Dylan Dog e as Criaturas da Noite (Dylan Dog: Dead of Night)

Se no passado grande parte dos filmes de terror mais divertiam do que assustavam, hoje em dia este gênero ganhou ares de superprodução e já não têm mais os requintes dos clássicos filmes B, mesmo que continuem não assustando. De vez em quando, no entanto, aparece um ou outro longa que pode relembrar estas obras comicamente toscas, como é o caso de Dylan Dog e as Criaturas da Noite. Adaptado dos quadrinhos italianos, o filme não tem grandes pretensões, e justamente por isso pode agradar.

Escolhido como uma espécie de guardião do mundo dos mortos-vivos, o detetive particular Dylan Dog (Brandon Routh) é o único humano que sabe que não estamos sozinhos no mundo, mas que dividimos espaço com vampiros, lobisomens, zumbis, e tantas outras criaturas que se pensava ser apenas do mundo da fantasia. Porém, após um incidente trágico em sua vida, o jovem decide se aposentar deste posto e trabalhar apenas com aqueles que ainda estão vivos.

Certo dia, ele é chamado para resolver a misteriosa morte do pai da bela Elizabeth (Anita Briem), mas ele declina logo que percebe que não é um caso deste mundo. Mesmo com a recusa, ele é obrigado a ajudar a moça a descobrir o que realmente aconteceu. Para isso, ele volta a ter de lidar com seres como o quase amigável lobisomem Gabriel (Peter Stormare) ou o maléfico vampiro Vargas (Taye Diggs), mas sem temer a morte, porque ele sabe que ainda vem muita coisa depois dela.

Se o filme pode ser comparado com um antigo filme B de terror, não há que se esperar grandes destaques nas atuações. O protagonista, Brandon Routh que já foi o Superman no filme de 2006, claramente se preocupa mais em fazer exercícios de musculação para os braços do que os de técnica teatral. Se ele não tem uma atuação brilhante, o mesmo se pode esperar de seu parceiro Sam Huntington, o Jimmy Olsen do mesmo Superman. Aqui, no papel de um recém-transformado zumbi, ele atua como um morto-vivo. Sem pensar muito. Claro, o resultado por vezes chega a ser hilário.

Apesar de não explorar tanto o universo sobrenatural como poderia, o longa acerta com seus efeitos especiais, que se às vezes se mostram exagerados, não o são em comparação com blockbusters. Ainda, certo exagero cabe perfeitamente em um filme como este, em que nada se deva ser levado muito a sério. Esta mistura entre péssimas, mas cômicas, atuações, seres fantásticos e uma boa dose de efeitos, assemelha ao clássico dos anos 80 Bill & Ted – Uma Aventura Fantástica, mas desta vez se trata de um terror. Ou uma tentativa disto.

Não que Dylan Dog e as Criaturas da Noite seja daqueles clássicos filmes que são tão ruins que ficam bons. Talvez se enquadre mais naquelas obras agradáveis de ver em uma tarde vazia para passar o tempo, assim como seu semelhante de 1989. De qualquer forma, o filme não oferece ao espectador menos do que ele se pretende. Uma comédia com tons de terror e fantasia. Não é o melhor a se ver no cinema, mas ao menos é um filme honesto.

 

Assista ao trailer:

Dylan Dog e as Criaturas da Noite (Dylan Dog: Dead of Night, 2010, EUA)
Direção:
Kevin Munroe
Roteiro: Thomas Dean Donnelly e Joshua Oppenheimer
Elenco: Brandon Routh, Sam Huntington e Anita Briem
107 Minutos

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A Árvore da Vida (The Tree of Life)

Até onde é possível ir para entender melhor a sua própria relação com a vida? Para o cineasta norte-americano Terrence Malick, se pode ir muito longe. Conhecido por ser um diretor recluso e perfeccionista, Malick foi o grande vencedor da Palma de Ouro em Cannes por A Árvore da Vida, seu quinto longa-metragem em uma carreira de quase quarenta anos. Mais do que apenas mais um filme, este, estrelado por Brad Pitt e Sean Penn, é o trabalho mais pessoal e bem realizado do diretor, e sem dúvida uma obra que deve ficar entre os maiores já feitos na história do cinema.

