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O Leitor (filme)

Quando Michael Berg, personagem vivido na fase adulta por Ralph Fiennes em O Leitor, adoece na porta de uma casa e é ajudado por uma estranha, ele não sabe que aquele momento será decisivo para mudar toda a sua vida, para causar uma dor e culpa imensa, da qual ele jamais irá se livrar. É por essa dor, que Berg já não consegue mais se relacionar com as mulheres que conhece, ou mesmo com sua filha, que sempre sentiu sua falta, mesmo quando ele ainda estava presente.

É Hanna Schmitz quem o ajuda. Interpretada por Kate Winslet, em um papel que lhe rendeu um Globo de Ouro e uma indicação ao Oscar, a personagem acaba atraindo o rapaz de apenas 15 anos, até que eles iniciam um relacionamento que alterna entre sexo e leituras de clássicos. Mais tarde, ele descobre ser ela, na verdade, uma criminosa de guerra, nazista. Todo o filme é uma reflexão de Berg, já adulto, sobre a relação intensa dele com essa mulher 20 anos mais velha. Apesar de ficarem juntos por pouco tempo, ele nunca conseguiu se livrar dessa relação.

Diretor de As Horas, Stephen Daldry segue, muitas vezes milimetricamente, outras com algumas liberdades poéticas, o livro de Bernhard Schlink, no qual o filme O Leitor se baseia. Porém, nos momentos em que a história ganha mais intensidade, Daldry, ou o roteirista David Hare, preferem se ausentar. A amargura de Berg, muito mais presente na versão cinematográfica, não tem tantos motivos quanto na versão impressa. Mesmo o grande segredo da obra, a grande vergonha de Hanna, é percebida facilmente nos trailers, enquanto camuflada no livro.

Impossível seria transcrever toda a história do papel para a película, mesmo com pouco menos de 250 páginas. Mas há momentos incisivos que foram cortados, assim como muitas passagens dispensáveis, que mesmo atrapalham o fluir da trama, mas estão lá. Cenas postas de uma forma muitas vezes didática para que o público se lembre delas quando surgir a grande revelação de Hanna, mas que, de tão didáticas deixam claro este segredo.

É belíssima a história de Michael e Hanna nas telas, com grande vantagem para a primeira parte, quando ele ainda está com seus 15 anos. A interpretação de Kate Winslet é realmente merecedora de prêmios. Se ela vai bem em Foi Apenas um Sonho, em O Leitor ela vai além como a ex-nazista dura e sofrida, que aos poucos revela seus traços de humanidade e feminilidade. Por tantas coisas, o filme realmente vale a pena. Porém, com um pouco mais de tempo, é melhor ler o livro e contemplar a história por inteiro.

O Leitor (The Reader, 2008, EUA)
Direção:
Stephen Daldry
Roteiro: David Hare
Elenco: Kate Winslet, Ralph Fiennes, David Kross
124 Minutos

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Foi Apenas um Sonho

Dez anos se passaram e Leonardo DiCaprio e Kate Winslet estão de volta aos cinemas juntos, como o casal de Foi Apenas um Sonho. Durante esse período, Titanic ou seu diretor James Cameron se perderam no tempo, ficaram para trás e são pouco citados atualmente, em compensação DiCaprio trabalhou em obras de grande porte e hoje é tido, ainda com ressalva, como um dos grandes atores do cinema. Winslet, por sua vez, não deixa ressalva alguma e se apresenta como uma nova Meryl Streep, colecionando prêmios e indicações.

Os atores são primordiais para a trama contada por Sam Mendes, marido de Winslet. O diretor de Beleza Americana retoma como um iconoclasta, tentando demolir o “American Way of Life”. Frank e April eram jovens sonhadores quando se conheceram. Com o casamento, os filhos, a adequação a uma vida normal, os jovens revolucionários da Revolutionary Road, acabaram entrando na rotina. E, como é comum nos casais, a paixão esfriou, dando lugar às discussões e à indiferença. April, no entanto, tem a solução para salvar o casamento. Que eles se mudem para Paris, tentar uma vida nova.

A questão não é Paris, ou qualquer outra cidade do mundo. Eles só precisam fugir da vida que levam na América dos anos 50, e que se continua levando hoje em tantos lugares. Em certo momento, Frank confessa que está fugindo do desesperado vazio da vida. O casal está em uma conversa com John, personagem que rendeu uma indicação ao Oscar para Michael Shannon. Filho de uma vizinha, o homem acaba de sair de um sanatório e não tem o mínimo pudor em dizer o que pensa. Sua capacidade de ver a vida além do medíocre, lhe trouxe os problemas emocionais, que se pensava na época só poderem ser curados com choques elétricos.

E é nesse momento em que Sam Mendes dá seu mais duro golpe na sociedade. John, um louco, um desajustado, é o único a perceber que é preciso sim fugir daquele vazio desesperador. E ele sabe que não é qualquer um que consegue cumprir uma missão tão dura, que é preciso muita coragem para isso. A sociedade não descartou John por ele ser um insano, mas por ele ter esse despreendimento de apontar o dedo na cara de cada um e mostrar suas fraquezas. E é muito difícil para qualquer ser humano ter seu ponto fraco exposto, mesmo que este seja coletivo.

Foi Apenas um Sonho ajuda Sam Mendes a voltar a dar um tapa na cara do americano médio ou daquele que tenta seguí-lo com empenho em busca de sua vida perfeita, com um carro na garagem de uma casa grande, com um grande jardim para plantar e dar espaço para as crianças brincarem. Frank apenas queria não seguir o caminho de seu pai, mas acabou herdando o emprego dele, e uma vida semelhante. A possibilidade de mudança aparece para todos, mas quem tem coragem de ver o desespero dentro do vazio da vida?

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