Arquivo para junho \19\UTC 2011

Top 10 – Woody Allen

10. Um Assaltante Bem Trapalhão (Take the Money and Run, 1969, EUA)

Primeiro filme dirigido apenas por Woody Allen, neste já é possível ver o humor ácido e nonsense do cineasta novaiorquino. Feito na forma inovadora de um falso documentário sobre um criminoso fracassado, o filme é pontuado do início ao fim por piadas absurdas que se hoje ainda chamam a atenção, na época provocaram um novo olhar sobre o cinema. Se ainda não mostra um roteiro conciso, a obra ao menos já demonstra a capacidade do jovem diretor de traduzir para a tela seus números de humor que faziam sucesso nos palcos.

9. Zelig (1983, EUA)

Também feito no formato de um falso documentário, o filme vai mais a fundo neste gênero para contar a história de um homem que conseguia adquirir a aparência e a personalidade de quem estivesse por perto. O longa é considerado por muitos como uma inspiração para Forrest Gump, já que também mostra o personagem em momentos históricos. A edição faz uma colagem de entrevistas com figuras reais, vídeos históricos e encenações, de forma que torna verossímeis as mais absurdas situações.

8. Poucas e Boas (Sweet and Lowdown, 1999, EUA)

Para contar a história de um grande guitarrista dos anos 20, Woody Allen recorreu novamente ao falso documentário, mas desta vez dando muito mais ênfase para a encenação. Estrelado por Sean Penn, o longa passeia pelo mundo do jazz, na maior homenagem que o diretor prestou ao gênero musical que tanto idolatra. Talvez por não acreditar em sua capacidade de filmar uma cinebiografia séria, o cineasta preferiu criar seu próprio personagem, o que talvez tenha rendido um filme bem mais interessante.

7. A Última Noite de Boris Grushenko (Love and Death, 1975, EUA/França)

Ainda entre os primeiros filmes de Allen, este inovou pela forte carga filosófica e dramática, sem assim perder o tom cômico da maioria dos filmes do diretor. Claramente inspirado por um dos maiores ídolos de Woody, o sueco Ingmar Bergman, o longa pode ser visto como um O Sétimo Selo do humor. É com este filme que o cineasta mostra que tem um repertório intelectual bastante extenso e que é capaz de filmes mais profundos do que as comédias de situações que vinha fazendo.

6. Vicky Cristina Barcelona (2008, EUA/Espanha)

Longe da Nova York que tanto idolatra, nesta obra Woody Allen presta uma bela homenagem à Espanha. O sangue latino pulsa forte no filme, que traz os dois personagens mais destemperados já criados pelo cineastas, vividos por Penelope Cruz e Javier Bardem. A relação amor-ódio dos dois cria momentos hilários ao espectador, além de reflexões sobre a verdadeira reação do típico americano em uma relação de amor explosiva. Ainda, as cores da cidade ajudam a dar uma beleza especial ao filme.

5. Match Point (2005, EUA/Inglaterra)

Responsável pelo pela volta do interesse do público ao cinema de Woody Allen, este filme também chama a atenção por ser seu drama mais bem sucedido, dentre os que deixou de lado os esquetes cômicos. Porém, mesmo assim não inova tanto, já que como Crimes e Pecados, conta a história de um crime passional e a dúvida sobre quais serão as consequências dele. Desta vez aliado a um bom roteiro, o cineasta teve a presença de Scarlett Johansson, em uma parceria que inflou a carreira dos dois.

4. Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris, 2011, EUA/Espanha)

O último trabalho do diretor traz novamente um roteiro bem definido e maduro, quase que recontando em novo cenário e com novos personagens uma antiga história do cineasta. Desta vez o paralelo pode ser feito com A Rosa Púrpura do Cairo, tendo em vez da magia do cinema, a magia da capital francesa. O filme é, além de tudo, uma declaração de amor à cidade, uma das mais adoradas por Allen, que sempre sonhou em morar em Paris. Os personagens históricos presentes no filme ainda dão um show a parte, tornando a obra muito mais engraçada e leve.

3. Hannah e Suas Irmãs (Hannah and Her Sisters, 1986, EUA)

Impossível assistir a este filme sem notar a identidade do cineasta presente no roteiro, mesmo não sendo uma de suas típicas comédias. O filme trata de um drama familiar envolvendo traições, mas que se resolve de uma forma natural, como apenas Woody Allen parece tratar de problemas como este. Liderado pela ex-mulher do diretor, Mia Farrow, o elenco ajuda a tornar este um filme imperdível, já que ainda conta com nomes como Michael Caine e Max von Sydow.

2. Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works, 2009, EUA/França)

A última coisa que se pode pensar quando se está querendo levantar o astral é assistir a um filme sobre um pessimista suicida, a não ser que seja uma obra de Woody Allen. Neste filme, o diretor consegue fazer uma das maiores homenagens à vida já feitas pelo cinema. Para quem assiste ao filme, mesmo estando em um momento ruim, é difícil não pensar que a vida pode mesmo ser boa e que as coisas vão acabar se acertando.

1. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 1977, EUA)

Apesar do título esdrúxulo dado no Brasil, o filme é um sensível tratado sobre a separação de um casal que percebe que não é mais possível ficar juntos mesmo após terem dedicado tanto amor um ao outro. O longa foi responsável por mostrar ao mundo um Woody Allen desconhecido, diferente daquele humorista esquisito que fazia comédias de situações. Desta vez, sem fugir de suas piadas nonsense, ele fez um contundente drama sobre relacionamento, que ainda tem como um de seus maiores destaques a presença de Diane Keaton, em seu melhor papel.

Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris)

Se em Tudo Pode Dar Certo os fãs de Woody Allen puderam votar a depositar grande fé na capacidade criativa do diretor, e em Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, essa confiança foi abalada, agora em Meia-Noite em Paris o cineasta americano comprova ser ainda capaz de grande obras. Estrelado por Owen Wilson e passado na romântica capital francesa, o filme pode ser visto como uma reedição mais madura e superior do clássico dos anos 80 de A Rosa Púrpura do Cairo, dando novamente a falsa impressão de que Allen é apenas um plagiador de si mesmo.

Owen Wilson vive Gil, um bem sucedido roteirista de cinema em Hollywood que se considera um fracasso por não ganhar a vida como realmente deseja, escrevendo literatura. Durante uma viagem à Paris com sua noiva Inez (Rachel McAdams), ele decide aproveitar o clima da cidade para se inspirar e terminar seu romance, que ele acredita ser o primeiro passo para ele ser reconhecido como escritor, podendo então abandonar de vez o cinema. Lá, porém, o casal encontra o pedante amigo de Inez, Paul (Michael Sheen), o que faz com que Gil prefira estar cada vez mais sozinho.

Em um de seus passeios solitários pela cidade, no entanto, ele descobre uma espécie de portal do tempo que o leva à época que considera a melhor de todas, os anos 20. O roteirista então tem a chance de conversar a respeito de seu novo trabalho com grandes ídolos, como F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway ou T.S. Eliot, e assim pode melhorar sua obra enquanto vive entre os dois tempos. Romântico, ele percebe que esta chance o permite enxergar sua vida nos tempos atuais de uma forma muito mais clara e realista, de uma forma que ele nunca tinha notado antes.

Apesar de Woody Allen, mostrando o seu grande amor por Paris, mudar sua forma de iniciar um filme, a identidade do diretor está óbvia no primeiro dialogo. Ainda sem mostrar os atores, é difícil dizer que aquele personagem dos minutos iniciais é interpretado por Wilson, e não pelo próprio Allen. Owen consegue interpretar Woody como talvez apenas ele próprio consiga, mostrando um excelente trabalho de atuação. No entanto, ele não fica sozinho. Apesar da presença de Carla Bruni, o elenco em geral faz um grande trabalho, com destaque especial para o Salvador Dali de Adrien Brody, que vive alguns dos melhores momentos da trama.

Mas não é apenas pela atuação de Owen que Woody se mostra presente no personagem. É quase impossível para quem conhece o diretor novaiorquino não pensar que não é Gil quem considera o cinema uma forma menor de arte, mas o próprio Allen. Assim como quase todos os seus filmes, Meia-Noite em Paris também deixa o espectador sempre com a impressão de que cada movimento do protagonista é um momento auto-biográfico. Mais do que isso, o filme se encaixa como uma recriação de temas do diretor, o que é comum em sua carreira. Como se ele fosse um gênio perfeccionista que sempre refaz o mesmo trabalho na esperança de sempre se superar.

Uma coisa, porém, está diferente em relação aos filmes de décadas anteriores, desta vez Woody tem muito mais maturidade para tratar destes mesmos temas que é apaixonado desde a sua juventude. Assim, Meia-Noite em Paris pode ser visto como a última parte de uma trilogia, que começa em 2009 com Tudo Pode Dar Certo, e continua em 2010 em Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos. Juntos, os três filmes mostram que, ao contrário do que parece, Woody Allen é uma pessoa com o pé no chão, que acredita que, independente de qualquer coisa, a realidade sempre vai superar a ficção.

Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris, 2011, EUA)
Direção:
Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Elenco: Owen Wilson, Rachel McAdams e Kathy Bates
100 Minutos

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