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Velozes e Furiosos 5 (Fast Five)

Não se pode esperar nada muito complexo da quinta parte de uma franquia de ação, mesmo que esta série continue a dar lucros exorbitantes para seus realizadores. É o caso de Velozes e Furiosos 5, filme de Justin Lin, que chega aos cinemas brasileiros nesta sexta-feira (6). Tendo como cenário o Rio de Janeiro na maior parte de seus 130 minutos, o longa metragem pode gerar bastante decepção nos fãs tupiniquins que desejam ver seu país retratado mais uma vez nas telas pelo olhar hollywoodiano.

Do mesmo modo como grande parte das cenas de ação são irreais fora das telas, assim também é a Cidade Maravilhosa mostrada aqui. Apenas um estrangeiro com pouco conhecimento sobre o Brasil para dar como verossímeis as imagens. O fato de a maior parte do filme ter sido feito na Costa Rica, e não em terras cariocas, não teria sido um problema tão grande se, como na animação Rio, a equipe tivesse um brasileiro legítimo desfazendo algumas ideias distorcidas que se tem do país no resto do mundo ou criando outras tantas. De nativo, talvez o maior posto seja mesmo da protagonista Jordana Brewster, uma quase brasileira que nasceu no Panamá e pouco viveu no país de sua família.

A atriz volta a interpretar Mia Toretto, que desta vez viaja para o Rio de Janeiro com Brian O’Conner (Paul Walker). Os dois vem fugidos após o ex-policial ajudar o irmão da moça, o troglodita Dominic (Vin Diesel), a fugir de uma prisão de segurança máxima nos EUA em uma espetacular cena de ação, que já indica o que traz o longa. No Brasil ainda está o ex-parceiro Vince, que tenta constituir uma família em uma favela carioca. Com uma dica dele, os três decidem entrar em um arriscado roubo de carros que se mostra muito mais complicado do que a princípio pareceu.

Percebendo que algo de errado está acontecendo, os americanos descobrem um esquema de lavagem de dinheiro de Hernan Reyes, homem considerado o dono da cidade. Perseguidos pela polícia e por perigosos capangas, eles armam um plano ainda mais ousado, roubar todo o dinheiro do bandido. Para isso, Dom, Mia e O’Conner vão contar com a ajuda de antigos parceiros e muita adrenalina. Caso a missão se cumpra, eles terão dinheiro o suficiente para nunca mais precisarem pensar em roubar novamente.

Os problemas do enredo já começam a ficar gritantes quando Mia e O’Conner sobem um morro do Rio de Janeiro em um carro com mão inglesa. Este, porém, acaba sendo um detalhe pequeno diante de tantos deslizes ao longo do filme, que chega a ter uma perseguição a um trem em uma paisagem desértica, impossível de ver por aqui. Mesmo os personagens são sofríveis, já que todo brasileiro de Velozes e Furiosos 5 fala um português com sotaque estrangeiro, e o tal Herman Reyes, em vez de ser um malandro político ou policial miliciano carioca, é um empresário de Portugal.

Chega um momento na trama em que o personagem de Diesel diz ao policial Luke Hobbs, de Dwayne Johnson, que seu trabalho não está funcionando porque ele pensa que está nos EUA, mas aqui é o Brasil. Talvez o mesmo poderia ser dito à Justin Lin e os roteiristas Chris Morgan e Gary Scott Thompson. Porém, esta é apenas a quinta parte de uma franquia de ação que ainda rende milhões de dólares, então ninguém está se preocupando muito com isso. Assim, quem não der bola para o roteiro e se esquecer um pouco da vontade de se ver na tela vai curtir a adrenalina das cenas, além de ainda rir com os erros absurdos que o filme comete com o país.