Sean Penn é Jack, um arquiteto de meia idade ainda atormentado pela relação de amor e ódio com o pai e com um acontecimento na juventude que marcou a história de toda a família. Mr. O´Brien, o pai, vivido por Brad Pitt, nunca foi um homem afetuoso. Na ânsia por dar um futuro glorioso aos seus três filhos, ele sempre prefere o rigor e a força, ao carinho. Resta então às crianças o suporte da mãe, uma mulher submissa, mas capaz de encontrar forças onde for para proteger e reconfortar os meninos, a quem ama incondicionalmente.

Nada fica muito óbvio durante as mais de duas horas de projeção, mas a profundidade das cenas mostram que a carga emotiva do filme pode falar muito mais ao espectador do que um roteiro simples, com começo, meio e fim. Não existe tempo em A Árvore da Vida, Malick vai muito além da cronologia para contar esta relação entre pai e filho, que começa quando a mãe ainda é uma menina e vai muito mais longe do que qualquer outro cineasta ousou chegar. Se quando Terrence começava a carreira, o mundo do cinema ainda estava deslumbrado pelo trabalho de Stanley Kubrick em 2001: Uma Odisseia no Espaço, desta vez é ele quem chama a atenção com sua odisseia na vida.

A odisseia, aliás, não é apenas de seu personagem, mas do próprio diretor. Se o intuito de Mallick era fazer um filme que explorasse o ser humano, nada melhor do que usar a si como centro desta história. Mais do que Jack, Sean Penn é Terrence Mallick nesta obra. Filho mais velho de três irmãos, o cineasta sempre sofreu a culpa de ter aproveitado os privilégios de ser o primogênito, mas ter falhado no momento em que um de seus irmãos mais precisou. Estudante de violão, o jovem Larry Mallick foi à Europa ter aulas com um rigoroso professor. Sem suportar a pressão, ele se mutilou. O pai pediu que Terrence fosse buscá-lo, mas o diretor se negou. Larry se matou logo em seguida. Este episódio é um dos pontos de partida de A Árvore da Vida.

Não é fácil, no entanto, para o cineasta entrar em contato com a história. Consumido pela culpa desde que aconteceu, em 1968, Mallick busca elementos para expôr isto nas telas. Desde seus primeiros trabalhos no cinema, ele deseja fazer um filme sobre a origem da vida. O diretor então achou que o momento ideal para isso seria justamente neste longa, em que fala sobre a sua própria vida. Conhecido por colocar nas telas cenas de uma beleza plástica grandiosa, Terrence deixa os espectadores desta vez deslumbrados com o que ele é capaz de criar.

Se a obra não é completa do ponto de vista do cinema clássico, isto faz com que haja um maior leque de possibilidades de entendimento do filme. O menino Jack, mais do que apenas estar se relacionando com o seu pai e mãe, está também entrando em contato com seu próprio instinto, com a violência existente nos seres vivos desde o início da vida; e o adulto Jack sabe disso, e sabe que se tornou apenas uma cópia moderna do próprio pai. Além disso, há uma luta constante na tela entre a ciência e a fé, duas instituições que sempre estão juntas, mas nunca deixarão de se confrontar.

Sem respostas, mas com diversos questionamentos, Terrence Mallick consegue um ótimo resultado em um filme que tenta desvendar esta misteriosa Árvore da Vida. Mantendo sua assinatura, com belas imagens, presença de astros no elenco, forte contato com a natureza e a narração tomando conta de boa parte do filme, o diretor não apenas não decepciona, mas se consolida ainda mais no hall dos grandes mestres da sétima arte.

Assista ao trailer:

A Árvore da Vida (The Tree of Life, 2011, EUA)
Direção:
Terrence Malick
Roteiro: Terrence Malick
Elenco: Brad Pitt, Sean Penn e Jessica Chastain
139 Minutos

Melancolia (Melancholia)

É comum perceber que os cineastas estão entre os humanos com mais problemas de ego, mas o caso do dinamarquês Lars Von Trier se destaca. Desde que consolidou seu nome em todo o mundo com o apoio do marketing conquistado com o movimento Dogma 95, o diretor usa o que pode para inflar o seu ego e, consequentemente, atingir um nível ainda maior de genialidade em suas obras. Porém, se com Anticristo ego e genialidade estiveram em nível quase insuportável, com o seu novo filme, Melancolia o limite foi rompido, e a qualidade muitas vezes dá lugar ao pedantismo.

