A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima – Clint Eastwood

Estamos sempre em constante evolução, uma grande prova disso é um certo ator e diretor de Hollywood, de nome Clint Eastwood. Quando se imaginava que quase nada mais podia se esperar do famoso cowboy, ele surpreende a todos com um incrível talento como diretor. O que poderia ser apenas um caso raro, quando em 2003 ele apareceu com Sobre Meninos e Lobos, mostrou-se como uma nova faceta do diretor que, aos 77 anos, não se permite mais errar. Depois de Menina de Ouro ele aparece com um dos projetos mais originais do cinema americano, mostrar a guerra sob os dois pontos de vista, sem vantagens para nenhum dos lados.

A guerra escolhida para ser retratada foi a batalha de Iwo Jima, durante a Segunda Guerra. Iwo Jima é uma ilha do Japão, que representava um local estratégico, já que os EUA poderiam usá-la como base para atacar o país. Dois filmes foram feitos, A Conquista da Honra, a partir de um livro escrito pelo filho de um enfermeiro, mostra o lado americano, e Cartas de Iwo Jima, baseado em um livro de cartas de um General, contando a visão japonesa.

A Conquista da Honra gira em torno de uma simples fotografia que representou muito para essa batalha. A foto de uma bandeira americanas sendo erguida por seis soldados fez com que a opinião pública aceitasse melhor a guerra e apoiasse o governo, o que foi fundamental para a vitória. Para isso, os EUA contou com a ajuda dos três sobreviventes da foto, o enfermeiro John Bradley e os soldados Rene Gagnon e Ira Hayes.

Em Cartas de Iwo Jima, é mostrado como o general Kuribayashi lutou para conseguir se impor frente a um exército de mais de vinte mil homens, com um plano que parecia loucura – construir túneis para atacar de dentro de cavernas. A dificuldade de convencer a todos que seu plano era eficaz aumentava por ele já ter morado nos EUA. Além de lutar contra os americanos, os seus soldados tinham que sobreviver às más condições de vida na ilha de enxofre.

Enquanto o primeiro filme divaga sobre a necessidade ou não de escolhermos heróis – Brecht disse que “pobre do país que precisa de heróis”, e é mais ou menos disso que se fala, ou quem sabe do pobre herói que é requisitado pelo país –, o segundo fala sobre a esperança ou a perseverança. Mesmo tendo sido derrotados, mesmo sabendo que iriam ser derrotados, os japoneses lutaram de maneira honrada, pelo país.

Eastwood criou dois grandes filmes que se complementam, mas que ao mesmo tempo conseguem sobreviver de forma independente. Em nenhum dos dois filmes se tenta retratar o lado inimigo como se faz em muitos filmes de guerra, o que evita qualquer visão estereotipada. O outro lado pode ser visto praticamente só no outro filme, recebendo o mesmo tipo de tratamento. Difícil dizer qual filme é melhor ou pior. Há grandes diferenças entre eles, mas há presente em ambos a mesma sensibilidade de um grande diretor.

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Infernal Affairs X Os Infiltrados

Não se pode negar a importância de um cineasta como Martin Scorsese, mas quando se tem elementos suficientes para se comparar uma obra sua, em pé de igualdade, com uma obra de um cineasta desconhecido, e este leva vantagem, o que se pode dizer? Apesar de muito comentado no submundo dos conhecedores de cinema oriental, nunca havia parado para assistir o chinês Infernal Affairs. Até que resolvi ceder, principalmente pela campanha que Os Infiltrados está tendo rumo ao Oscar, e vi o longa chinês. Foi tamanha minha admiração pelo filme que acabei conferindo a cópia americana no mesmo dia.

Infernal Affairs é um ótimo filme. Assim como Os Infiltrados, o filme é sobre dois homens, um policial disfarçado de traficante e um traficante disfarçado de policial, no que acaba se tornando um jogo de gato e rato, entre os bandidos e a policia. Ambos tem cargos de destaque na instituição em que estão infiltrados, mas não há ainda segurança suficiente que garanta que sairão ilesos.