Velozes e Furiosos 5 (Fast Five, 2011, EUA)
Direção:
Justin Lin
Roteiro: Chris Morgan e Gary Scott Thompson
Elenco: Vin Diesel, Paul Walker e Jordana Brewster
130 Minutos

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Rio

Desde o lançamento de Era do Gelo 3, são muitos os comentários sobre a animação Rio, também dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha para um grande estúdio norte-americano. Sem muitos detalhes, na época, criou-se a expectativa sobre se finalmente o país veria um filme produzido nos EUA sobre o Brasil que não repetisse os tão conhecidos clichês reproduzidos à exaustão. Com o lançamento do longa neste fim de semana, chega-se a conclusão que é sim possível ter um filme hollywoodiano que não caia nos estereótipos brasileiros, mesmo que ainda não seja um exemplo ideal.

Rio conta a história da ararinha azul Blu, que nasce na capital carioca mas é capturada por traficantes de aves e levada para os EUA ainda filhote. Por um acidente, Blu acaba indo parar nas mãos da pequena humana Linda, e os dois começam uma grande amizade crescendo juntos na gelada Minnesota. Porém, um dia chega na porta dela Tulio, um brasileiro amante de aves, que insiste em dizer que o animal de estimação da moça é o último macho da espécie, que irá se extinguir se ele não for levado para acasalar no Rio de Janeiro.

Mesmo que nem a ave, nem a dona goste muito da situação, Tulio acaba convencendo-os a fazer a viagem ao Brasil. Em pleno Carnaval, Blu conhece e se apaixona pela arredia Jade, uma fêmea de sua espécie. Porém, uma nova gangue de traficantes de aves sabendo da presença dos dois raros animais na cidade decide sequestrá-los para vender para estrangeiros. O complicado casal então começa uma grande aventura pela cidade maravilhosa tentando se livrar dos criminosos. Para isso eles contam com a ajuda de outros animais cariocas que mostram um ambiente familiar ao pássaro turista.

Logo no início do filme, um número musical parece anunciar que o filme vai se resumir em mostrar o Rio de Janeiro como um paraíso do Carnaval, com muita dança, samba e cores. O que pode parecer uma repetição dos estereótipos presentes em muitas obras, logo se mostra com outra cara. Em vez de mostrar o Rio dos gringos, Carlos Saldanha mostra o Rio para os gringos. A cena de abertura representa o mesmo que os desfiles das escolas de samba, é apenas uma forma de vender uma parte do país aos estrangeiros de uma forma distorcida,  mas saudável, com a música e a alegria, e esquecendo das mazelas.

O filme todo oscila entre esta opção, de apresentar esse Brasil festivo, e a de mostrar um lado mais realista do país. Se na primeira é fácil perceber a influência de um estúdio norte-americano, na segunda é que Saldanha deixa claro que tem um nativo no comando da animação. É impressionante a riqueza nos cenários e na personalidade de alguns tipos do filme. O Rio de Janeiro está desenhado com detalhes na obra, não somente com suas mulatas e malandros, mas com tantos personagens comuns no dia a dia dos cariocas que percorrem a cidade – fazendo com que essa se confunda com a real.

Enquanto o Rio de Janeiro é desnudado aos olhos dos estrangeiros – sem esconder também alguns problemas, como as favelas e a criminalidade – Blu vive uma crise existencial. A arara azul, que nunca aprendeu a voar, está em um dilema entre todo o modo de vida que aprendeu no cativeiro, nos EUA, e o instinto, que ainda lhe diz, mesmo que com pouca força, que ela é um pássaro selvagem, que merece a liberdade nos céus do Rio. Mais do que apenas um conflito do personagem, esta parece ter sido mais uma forma do filme homenagear o povo brasileiro, que bem sabe diminuir seus problemas e voar, como se a vida fosse sempre um Carnaval.

Rio (2011, EUA)
Direção:
Carlos Saldanha
Roteiro: Don Rhymer
96 Minutos

É Fácil Fazer Uma Canção

Documentário sobre a cena do rock underground da Zona Oeste do Rio de Janeiro em 2002. Realizado a partir do Rato no Rio, um festival mensal realizado em Bangu. Com a participação do organizador do Rato no Rio, Marcelinho, e das bandas Filhotes!, Sexo & Blood Mary e Ataque Periférico.



Aceito reclamações, elogios, críticas, sugestões, convites para novas produções e o que quer que você tenha a falar a respeito…

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