Não há dúvidas de que as declarações de Von Trier em Cannes, em que o cineasta chocou público, imprensa e organizadores ao defender ideias de Hitler, são apenas mais uma forma de chamar a atenção para o filme, assim como ele já havia feito em outros momentos de forma mais sutil. Se desta vez o diretor foi longe demais no marketing, não é diferente na maneira em que ele desenvolve sua nova obra, sobre a possibilidade do choque entre a Terra e um planeta perdido, chamado Melancolia.

Na primeira parte do filme, o acontecimento astronômico é apenas um pano de fundo sem grande importância. O que gira a trama é o casamento da publicitária Justine (Kirsten Dunst) com Michael (Alexander Skarsgård). Mesmo feliz pelo grande dia, a jovem sente que algo está errado com ela, e reluta em estar na festa. A presença de algumas pessoas no local, no entanto, torna tudo ainda pior, criando um clima de constrangimento para a maioria dos convidados e, principalmente, para o noivo.

Alguns dias após a cerimônia, Justine passa uma temporada na casa de sua irmã Claire (Charlotte Gainsbourg) e do marido dela, John (Kiefer Sutherland), um milionário apaixonado por astronomia que tenta tranquilizar a família a respeito dos boatos de que a Terra vai se chocar com Melancolia. À medida em que o tempo passa, e que o planeta intruso se aproxima, a relação entre todos na casa vai mudando, e cada um revela sentimentos que tentava esconder. Apenas Justine permanece serena, como se estivesse escondendo um grande segredo de todos.

Pelas primeiras cenas do filme já é possível perceber que o filme se pretende grandioso. Von Trier mostra um clipe com uma estética de ensaios de moda, em câmera lenta, que dão ao espectador um misto de deslumbramento e inquietação. Esta sensação se mantém durante toda a projeção, que é dotada de atuações incríveis, cenas de uma beleza ímpar, e um roteiro recheado de uma pretensão e arrogância muito maior do que em qualquer outro filme do diretor. Tanto que chega a macular o resultado final.

Fosse original, Melancolia já teria potencial para desagradar a muitos, mas nem mesmo esta qualidade o filme contém. Se a primeira parte lembra a todo momento de Festa de Família, sucesso dinamarquês dirigido em 1998 por Thomas Vinterberg, o resto do filme tem claras inspirações no fracassado Dogma do Amor, filmado pelo mesmo diretor em 2003. Não custa lembrar que Vinterberg foi responsável, ao lado de Lars Von Trier, pelo movimento Dogma 95, que tem em Festa de Família sua maior produção.

Não bastasse as semelhanças propositais, há também aquela por acidente. O filme tem elementos bastante próximos à A Árvore da Vida, de Terrence Malick, que chega ao Brasil em 12 de agosto. Assim, além de Lars Von Trier nos oferecer um trabalho ainda mais pretensioso e arrogante que os anteriores, o fruto aparece como um requentado, que apesar do disfarce de uma trama inédita e inusitada, e do tempero da ótima fotografia e das atuações brilhantes, não tem o sabor das obras anteriores do dinamarquês.

Assista ao trailer:

Melancolia (Melancholia, 2011, Dinamarca/Suécia/França/Alemanha)
Direção:
Lars von Trier
Roteiro: Lars von Trier
Elenco: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg e Kiefer Sutherland
136 Minutos

Capitão América: O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger)

Desde que Homem de Ferro se tornou um grande sucesso nos cinemas, aumentaram as chances de levar a história de Os Vingadores para as telas. Assim, pouco a pouco a Marvel está apresentando melhor ao público de hoje seus maiores heróis, para enfim chegar ao momento de ter todo o grupo junto em um filme. Com o milionário Tony Stark bem representado por Robert Downey Jr., em um filme que também mostra Nick Fury, vivido por Samuel L. Jackson, e com Wolverine já popularizado pelos X-Men, faltava trazer outros nomes, como acontece em Capitão América – O Primeiro Vingador.