Difícil dizer se é nítida a diferença de qualidade entre os dois filmes para quem viu em ocasiões diferentes, mas como vi os dois pela primeira vez no mesmo dia, posso dizer que a versão original leva muita vantagem. A começar pelo rio de sangue de Os Infiltrados, totalmente desnecessário, e ausente em Infernal Affairs. Ao que me parece, o primeiro filme tentou ser um pouco mais lírico, enquanto o outro apelou para o comercial. Aí está o grande erro de Scorsese.

Mudanças no roteiro são necessárias, mas há coisas que não se justificam. Qual o sentido de duas personagens da versão oriental virarem uma só na versão ocidental? Criar um triangulo amoroso? Não é disso que se trata o filme, então não tem razão. A personagem abolida, a meu ver, tinha uma grande importância dentro da trama, podia parecer bobo o livro que a namorada do falso policial – e não a psiquiatra do falso bandido – escrevia, mas a história de um homem com 28 personalidades, que não sabia mais quem era, dizia muito sobre o filme.

Os Infiltrados está fazendo um grande sucesso, ganhando diversos prêmios, mesmo não superando Infernal Affairs em praticamente nenhum momento, o que é uma grande injustiça, mas de se esperar. Mas é uma pena que se use tanta publicidade em detrimento de tantos pontos positivos que se pode encontrar no irmão desconhecido. Acho que Scorsese precisa colocar um pouco mais de poesia em sua vida.

Funny Games – Michael Haneke

Na verdade o filme foi lançado por aqui com o nome Violência Gratuita, mas não gosto muito desse título, que faz perder muito do que tinha o título original, Funny Games. Acredito que de certa forma o nome em português acaba banalizando um pouco da idéia do filme, que, de certa forma é uma brincadeira que se esforça por criticar uma série de filmes que utilizam a tal violência gratuita.

Este que é, talvez, o primeiro filme de grande sucesso do grande diretor Michael Haneke, de Professora de Piano ou Caché, nos mostra uma família que chega em sua casa no lago e é surpreendida por dois jovens que resolve assustá-los com suas brincadeiras.

Haneke disse certa vez que quanto menos se mostrar nos filmes melhor o resultado, já que atiça a imaginação do espectador. Aqui ele segue a risca, o filme é extremamente violento, muito mais que um filme B de ação americano, porém, ao contrario deste, poucas são as cenas de violência que são mostradas, fica tudo a cargo de quem estiver assistindo. Isso ele também faz com Caché, de tal forma que muitos espectadores acostumados com o roteiro mastigado, saíram do filme enraivecidos com um sentimento de que algo está faltando.

Funny Games também pode incomodar estas pessoas. Um dos personagens chega a interagir com os espectadores, quebrando regras de ouro do cinema tradicional. Ele olha para a câmera, conversa com ela, chega até mesmo a mudar os rumos dos acontecimentos, praticamente um poder divino, se não se tratasse de um filme.

E essa é a questão, eles estão em um filme e sabem que estão em um filme, ao contrário de filmes B de ação americanos, onde acontecem situações absurdas e eles tentam nos fazer acreditar que são todas elas factíveis. Os personagens de Haneke sabem que estão em um filme, mas assim mesmo buscam essa realidade, e até dizem isso diretamente para nós.

Simplesmente dizer que Funny Games é um filme de violência gratuita é deixar de lado tudo a que ele se dispõe. É não perceber que ele veio justamente pra ridicularizar uma série de filmes que se utilizam da violência explícita por um motivo puramente mercadológico, quando a sua violência não é nem explícita e muito menos mercadológica, de forma que não se pode dizer que seja tão gratuita assim.

 

P.S.: Funny Games está sendo refilmado numa produção americana. A notícia pode não ser tão ruim assim ao saber que o diretor que pegou essa missão é ninguém menos que o próprio Michael Haneke. Para o papel de Anna, a eterna vítima de remakes, Naomi Watts. Para o papel de Paul, o eterno adolescente rebelde de filmes alternativos, Michael Pitt. Deve sair no final de 2007.

