o benefício. Mas na verdade o documentário não é bem sobre esses também, mas sobre como o governo estadunidense tem grande êxito ao tentar manipular o povo, com verdades inventadas por si, que dizem ser a favor do povo quando em muitos outros países seriam logo descartadas como grandes embustes. E Moore não quer apenas dizer que são meras mentiras, ele prova com fatos e imagens cada um de seus ataques.

É fato que o cineasta não é nenhum exemplo de confiança. Michael Moore foi bastante criticado à época de Tiros em Columbine por manipular as imagens ao seu favor. Mesmo mais cedo, em Roger e Eu, o diretor expôs apenas o que lhe era conveniente. Da mesma forma que não dá para negar o seu caráter picareta, não há também como desprezar a imensa qualidade que $.O.$. Saúde conseguiu atingir. Moore, desta vez, não usa apenas truques de câmera e edição para comprovar suas teorias – não que tenha deixado de usar –, mas cresce como cineasta e como investigador ao deixar o filme ser maior que seu próprio ego – fora uma das cenas finais, sobre um rival, que ao menos suaviza um assunto tão pesado.

Com carta branca do governo e apoio da mídia, os planos de saúde estadunidenses se esforçam, e muito, em apresentar motivos para que os seus associados não possam ter direito a este ou aquele tratamento. Chega ao ponto de uma mulher, que é levada inconsciente ao hospital, depois de um acidente, receber a conta da ambulância por não ter feito o pedido com antecedência. O esforço dos planos é tamanho que eles dão bônus aos médicos que conseguem deixar um doente sem o tratamento adequado. Tudo em nome do dinheiro, sem se importar com as vidas ao redor.

Para contrastar o sistema de saúde dos EUA e contradizer o governo e a mídia, Moore visita outros países e estuda como funciona em cada um deles, incluindo Cuba, o que causou problemas ao diretor. Em comparação aos outros, percebe-se como o “país mais poderoso do mundo” está afundado em corrupção, e como isto parece estar próximo de desmoronar. O grande problema em se assistir a este tipo de filme por aqui é o fato de o nosso sistema de saúde estar mais para EUA do que para Canadá, França ou Cuba. É uma pena que o Brasil esteja adoecendo tão rápido.

É Fácil Fazer Uma Canção

Documentário sobre a cena do rock underground da Zona Oeste do Rio de Janeiro em 2002. Realizado a partir do Rato no Rio, um festival mensal realizado em Bangu. Com a participação do organizador do Rato no Rio, Marcelinho, e das bandas Filhotes!, Sexo & Blood Mary e Ataque Periférico.



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