Criado em 1941, quando os Estados Unidos viviam o terror pré-Segunda Guerra, o herói foi um dos que serviram para aumentar o ânimo da população do país. Na história, Steve Rogers é um garoto fraco e desajeitado, que sonha um dia se juntar ao exército para ajudar seu país na guerra contra o nazismo. Sua coragem e insistência faz com que ele seja escolhido como cobaia de um experimento que planeja criar um exército de supersoldados, através de um soro que potencializa os atributos físicos e psicológicos de quem o recebe.

No filme, o escolhido para viver o personagem foi Chris Evans. Já com alguma experiência em salvar o mundo como o Tocha Humana de Quarteto Fantástico, o ator não teve dificuldades para convencer na pele do Capitão América. Apenas nas primeiras cenas é que soa falso ver Evans como um baixinho fracote de apenas 40 quilos, resultado de um trabalho de efeitos especiais que não se mostra assim tão eficaz como os outros do resto da obra. Porém, os momentos cômicos vividos pelo garoto neste momento fazem com que o público até esqueça deste deslize.

Se o filme é apenas uma introdução para que o público fique aguardando a chegada dos Vingadores, que deve ser lançado em 2012, não quer dizer que tudo seja fácil para Steve Rogers. Uma vez dentro do exército, e transformado em super-herói, o jovem precisa enfrentar o egocêntrico nazista Johann Schmidt, vivido por Hugo Weaving. Tendo também recebido o mesmo soro que deu força ao Capitão América, o vilão se torna o poderoso Caveira Vermelha. Ao lado do herói, no entanto, está um grupo de corajosos soldados, a bela oficial Peggy Carter (Hayley Atwell), além do excêntrico Howard Stark (Dominic Cooper).

Se na década de 40 ainda não existia O Homem de Ferro, Robert Downey Jr. dá lugar a Cooper, que vive o pai de Tony Stark, mas com as mesmas características do herói. Milionário, apaixonado por tecnologia e armas, Howard dá bem a noção da origem do personagem que fez tanto sucesso nos dois filmes de Jon Favreau. A diferença entre as obras de Favreau e este, dirigido pelo especialista em efeitos especiais Joe Johnston, porém, é que desta vez não estamos diante de uma história tão completa.

Mesmo que a origem do Capitão América seja contada de forma episódica, com começo, meio e fim, fica claro que não passa de um tira-gosto. Muitos dos personagens não tem uma apresentação mais detalhada, como o melhor amigo de Steve, Bucky Barnes (Sebastian Stan), ou o curioso soldado que ajuda o herói a derrotar seus inimigos, Dum Dum Dugan (Neal McDonough). O que dá a entender que a Marvel prefere deixar várias pontas soltas para a origem de outros filmes além de Os Vingadores.

O final, no entanto, deixa claro que é apenas por causa de Os Vingadores que o filme existe. Se muitos longas de super-herói indicam de forma indireta que virá uma sequência, desta vez as últimas cenas deixam isso mais do que explícito, não apenas com os acontecimentos, mas também com o letreiro dizendo que o herói volta no próximo filme. Então, como um filme único, Capitão América – O Primeiro Vingador não satisfaz, mas como uma apresentação da próxima obra, o longa deixa tanto os fãs, como aqueles que pouco conheciam o personagem, com água na boca para saborear o que ainda está por vir.

Assista ao trailer:

Capitão América: O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger, 2011, EUA)
Direção:
Joe Johnston
Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely
Elenco: Chris Evans, Hugo Weaving e Hayley Atwell
125 Minutos

Assalto ao Banco Central

Na busca por um cinema comercial de qualidade, Assalto ao Banco Central faz com que o Brasil dê mais um passo a frente, chegando mais perto de ter o apoio sem preconceitos da plateia do próprio país. Mesmo que o filme tenha claras referências ao cinema hollywoodiano, o diretor Marcos Paulo consegue dar um toque brasileiro à história e, independente da bilheteria, o longa pode sim ser visto como um blockbuster, mesmo tendo alguns pontos negativos em sua trama.

Inspirado em uma história real ocorrida em 2005, no Ceará, o filme mostra um grupo de bandidos que comete um dos maiores roubos a banco do mundo. O líder, Barão (Milhem Cortaz), tem a certeza de que este é o crime perfeito, já que está tudo bem planejado, desde contratar um engenheiro para cavar um túnel até o cofre do Banco Central, até o que fazer lá dentro. Com informantes na instituição, ele sabe exatamente como agir no roubo, que deve acontecer em um sábado para que seja descoberto apenas na segunda-feira, quando eles já estiverem longe.