Diamante de Sangue – Edward Zwick

Sonho da grande maioria das mulheres, uma jóia incrustada de diamantes pode não ser algo tão bonito como se parece à primeira vista. Apesar de todo o brilho e glamour que um adorno desses pode supor, muitas vezes eles têm uma origem de dor e perda, como conta o filme Diamante de Sangue.

Danny Archer é um contrabandista de diamantes. Trabalhando para o Coronel Coetzee, ele negocia com líderes rebeldes, de Serra Leoa, armamentos em troca de diamantes ilegais. Esses mesmos rebeldes, da RUF (Frente Revolucionária Unida), invadem a tribo de Solomon Vandy, matando grande parte dela, e o levando como escravo a uma mina de diamantes. Lá ele logo é preso por soldados oficiais, não sem antes achar uma grande pedra e escondê-la. O filme todo gira em torno dessa pedra, que todos querem, e que Archer, Vandy e a jornalista americana Maddy Bowen vão buscar numa perigosa jornada.

Esse tal diamante raro só é usado como pretexto para contar o que é o Diamante de Sangue – aqueles que são extraídos a custas de vidas humanas, como acontecia na Serra Leoa do final da década passada. O filme não se propõe a explicar nada, apenas dá um panorama do fato. É como se fosse só para dar uma cutucada no assunto, e quem se interesse que vá buscar mais a respeito. O que não é de todo ruim, mas podia ter sido melhor. Algo como se houvesse uma necessidade dessa superficialidade, para que possa ser tragado pelo público.

Interessante notar um certo esforço por não apresentar vilões, não que o filme não os tenha, tem muitos, mas há uma espécie de abrandamento das atitudes destes. Num determinado momento, um deles diz algo como: “eu posso ser o diabo, mas é porque eu vivo no inferno”. A frase não é exatamente essa, mas a idéia, sim, o que me faz pensar na quantidade de filmes que encaixaria uma frase assim.

Pode parecer um tanto simplista demais, mas de certa forma a frase me fez pensar muito. Bem mais que todo o resto do filme, que não considero ruim. É como uma tentativa de provar que Rousseau estava certo. Resta saber se aqueles que assistirão “o novo filme de Leonardo DiCaprio” vão entender as mensagens. Eu acho que não.

Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol – Richard Linklater

Há muitos anos ouço falar do filme Antes do Amanhecer, e há outros tantos, ouço de sua continuação Antes do Pôr-do-Sol. Nunca tinha tido oportunidade, ou talvez interesse, de assistir a nenhum dos dois, mas, ao saber que se tratavam de filmes de Richard Linklater resolvi me esforçar a vê-los.

A começar, não consigo lembrar de nenhum caso de continuações que se casam tão perfeitamente com o filme original do que neste. Claro que existem tantas continuações bem sucedidas na história do cinema, mas acredito que nesse caso é diferente. Antes do Amanhecer, de 1995, mostra o encontro entre a francesa Celine (Julie Delpy) e o americano Jesse (Ethan Hawke), num trem onde ele a convence a, ao invés de seguir rumo a Paris, descer com ele, um até então desconhecido, em Viena e o acompanhar até seu vôo partir na manhã seguinte. Já Antes do Pôr-do-Sol, de 2004, narra o reencontro dos dois, em Paris, nove anos mais tarde.

Linklater eu conhecia apenas através do incrível Waking Life, uma diferente animação que trata de questões existenciais a respeito da vida e da morte e dos sonhos e da realidade. Assim como este filme, os dois também se baseiam principalmente no dialogo para sua condução, com personagens densos, longe de estereótipos. As conversas entre Celine e Jesse tratam de relacionamentos, sexo, morte, religião, política, entre tantos outros assuntos, de uma maneira natural e envolvente.

Em Antes do Pôr-do-Sol, onde se dá o reencontro, percebemos claramente o amadurecimento dos personagens durante todos esses anos que ficamos sem saber deles. Eles não são os mesmos que eram na juventude, muita coisa mudou desde o final do outro filme, ao contrário do que fazem a maioria dos roteiristas, que preferem manter uma mesma personalidade, ignorando que seus personagens são humanos e, sendo assim, tende a mudar constantemente, ao invés de se manterem numa geladeira durante os intervalos de filmagem.

Os dois filmes, em conjunto, tratam da dificuldade dos relacionamentos humanos, de como é complexa a compreensão das pessoas, sejam conhecidas ou desconhecidas e de como isso pode se tornar desgastante quando, de fora, tudo parece tão simples e fácil.

Parábola do Cágado Velho – Pepetela

Ulume e de Munakazi estão ligados pelo destino, mas nada será fácil para eles. Em dialetos africanos, os nomes dos dois quer dizer, respectivamente, homem e mulher, e como tantos homens e mulheres no mundo, os dois vivem uma história que acaba se confundindo com a história de sua terra. Ulume é um homem já maduro, casado com Muari, mas disposto a casar de novo com a jovem Munakazi, numa Angola onde a tradição ainda permite a poligamia para os homens.

Ao mesmo tempo, dois exércitos, os “nossos” e os “inimigos”, travam uma guerra civil em todo o país, que aos poucos vai destruindo a vida de um povo que nada tem a ver com toda essa disputa e nem mesmo sabe dizer quem são os “nossos” e quem são os “inimigos”. Só sabem que qualquer dos dois exércitos que apareça no kimbu, a tribo deles, significará roubos e mortes que deixarão marcas nas vidas desses moradores. O kimbu onde vivem ainda conserva as tradições, mas Munakazi representa a modernidade. Munakazi representa a nova mulher, forte, independente, deixando Ulume perdido entre a tradição e os novos tempos. Dentro de tantos dilemas, de tantas dificuldades, o homem só pode contar com a ajuda de um cágado velho a quem ele visita quase todos os dias, desde criança.

O cágado, o homem e a mulher, a tradição e a modernidade, a guerra e a paz, os nossos e os inimigos, nenhum deles aqui representa o protagonista desta história. O protagonista é o tempo, que sempre mostra os caminhos a seguir. Tudo está preso ao tempo.

O livro Parábola do Cágado Velho, do angolano Artur Carlos Mauricio Pestana dos Santos, conhecido como Pepetela, é um dos representantes da nova literatura de língua portuguesa que desperta no continente africano. Junto a Pepetela, temos o também angolano José Eduardo Agualusa, o português criado em Angola, José Luandino Vieira e o moçambicano Mia Couto, que juntos, cada vez mais, fazem com que essa literatura luso-africana conquiste espaço onde a cultura africana pouco tem de representatividade.

Sobre o livro, Pepetela nos diz que ele “deve ser lido e esquecido logo que fechado. Para que não desperte os maus espíritos da intolerância e da loucura. Os mais velhos sabem, não devemos relembrar aquilo que nunca aconteceu”.

O Cinema Circense de Fellini

Numa madrugada, de sua cama, um garotinho de oito ou nove anos escuta um barulho vindo da rua. Ele olha pela janela e vê, inflando na frente de sua casa, uma estranha estrutura, uma construção que não conhecia. Imaginou que fosse algum barco, ou qualquer coisa do mar. Na manhã seguinte, eufórico e curioso, pergunta à mãe sobre a novidade. “É o circo. Se você não for bom, eu digo a esses ciganos pra te levarem com eles”, diz ela. Assim começa o filme Os Palhaços, de Federico Fellini, numa cena em que o cineasta italiano conta como se deparou pela primeira vez com esse inusitado elemento que iria fazer parte de sua vida. “Da primeira vez que entrei numa lona de circo senti essa embriaguez, essa comoção, essa exaltação, a sensação imediata de estar em casa, e não era nem hora do espetáculo, com o barulho das pessoas que se esmagam e a música que enche o ar de ruídos ensurdecedores; não, era de manhã cedo”, disse Fellini em seu livro Fazer um Filme.