Para isso, o bando cria uma empresa fictícia, diminuindo as suspeitas pela enorme quantidade de terra tirada do túnel. Mesmo com o plano do chefe, o grupo acaba tendo desentendimentos, principalmente com a presença de Leo (Heitor Martinez), um ex-policial, e de Devanildo (Vinícius de Oliveira), um crente certinho cunhado do Barão, que não sabe do roubo. Enquanto os criminosos levam mais de R$ 160 milhões, os policiais Chico Amorim (Lima Duarte) e Telma (Giulia Gam), tentam desvendar a mente e o paradeiro deles.

Mesmo com um início frio, Assalto ao Banco Central logo cresce e conquista a simpatia do espectador, principalmente quando perde sua linha cronológica. O recurso de edição, que pode deixar parte do público um pouco confusa em muitos momentos, é também o ponto mais forte do filme. Não existe um começo, meio e fim, mas uma série de cenas encadeadas que aproximam a obra de um thriller de ação, algo pouco visto no cinema brasileiro.

Talvez Marcos Paulo tenha conseguido com este filme o que nenhum outro diretor com a mesma origem teve. Apesar de ter um enorme apelo comercial, o longa foge tanto de uma estética de televisão, como de um viés artístico. Não há como não comparar a obra com filmes americanos, mas o humor tipicamente nacional tira esta impressão de uma cópia em pouco tempo, sem que para isso tenha sido necessário o tom de chanchada, ainda muito usado no cinema do Brasil.

Assim, o longa consegue ter uma cara de um verdadeiro blockbuster nacional, gênero tão procurado pelos produtores, mas tão raro de se encontrar a fórmula. Se o roteiro falha e apresenta soluções fáceis em muitos pontos, acaba também não sendo tão difícil relevá-las, pela qualidade de tantos outros momentos. Mesmo que não seja uma obra fundamental dentro do cinema nacional, Assalto ao Banco Central já tem lugar como um indicativo de que o Brasil tem condições de logo concorrer com os filmes de Hollywood, sem muito prejuízo.

Assista ao trailer:

Assalto ao Banco Central (2011, Brasil)
Direção:
Marcos Paulo
Roteiro: Rene Belmonte
Elenco: Milhem Cortaz, Lima Duarte e Giulia Gam
110 Minutos

A Inquilina (The Resident)

A mente humana é capaz de nos levar muito longe, de acordo com os nossos sentimentos. Dentre eles, a solidão está entre os que podem transformar os homens tanto em seres frágeis, como em grandes monstros. E é a solidão que está no centro da narrativa do terror A Inquilina, do finlandês Antti Jokinen. Protagonizado por Hilary Swank, o longa não chega a ser uma obra assustadora, mas não desagrada quem gosta do gênero.

Hilary é Juliet, uma médica solitária que não sabe bem o rumo a tomar depois de ser traída pelo namorado em sua própria cama. Decidida a mudar de casa para esquecer do passado, ela busca um apartamento em que possa recomeçar. Apesar da dificuldade em se achar um bom lugar para morar, ela encontra um local perfeito, no prédio da família de Max (Jeffrey Dean Morgan), que vive com seu estranho avô August (Christopher Lee). Logo, no entanto, ela percebe que o que parecia ideal, pode ser um grande pesadelo em sua vida.

Como se espera de um filme de terror, principalmente destas novas safras, A Inquilina é cheio de pegadinhas no roteiro para tentar dar um nó na cabeça do espectador. Não que funcionem. Não demora muito para se perceber as surpresas que o filme têm a revelar, e mesmo na trama são rápidas as soluções encontradas para apresentá-las ao público. Após estas surpresas iniciais, no entanto, o filme acaba descambando para os sustos e a violência nas cenas.

Em um filme de terror, também não se pode faltar a sensualidade de sua atriz principal, e desta vez não é diferente. Mesmo que Hilary Swank esteja bem longe de ser uma sex symbol, as câmeras comandadas por Jokinen fazem da atriz muito mais atraente. Com cenas ousadas, mas nem um pouco vulgares, o diretor consegue um ótimo resultado sem precisar de muito. Ao lado de Swank, Jeffrey também desenvolve bem o papel do galã misterioso, mesmo sem perder o seu ar de Robert Downey Jr.. Além dos dois, o eterno Drácula, Christopher Lee, dá um ar ainda mais sombrio ao filme.