Para ele o cinema sempre foi uma espécie de circo, e este o precursor ideal de toda forma de espetáculo. Tanto o circo quanto o cinema têm seus “artistas extravagantes, operários musculosos, técnicos, especialistas estranhos, mulheres bonitas a ponto de nos fazer desmaiar, costureiros, cabeleireiros, gente que vem de todos os cantos do mundo e que se entende numa babel de línguas”, como cita no livro. Fellini já confessou que não é grande entendedor do circo, assistiu a poucos espetáculos, porém o circo sempre esteve nele. Assim ele foi quem melhor representou este universo no cinema, ao lado de Charles Chaplin – artista que começou sua carreira no circo, foi um ator-palhaço e, entre outros, dirigiu O Circo.

Seu primeiro filme de sucesso, de 1954, Oscar de melhor filme estrangeiro em 1956, A Estrada da Vida, foi também o primeiro filme dedicado à sua mulher, Giulietta Masina, que interpreta a protagonista Gelsomina. Vendida pela própria mãe a Zampano, um artista mambembe interpretado por Anthony Quinn, Gelsomina é uma pobre e ingênua moça que passa a apresentar os shows de seu inesperado parceiro nas praças de povoados e de pequenas cidades. Uma interpretação simplista, com graça em seus gestos mínimos, como um palhaço, que não precisa de palavras para indicar ao público seus sentimentos, faz de Giulietta o grande charme desse filme. “É uma atriz-palhaço, um autêntico palhaço” dizia onde e quando Fellini sobre sua esposa. “O talento de palhaço de um ator, a meu ver, é o dom mais precioso, o sinal de uma vocação aristocrática para a arte cênica”.

Gelsomina se assemelha muito a Cabíria, outra personagem interpretada por Giuletta Masina, que nasceu no filme Abismo de um Sonho, de 1951. O papel era pequeno, mas em 1957 ganhou um filme próprio, Noites de Cabíria. Assim como Gelsomina, Cabíria também faz o tipo ingênua, sonhadora, com um olhar pueril, numa interpretação também inspirada em palhaços, onde não é preciso dizer pra se fazer entender. Cabíria é uma prostituta da periferia de Roma que sonha em sair dessa vida e encontrar um homem que a faça feliz, mas sua inocência faz com que seja facilmente enganada pelos homens que encontra. Chega até a achar que o homem que a jogou no mar e fugiu com seu dinheiro, no início do filme, a amava. Somente com a ajuda de uma amiga, Cabíria se dá conta de que seu amado não sumiu por ter ido buscar ajuda, mas que tentou matá-la e fugiu para não ser preso.

Fellini nos diz que tanto Gelsomina quanto Cabíria, assim como os palhaços, são seres assexuados. Elas são augustos, palhaços-crianças, não têm maldade. Os palhaços são originalmente divididos entre os clowns brancos e os augustos. Os clowns brancos são sérios, inteligentes, elegantes. Já os augustos são desbocados, bagunceiros, brincalhões. Quando Fellini não queria ver mais palhaços em seus personagens fez Os Palhaços, de 1971, dedicado a esses dois tipos, para tentar se exorcizar, como fazia sempre que se cansava de um assunto. Foi assim também que fez um filme dedicado à Roma (Roma de Fellini) e à sua vida em sua cidade natal, Rimini (Amarcord). Para não precisar mais incluir as cidades em partes de seus filmes, ele dedicou um filme inteiro a cada uma delas.

Os Palhaços, documentário feito para televisão, tenta descobrir se os palhaços estão desaparecendo. Fellini tenta mostrar nesse filme que a magia do circo ainda é possível. Passando por vários circos, entrevistando diversos palhaços, mostrando o dia-a-dia do espetáculo, reconstituindo cenas, Fellini e sua equipe, muitos deles artistas de circo, vão cruzando Roma em busca de uma resposta. Chegam a se deparar com um palhaço que lhes diz: “Por que fazer um filme sobre palhaços? O mundo do circo já não existe. Todos os verdadeiros palhaços desapareceram. O circo não tem nenhum significado na sociedade atual”. Mas, logo, um antigo palhaço lhe dá uma possível resposta à sua dúvida: “Os palhaços não desapareceram, as pessoas que não sabem mais rir”.

Publicado originalmente no Esquinas de SP, jornal-laboratório do curso de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero
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