Com um bom elenco, e uma direção sóbria e, muitas vezes, eficiente, A Inquilina acaba compensando algumas de suas falhas por um roteiro sem grandes conflitos, mas é uma pena que se aproveite mal este elenco e as situações criadas pela própria história. Se pela trama não se pode esperar tanto da obra, ao menos o espectador pode ver nas telas um trabalho bem realizado e com alguns pontos positivos, que mesmo que não seja nenhum grande filme, não é motivo para se pedir o dinheiro do ingresso de volta.

Assista ao trailer:

A Inquilina (The Resident, 2011, Inglaterra/EUA)
Direção:
Antti Jokinen
Roteiro: Antti Jokinen
Elenco: Hilary Swank, Jeffrey Dean Morgan e Christopher Lee
91 Minutos

Loup – Uma Amizade para Sempre (Loup)

Talvez a metáfora mais simplista para falar sobre a confiança é através da relação com lobos. Há séculos o animal é colocado em contos para demonstrar os riscos ou vantagens de se confiar em quem está ao seu lado. Não é surpresa, então, que Loup – Uma Amizade para Sempre, primeiro longa-metragem do francês Nicolas Vanier, que tem o bicho como um dos personagens principais, também fale sobre o mesmo tema.

Membro de uma comunidade nômade da Sibéria, o jovem Sergeï sabe desde pequeno que um dos maiores inimigos que pode ter é o lobo, predador das renas que dão sustento ao seu clã. Esta certeza lhe é colocada a cada dia, até que ele recebe a maior honraria que pode ter, o de ser responsável por zelar pelas renas durante o inverno, período em que o ataque dos lobos é mais frequente. O papel é tão importante que ele até deixa de lado a bela Nastazya, que veio visitar seu clã para vê-lo.

Sozinho nas montanhas, Sergeï logo percebe a presença dos predadores. Antes de matá-los, porém tenta observá-los mais de perto, e é quando ele vê que o lobo que aparentava ser um inimigo, é a mãe de quatro pequenos filhotes. Comovido com a família, o jovem decide não apenas deixá-los vivos, mas passa a proteger os lobos, mentindo para sua família e para o seu clã. À medida que o tempo passa, no entanto, os filhotes vão crescendo, até chegar a hora que Sergeï fica entre as tradições que lhe foram ensinadas e o amor que sente pelos animais.

Como o nome já deixa subentendido, Loup – Uma Amizade para Sempre tenta uma fórmula fácil para conquistar o público pelo lado emocional, mesmo que não seja um enlatado norte-americano. Ao contrário, falado em francês e realizado na Sibéria, o longa tem uma estrutura mais próxima de um chamado filme de arte do que de um sucesso comercial, mesmo que não seja nem uma coisa e nem outra. Acaba, então que o filme consegue pouca atenção de qualquer um dos públicos.

Mesmo com suas qualidades, o filme peca por ser pueril demais. Com diálogos artificiais, o filme perde a naturalidade que seria tão fácil por ser uma história distante do grande público. Talvez até por isso, então, é difícil se conseguir uma simpatia com os protagonistas, sejam eles Sergeï e Nastazya ou os próprios lobos. Mesmo as crianças, que poderiam apreciar mais a obra, podem não se animar em vê-la, já que é um filme lento, com grandes planos e tomadas, bem diferente do que os jovens estão acostumados pela influência da televisão.

Não que o filme seja ruim, Loup é uma bela história de como podemos errar em confiar, ou em deixar de confiar em alguém, e que é muito difícil escolher com quem se pode contar. Porém, o filme parece não funcionar tão bem. Com cenários muito bonitos, o enredo parece ser superficial demais, não há qualquer profundidade na trama. Desta forma, não se permite qualquer espaço para estabelecer uma confiança na relação filme-espectador, o que acaba fragilizando o resultado final.

Loup – Uma Amizade para Sempre (Loup, 2009, França)
Direção:
Nicolas Vanier
Roteiro: Nicolas Vanier
Elenco: Nicolas Brioudes, Pom Klementieff e Min Man Ma
102 Minutos

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